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Seriado televisivo do Hulk chega em DVD
Popular série de TV marcou época e ganha relançamento em DVD, ao mesmo tempo em que o novo filme do Gigante Esmeralda estréia aos cinemas
Por Marcelo Cypriano
Foi
bastante popular na década de 1970 (e um pouco na de 1980) a série televisiva
O Incrível Hulk. O episódio piloto foi exibido pela Rede Globo
no extinto Primeira Exibição, o Supercine daqueles tempos,
sábados à noite (quem é daquela época, lembra-se do horrível formulário
da censura com o carimbo "livre", exibido antes das atrações). Pouco tempo
depois, o restante da série era exibido regularmente no mesmo canal, reprisadas
à exaustão até o início dos anos 1980. Hulk foi uma das séries
mais vistas daquela época, junto com outras famosas de super-heróis (O
Homem do Fundo do Mar e o Batman de Adam West) e as criações
de Irwin Allen (Viagem ao Fundo do Mar, Terra de Gigantes),
também em reprises intermináveis.
As revistas brasileiras já traziam aventuras do Gigante Esmeralda da Marvel,
mas, sem dúvida, a sua versão da TV era, de longe, a mais conhecida (pode
perguntar ao seu pai, se você não se lembra da época, mesmo que ele não
curta super-heróis). O personagem central, interpretado por Bill Bixby,
era David Bruce Banner (os produtores acharam por bem mudar o nome, para
ficar diferente do alter-ego de Batman, Bruce Wayne), um cientista que
se submeteu como cobaia em um experimento usando raios gama, para intensificar
a resistência e a força humana. Um acidente expôs David a uma dose bem
acima da prevista e os efeitos colaterais todo mundo conhece. Diferente
da versão dos quadrinhos, em que Banner recebe a onda radiativa de uma
bomba experimental do exército. Alguma coisa da versão da origem do Hulk
da TV foi aproveitada no filme de Ang Lee.
Quando
transformado em Hulk, Bixby era substituído pelo fortão Lou Ferrigno (cujo
"talento" foi emprestado ao mitológico Hércules e ao marujo Sinbad em
filmes posteriores), todo pintado de verde com lentes de contato da mesma
cor, a indefectível calça em farrapos, mais uma peruca que deve ter sido
roubada do antigo guarda-roupa da Baby Consuelo ou da Tina Turner.
Nas cenas de ação, imperava a câmera lenta e os efeitos, para a época,
não eram dos piores, levando-se em conta a ausência total dos recursos
oferecidos pela computação gráfica, tão comuns e até banalizados hoje
em dia.
No filme de 2003, Ferrigno faz uma aparição especial bem rápida como um
guarda do laboratório de Bruce, ao lado de Stan Lee, o criador de Hulk,
que se acostumou a fazer pontas nos filmes da Marvel (X-Men,
Homem-Aranha).
"O Fugitivo" verde
Era
uma versão verde e grande de O Fugitivo, já que David foi dado
como morto e resolveu dar uma de cavaleiro errante, se virando como podia
para não passar fome, pedindo carona pelas estradas dos Estados Unidos,
de cidade em cidade, nunca se fixando em lugar nenhum com medo de ferir
alguém. Era obrigado a fugir sempre que se transformava ao ficar nervoso,
pois as notícias corriam e ele era perseguido pelo enxerido e incansável
repórter Jack McGee (Jack Colvin com uma irritante voz na dublagem brasileira),
aspirante a um Pulitzer que sabia que o cientista ainda estava
vivo. Ainda como em O Fugitivo, o homem, verde ou não, sempre arrumava
um jeito de ajudar os habitantes locais que tinham algum problema. Até
numa confusão em um Boeing 747 ele chegou a se meter, e acabou ajudando.
Algo de que ninguém se esquece era o invariável final dos episódios da
série. Mesmo que encontrasse um novo amor (perdera a esposa, que francamente
não me lembro se era Betty Ross, em um acidente), fizesse novos amigos
ou estivesse perto da cura, David ia embora da cidade em que estivera.
Sempre aquele famoso tema ao piano (triste pra caramba!) e o coitado esticando
a mão para pegar carona à beira de uma rodovia qualquer, em busca de outro
subemprego na cidade seguinte. Lembra ou não lembra o Dr. Richard Kimble?
