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Abril Despedaçado é o possível concorrente brasileiro ao Oscar 2002
por Carlos João Riva (22/11/2001)
O cinema brasileiro, mais uma vez, vai pleitear seu lugar no Oscar, agora com Abril Despedaçado, filme de Walter Salles, com duração de uma hora e quarenta e cinco minutos. Os filmes que concorriam com o longa escolhido (A Hora Marcada, Bicho de Sete Cabeças, Copacabana, Lavoura Arcaica, Memórias Póstumas, Netto Perde Sua Alma, O Xangô de Baker Street, Tainá e Tolerância) não tinham a menor chance de chegar ao Oscar, segundo reportagem da revista Carta Capital desta semana, devido a uma manobra movida por diversos membros do cinema nacional.
Abril Despedaçado é uma co-produção Brasil - França - Suíça, e conta a história de Tonho (Rodrigo Santoro), filho do meio da família Breves, que, a pedido do pai, precisa vingar a morte do irmão, vítima de uma velha briga entre famílias vizinhas por disputas por terra. O filme já foi exibido em setembro deste ano no Festival de Veneza e, infelizmente, mal recebido pelo júri e pela crítica italiana.
Arthur Cohn, produtor do filme, anunciou a divulgação do filme nos Estados Unidos pela Miramax no valor de US$ 4 milhões. Cohn, junto com Salles, levou Central do Brasil ao Oscar de 1999, e a Miramax, distribuidora do filme, esteve presente na cerimônia nos últimos nove anos. A união de Cohn com a Miramax já anunciava a indicação de Abril Despedaçado ao Oscar 2002, independente dos seus concorrentes.
Um dia após a entrada da Miramax no "jogo", o Ministério da Cultura brasileiro divulgou os nomes dos cinco membros da comissão que escolheriam o possível representante brasileiro no Oscar, e, coincidentemente, três deles já haviam se posicionado favoravelmente ao filme. São eles: José Carlos Avelar e Ana Maria Bahiana (críticos que já haviam elogiado o filme), Andrucha Waddington (cineasta, e amigo pessoal de Salles), Luiz Carlos Merten e Gustavo Dahl.
Posteriormente, Bahiana abandonou a comissão por pretender fazer parcerias com sócios de Salles que também participam de Abril Despedaçado, deixando as portas abertas para Halvécio Ratton, parceiro de Tarcísio Vidigal, sócio de Bahiana no filme 1972, que, por sinal, também receberia (caso tivesse sido produzido) o apoio de Arthur Cohn, produtor de Abril Despedaçado.
José Carlos Avelar, um dos integrantes da comissão, disse à revista Carta Capital que em primeiro lugar buscaram o filme que mais agradasse cinematograficamente, e, é claro, tentaram interpretar o que leva um filme a ser bem recebido em Hollywood. A grande verdade é que, neste caso, o que leva um filme a ser bem recebido em Hollywood é o nome de Arthur Cohn e a força da Miramax.

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