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13º HQ Mix reúne profissionais e celebra os quadrinhos
A festa de entrega do 13º Troféu HQ Mix reuniu vários profissionais da área, e homenageou, com muita descontração, os melhores de 2000 em 56 categorias.
por Samir Naliato
Em um mercado restrito como é o dos quadrinhos aqui no Brasil, é raro algum evento, festival ou iniciativa permanecer na ativa durante muito tempo. Inúmeros fatores impedem a continuidade de alguns projetos, e seus idealizadores vão tentando levar as coisas como podem.
Felizmente, para toda a regra existe uma exceção. Nesse caso, uma delas chama-se Troféu HQ Mix, a maior premiação do gênero realizada no País. Criado por José Alberto Lovetro e Gualberto Costa (mais conhecidos como Jal e Gual), em 1988, a cada ano vem alcançando mais importância e destaque dentro do mercado nacional de quadrinhos, tornando-se também um ponto de encontro para os profissionais, na noite de entrega dos prêmios.
Assim como no ano passado, a 13ª versão do evento, ocorrida no último dia 31 de outubro, aconteceu no Theatro São Pedro. A abertura foi feita pela dupla de humor Os Charles e, logo depois, Jal e Gual fizeram as considerações iniciais, chamando ao palco o Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Marcos Mendonça, que fez um discurso e anunciou oficialmente a criação do primeiro museu de humor gráfico do Brasil. Sem dúvida, uma excelente notícia.
A exemplo dos anos anteriores, Serginho Groisman foi o mestre de cerimônias, chamando cada um dos 56 vencedores (veja lista completa dos vencedores clicando aqui) e colocando à prova o seu italiano, ao entrevistar Ivo Milazzo, vencedor nas categorias Melhor Desenhista Estrangeiro e Melhor Álbum de Aventura, com Ken Parker - Um Príncipe para Norma. Outras figuras ilustres do meio estavam presentes, como Mauricio de Sousa (que foi receber o prêmio de Melhor Revista Infantil para a Turma da Mônica) e Angeli.
Por falar em Angeli, o troféu (que muda de visual a cada ano) prestou uma homenagem ao artista, apresentando a Rê Bordosa sentada numa privada, numa pose parecida com a da escultura O Pensador, de Rodin. O criador da personagem fez questão que essa fosse a imagem representada na estatueta, produzida pelos artistas plásticos Olintho e Anália. Angeli levou o prêmio de Melhor Chargista e também de Melhor Álbum de Humor, por Luke & Tantra.
O "clima familiar" marcou presença, com vencedores agradecendo aos pais pelo apoio ou levando os filhos para receber o troféu, como Lourenço Mutarelli (Melhor Desenhista Nacional e Melhor Álbum de Ficção, com O Rei do Ponto) e Sidney Gusman (Melhor Jornalista).
Mutarelli anunciou ainda que o último álbum de sua trilogia, A Soma de Tudo (os dois anteriores foram O Dobro de Cinco e O Rei do Ponto) sairá em duas partes, tornando-se assim uma tetralogia.
A entrada franca colaborou para a boa presença do público. O pessoal de São Vicente aproveitou para levar uma grande caravana da cidade. Eles foram vencedores na categoria Valorização das HQs, com São Vicente, a Primeira Sempre, do Projeto 500 anos de Brasil em Quadrinhos. Piauí foi um estado representado em peso. Paraíba e Piauí no Cartum - Com Todo o Risco levou o prêmio na categoria Livro de Cartum, e Amaral, com o seu Hipocampo, venceu como Melhor Revista Independente.
Aline, de Adão Iturrusgarai, foi eleita a Personagem Destaque, que também faturou o troféu na categoria Melhor Tira Nacional.
Os momentos de maior descontração ficaram por conta das brincadeiras de Serginho Groisman e da platéia com a bela (e bem vestida) Lílian Maruyama, que levou o prêmio de melhor colorista, por seu trabalho em Combo Rangers Revolution, que ganhou na categoria Melhor Mini-série Nacional.
A grande vencedora da noite foi a Conrad Editora, que levou cinco troféus, entre eles o de Melhor Editora. A Devir também fez bonito, vencendo em 3 categorias, e a Via Lettera conseguiu duas estatuetas, ambas com Do Inferno, obra-prima de Alan Moore.
A Nona Arte, em seu ano de estréia, levou pra casa dois prêmios (Melhor Roteirista Nacional, para André Diniz, e Melhor Graphic Novel Nacional, por Fawcett). Vale lembrar que, no primeiro semestre, a Nona Arte já havia sido reconhecida no 17º Prêmio Angelo Agostini, quando venceu em 3 categorias.
Nas categorias ligadas à Internet, o Universo HQ ganhou o troféu de Melhor Site sobre Quadrinhos; e o Cybercomix, o de Melhor Site de Quadrinhos.
Os homenageados da noite foram, além do próprio Angeli, os criadores Edmundo Rodrigues (Hall da Fama) e Álvaro de Moya, pelos 50 anos da primeira exposição de quadrinhos do mundo, que aconteceu em São Paulo no ano de 1951, e da qual ele foi um dos organizadores.
Este ano, a premiação foi filmada pela TV Universitária, canal de TV a cabo de São Paulo.
A intenção para 2002 é que o evento seja realizado no começo do ano, e os organizadores estão estudando a possibilidade que os jurados possam votar pela Internet, protegidos por senhas.
Uma pena que muitas editoras e editores não marcaram presença nessa comemoração, já que este é o prêmio de maior expressão para o mercado de quadrinhos do Brasil. Até mesmo alguns vencedores não compareceram. Agora, vamos aguardar, e esperar para mais uma grande festa em 2002.
CONFIRA A NOSSA GALERIA DE IMAGENS DO HQ MIX
Samir Naliato veio do Rio de Janeiro especialmente para a entrega do HQ Mix. Visivelmente emocionado, o rapaz passou a madrugada inteira "namorando" a Rê Bordosa que o Universo HQ ganhou.
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