Os longas-metragens
Além do episódio piloto de 1977, outros longas-metragens foram feitos
durante o período em que a série ainda era exibida, com relativo sucesso
na época. Banner e o monstrão caíram nas graças do público de vários países,
que curtiam o anti-herói e se sensibilizavam com sua solitária procura
pela cura.
Stan
Lee foi consultor direto para o piloto. Por respeito, sempre é chamado
para isso. Francamente, nunca fez grande diferença, pois permitiu micos
como os longas pós-série do Hulk, o primeiro filme do Justiceiro, com
Dolph Lundgreen (que ganhou uma nova chance nas mãos da Artisan
para 2004) e o super-trash Quarteto Fantástico. A Marvel
só deu sorte a partir do primeiro X-Men, seguido de Homem-Aranha,
Demolidor, o próprio Hulk de Ang Lee e diversos outros que
se seguirão a partir do ano que vem (Punho de Ferro, Motoqueiro
Fantasma, Homem-Aranha 2).
Se antes de Hulk ele teve papéis interessantes em diversos filmes, após
o fim da série em 1982, Bill Bixby nunca mais conseguiu fazer um papel
que prestasse, embora não fosse um mau ator. Bancou o produtor e ressuscitou
o monstro verde de Ferrigno em longas para TV hediondos, que só serviram
para os tele-fãs matarem a saudade. Em um deles, Banner trabalhava em
um novo laboratório e estava preste a achar a cura para sua mutação. As
curiosidades eram os heróis "convidados": em A Volta do Incrível Hulk,
ninguém menos que o poderoso Thor, o deus nórdico do trovão (e seu companheiro
nos Vingadores, nas revistas) deu as caras com seu alter-ego Don Blake,
enquanto em O Julgamento do Incrível Hulk, David era levado aos
tribunais, defendido pelo advogado cego Matt Murdock - ele mesmo, o Demolidor,
bem antes de Ben Affleck. Os fãs mais exaltados da Marvel quiseram
o pescoço de Bixby, que acabou morrendo de câncer em 1993.
O SBT lança mão de vez em quando de seus títulos amalucados e obscuros
para suas sessões vespertinas. De repente, você dá de cara com esses filmes
num dia desses...
Agora em DVD!
Mas
se não quiser arriscar a sorte na programação do SBT ou de algum
canal pago que reprise a série, você tem uma chance e tanto: a Universal
está lançando no Brasil um DVD com os dois primeiros longas, intitulado
O Incrível Hulk: Como Tudo Começou. Podem ficar tranqüilos, pois
esses são da "época boa". Além dos filmes, o disco traz o spot
de TV, o teaser e um passeio pelo parque temático do Hulk (Universal
Studios).
O primeiro filme é o longa que deu origem à série, O Incrível Hulk,
de 1977. Banner se sente culpado por não ter conseguido salvar a vida
de sua esposa de um terrível acidente. Inconformado, ele inicia uma pesquisa
sobre os motivos que levam alguém a obter força sobre humana em momentos
de extrema tensão. Ao lado de sua colega, a Dra. Elaina Marks, o cientista
chega a uma importante conclusão: existem pessoas, portadoras de uma simples
alteração genética, que ultrapassam suas próprias limitações físicas quando
expostas a uma certa dose de raios gama, emanados do Sol, e submetidas
a situações de forte estresse.
Ao aplicar sua descoberta em si próprio, o Dr. Banner acaba se submetendo
a uma dose excessiva de raios gama que mudará sua vida para sempre. Agora,
toda vez que ele passar por uma situação de forte tensão, seu corpo sofrerá
uma terrível mutação que o transformará no poderoso e incrível Hulk.
No segundo, O Incrível Hulk: Casado (1978), a Dra. Caroline Fields
é uma médica especializada em hipnose que pode estar bem próxima da curar
David. Ele, por sua vez, tem em seu DNA mutante elementos que podem solucionar
alguns problemas da Dra. Caroline. Esta situação de interdependência acaba
levando o casal a redescobrir o amor. Porém, a maldição de Hulk parece
ser maior e mais forte que tudo. Fez bastante sucesso na TV americana
e chegou até mesmo a ser exibido nos cinemas em alguns países da Europa.
A previsão da Universal é de o DVD estar disponível nas lojas (sell-thru)
em 09 de julho.
Marcelo Cypriano é um
grande fã do seriado televisivo do Verdão. Difícil é engolir quando o
cara quer imitar o Lou Ferrigno, magrinho do jeito que é...
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