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Telinha esverdeada: o Hulk na TV
Por de trás dos personagens gloriosos existe sempre um passado nostálgico! Quem não se lembra do Hulk de antigamente?
Por Ricardo
Chacur
Não
é novidade para ninguém que Hollywood adora aproveitar o material das
histórias em quadrinhos, criando séries e filmes milionários, com enormes
lucros, inclusive nos licenciamentos.
O Hulk é o típico personagem carismático, que originou, também fora dos
quadrinhos, diversas animações e até um seriado para televisão. Tudo começou
no ano de 1966, com uma série de desenho animado. Apesar das limitações
da animação, que explorava figuras "quase estáticas" por falta de recursos
financeiros, havia qualidade nas histórias e uma contribuição artística
dos desenhistas famosos das HQs.
Mas
o maior sucesso do Hulk na telinha foi a série com atores reais. Foram
mais de três filmes para televisão, com 120 minutos cada um, e 80 episódios
de uma hora.
O seriado tinha no elenco o ator Bill Bixby interpretando o cientista
que se transformava no Hulk. Para fazer o papel do monstro verde foi contratado
o personal trainner e Mr. Universo Lou Ferrigno. Apesar do orçamento
limitado, o produtor Kenneth Johnson (de V - A Batalha Final) tinha
o apoio do genial Stan Lee, um dos criadores do personagem.
A sua origem, é verdade, sofreu várias adaptações para o público aceitar
toda a ficção. Uma das mudanças mais significativas é que o Hulk da TV
não falava nada, mas fazia muito barulho quando nervoso.
No
primeiro episódio, Bruce Banner estava trabalhando no laboratório quando
aconteceu um acidente que acabou matando seu assistente. Contaminado pelos
raios gama, o cientista se transforma no terrível monstro verde. Só que
o jornalista Jack Colvin (interpretado por Jack McGee) presencia o Gigante
Esmerala saindo do local do "crime".
A partir daí, o incansável jornalista passou a perseguir Bruce Banner,
em todos os episódios procurando o monstro chamado Hulk. Inspirado na
série da década de 1970 O Fugitivo, Bruce Banner torna-se um foragido
da justiça, carregando a maldição de transformar no gigante.
Os roteiros eram sempre os mesmos: fugindo de Jack Colvin, o cientista
Bruce Banner mudava de nome, cidade e encontrava alguém passando por problemas.
Acontecia um fato que o deixava nervoso e ele se transformava no Hulk.
Sem querer, o monstro verde acabava solucionando o problema na força!
No
final de cada episódio, uma memorável e melancólica música instrumental
contribuía na dramatização do sofrimento de Banner, que vagava solitário
e sem rumo nas estradas americanas, procurando por uma carona.
Apesar dos argumentos previsíveis e das críticas dos jornalistas, essa
série teve vários episódios. Vários atores conceituados na televisão,
como Pat Morita (de The Karate Kid); Morgan Woodward (de Star
Trek) e Gary Graham (de Alien Nation), também fizeram suas
participações. A fórmula se esgotou e, mesmo com o protesto dos fãs, Hulk
foi cancelado.
Anos depois, surgiram outros desenhos animados do Verdão, mas o sucesso
jamais se comparou ao obtido pelo seriado.
O Regresso
No
ano de 1988, foi feito um especial chamado The Incredible Hulk Returns
(O Regresso do Incrível Hulk), com direção de Nicholas Corea. Nesse
filme, o Hulk enfrenta um Thor bem diferente de sua versão dos quadrinhos.
O segundo filme para TV foi no ano seguinte e se chamava The Trial
of The Incredible Hulk (O Julgamento do Incrível Hulk). O roteiro
era de Gerald Di Pego e direção do próprio Bill Bixby. Dessa vez, o Hulk
encontrou o herói cego Demolidor, que se vestia de preto e mais parecia
um ninja> Ou seja, também nada a ver com sua versão nas HQs!
Na história, Bruce Banner era acusado por um crime que não cometeu. Durante
o julgamento, no momento mais marcante, ele fica tão nervoso que se transforma
no Hulk, destruindo todo tribunal.
Em
1990, foi gravado The Death of The Incredible Hulk (A Morte
do Incrível Hulk), no qual o personagem da Marvel cai de um
avião e acaba falecendo.
O grande sonho do ator Bill Bixby era fazer uma continuação que se chamaria
Rebirth of Incredible Hulk (O Renascimento do Incrível Hulk).
Todavia, o ator não conseguiu interessados em patrocinar sua idéia. Não
bastasse isso, ele não era convidado para papéis importantes na televisão
e nem no cinema, porque ficou marcado pelo fato de ter interpretado o
personagem.
Bixby teve, inclusive, diversos problemas familiares, como a morte de
seu filho, que estava doente e, anos depois, sua esposa cometeu suicídio.
Deprimido e sem motivação, ele acabou falecendo no ano de 1994, vítima
de câncer.
O Presente e Futuro
O ano de 2003 promete emoções para os fãs do Gigante Esmeralda. O novo
filme do Hulk está gerando uma série de produtos no mercado de licenciamentos.
Pelas estimativas, os lucros só no Brasil devem ultrapassem milhões de
dólares. O personagem Hulk ainda promete surpreender os fãs dos quadrinhos,
porque, dependendo do êxito do filme, os produtos do passado relacionados
ao personagem serão valorizados, no processo semelhante ao que ocorreu
com os filmes Batman e Homem-Aranha.
É esperar e torcer!
Ricardo Chacur é quadrinhista e um dos criadores da série Cabeças
Caninas, estrelada por um cachorro amarelo de duas cabeças. Apesar
de ser fã do Hulk, ele conseguiu resistir à tentação de fazer seu personagem
verde...
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