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Há algo de estranho, bizarro e muito original no reino da Internet
A.I. - Inteligência Artificial é um filme concebido por Stanley Kubrick e que foi herdado por Steven Spielberg quando o diretor de 2001 e Laranja Mecânica faleceu.
por Beto Skubs (20/10/2001)
Estreou, no dia 7 de setembro, o filme A.I. (Artificial Intelligence, ou Inteligência Artificial), concebido por Stanley Kubrick e que foi herdado por Steven Spielberg quando o diretor de 2001 e Laranja Mecânica faleceu. Mas estranhos eventos cercaram o lançamento da fita...
Durante o primeiro semestre de 2001, dois trailers foram lançados para promover o filme, ambos disponibilizados na internet. Observadores mais atentos repararam que as palavras "Summer 2001" (Verão de 2001) continham pequenas marcas que, decodificadas, se transformavam num número de telefone nos Estados Unidos.
Quem ligou para este número ouviu uma enigmática gravação, falando sobre uma floresta assustadora, robôs... "E se você se sentir confuso, criança, me escreva em thevisionary.net", dizia a mensagem.
Aqueles que acessaram o site www.thevisionary.net foram surpreendidos com uma mensagem sonora, com a mesma voz, dizendo que "era uma vez uma criança mal-educada, que veio visitar quando dita para escrever". E então, o programa de e-mail do internauta se abriria automaticamente, com uma mensagem cujo assunto era "Sinto Muito", e o conteúdo era um pedido de desculpas. O endereço estava em branco.
Se o internauta preenchesse o endereço com "mother@thevisionary.net" e enviasse a mensagem, receberia mais uma mensagem, com pistas e uma informação escondida, falando sobre o assassinato de um certo Evan Chan.
A mensagem oculta dizia "Jeanine é a chave para o mistério. Você provavelmente já a viu, mas não se lembra dela. Ela o levará a ele, assim como os levou..."
Mais uma vez, os atentos observadores do trailer repararam que, nos créditos, ao lado de "Diretor", "Designer de Figurinos" e afins, existia "Jeanine Salla - Terapeuta de Máquinas Inteligentes". Uma pesquisa no site google.com pelo nome Jeanine Salla (jeaninesalla.com) retornava informações sobre a mesma - uma terapeuta de máquinas "vivas", que trabalha na Universidade Mundial de Bangalore. No ano 2142...
Mas que diabos isso tudo significa? Simples: é provavelmente a mais genial, e com certeza, a mais original e divertida campanha de marketing da história do cinema. Tudo isso faz parte da divulgação de A.I., pois, espalhadas pela internet, existem centenas de pistas, sites e referências sobre o assassinato de Evan Chan.
A missão daqueles que decidirem se aventurar não é nada simples: desvendar o assassinato de Evan Chan, e o que cerca este acontecimento.
Durante muito tempo, os criadores do jogo (produzido para internet pela Microsoft) evitaram todo e qualquer contato com a imprensa - é o anti-marketing to marketing, ou vice-versa.
Logo, milhares de internautas se reuniam para trocar informações a respeito, e tentar desvendar os dificílimos e engenhosos enigmas espalhados pela internet e pelos sites pessoais das personagens do jogo, das companhias envolvidas (que tal, por exemplo, www.belladerma-srl-it.ro, uma companhia que vende robôs "acompanhantes").
E as brincadeiras foram ficando cada vez mais complexas e interessantes: quem se cadastrasse no site da Milícia Anti-Robôs, por exemplo, receberia um telefonema anônimo, avisando para não se meter naquilo. Quem desvendou o seqüestro do hacker conhecido como "Red King" descobriu um número de telefone - e, ao invés de uma mensagem, falaria com um guarda da estátua da Liberdade (na verdade, um ator contratado pelos produtores do jogo). E se você deixasse seu número de fax para Beladerma, receberia uma resposta imediatamente!
Para completar, um dos enigmas consistia em atender pessoalmente a uma reunião simultânea marcada nas cidades de Los Angeles, Nova York e Chicago, com direito a mensagens escritas no espelho e tudo mais. E tudo isso de graça.
Os produtores acreditam ter criado um tipo de entretenimento e de arte totalmente nova e revolucionária. "Tentamos criar o conceito de um jogo invasivo, confundindo ficção com realidade", diz Evan Lee, co-produtor e designer do jogo para a Microsoft.
Mesmo a equipe responsável pelo projeto ficou surpresa com a quantidade de pessoas que se interessaram. "Nós podemos criar qualquer quebra-cabeça, não importa o quão difícil seja, pois há milhares de pessoas por aí reunidas tentando resolvê-los", comemoram.
E a sutileza foi tamanha que quase não deu certo. Nos primeiros dias do jogo, apenas algumas centenas de pessoas haviam percebido as primeiras pistas. Foi então que o site Ain't It Cool News publicou uma matéria sobre o que havia de estranho no trailer. No mesmo dia, as páginas do jogo tiveram nada menos que 25 milhões de acessos.
A investigação e o jogo já se encerraram, mas abriram um novo precedente: haverá mais coisas do tipo? A resposta é sim. Já está em andamento nos Estados Unidos a versão de testes do jogo Majestic, da Eletronic Arts, que utiliza os mesmos conceitos usados no marketing de A.I.. O slogan de Majestic é "Ele Joga Você". É a ficção invadindo a realidade.
Mais informações:
www.cloudmakers.org
www.ea.com/majestic
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