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Diretor Taylor Hackford fala de Prova de Vida, seu mais novo filme, com Russell Crowe e Meg Ryan
por Marcelo Cypriano (13/04/2001)
Conhecido por filmes como O Advogado do Diabo e O Sol da Meia-Noite, Taylor Hackford tem fama de ser escolhido pelos estúdios quando o assunto é dirigir atores consagrados. Esse e outros critérios fizeram com que fosse o "convocado" para Prova de Vida, protagonizado por Meg Ryan, Russell Crowe e David Morse.
No filme, Ryan é a esposa de um engenheiro (Morse) seqüestrado por um grupo terrorista de um país fictício da América do Sul. Só que ela se envolve com o representante da companhia de seguros da construtora, especialista em resgates (Crowe).
No dia 14 de março, Hackford esteve no Brasil para conceder uma entrevista coletiva, após a cabine do filme. O Universo HQ estava lá e conferiu.
Sobre a inevitável pergunta sobre o envolvimento do casal protagonista na vida real (que teria acabado com o casamento de Meg Ryan e Dennis Quaid), Hackford saiu-se bem: "Eles não se conheciam antes do filme, mas ficou claro que a química entre ambos foi muito boa!"
Embora reconhecendo que todo o caso foi útil para divulgar o filme, deixou claro que os atores agiram com muito profissionalismo, e que o romance entre eles, em momento algum, atrapalhou as filmagens.
A equipe contou com a consultoria de uma grande empresa de seguros que preferiu ficar anônima, descrevendo casos reais de resgates de seus segurados - geralmente executivos de multinacionais que trabalham em outros países - em verdadeiros barris de pólvora como o Golfo Pérsico, a Bósnia e países beligerantes da América Central - tudo extra-oficialmente, evidentemente.
A princípio, a empresa não quis colaborar, ao que Hackford rebateu: "Então, contaremos a nossa versão". A empresa pensou bem e deu uma assessoria completa à produção.
A idéia do argumento veio a Hackford quando ele leu uma reportagem sobre o assunto na revista americana Vanity Fair. "Eu, que me considero bastante bem informado, fiquei chocado com um assunto que até então desconhecia, e que movimenta bilhões de dólares anualmente", declarou.
Além do apoio da seguradora, a equipe entrevistou 35 vítimas - e suas famílias - de seqüestros do gênero, em vários países. A união de diversos fatos verídicos formou a história de Prova de Vida (jargão das equipes anti-seqüestro para qualquer coisa que prove que o refém ainda está vivo, como um telefonema ou um vídeo). "Tentamos mostrar no filme os dois lados da história - o da vítima e o da família dela - , bem como o dos profissionais do resgate, homens extremamente solitários cuja vida constantemente está em risco - geralmente ex-militares de forças especiais", complementa Hackford.
Sobre o motivo de as locações serem no Equador, o diretor diz: "Preferíamos a Colômbia, a primeira opção do argumento. Mas, devido à constante situação tensa e perigosa, optamos por um país com características geográficas parecidas, e bem mais calmo". As cenas iniciais do filme, cujo episódio fictício acontece na Chechênia, foram filmadas na Polônia, pelo mesmo motivo.
David Morse foi o ator que mais se esforçou, segundo o diretor, para a realização do filme. Seu papel era o mais difícil, pelas dificuldades vividas pelo personagem no cativeiro. Teve que emagrecer cerca de 17 quilos, fora o fato de viajar constantemente para a América do Sul para as filmagens, conciliando-as com compromissos nos Estados Unidos.
Hackford preocupou-se com um detalhe que pode passar despercebido pelos americanos e por nós, brasileiros: o sotaque dos atores. Ele fez questão de contratar atores da região (Equador e Peru), para reproduzir com exatidão o modo de falar deles. O diretor reclama que "nos EUA, quando se quer personagens latinos, logo contratam um cubano ou um mexicano, achando que todos falam da mesma maneira. Evitei isso o quanto pude".
Quando indagado sobre cenas mais quentes de amor entre Crowe e Ryan que pudessem ter sido cortadas por causa do envolvimento dos atores na vida real, o diretor simplesmente disse que preferiu centrar-se no conflito do negociador vivido por Crowe, segundo ele, "um homem solitário que fica entre o sentimento pela esposa do refém, convivendo com ela dia após dia, e seu profundo profissionalismo".
O filme anterior do diretor, O Advogado do Diabo, teve ótima repercussão no Brasil, mas o público americano não ficou tão entusiasmado. Hackford disse que "realmente o Brasil e a Itália receberam muito bem o filme. No exterior, O Advogado do Diabo rendeu o dobro do que faturou nos EUA".
Prova de Vida não foi muito bem nos EUA - um pouco por causa da publicidade negativa que o romance entre os atores gerou -, mas isso não preocupa o diretor, a exemplo do filme anterior.
Mas a verdade é que o filme não é nem um pouco instigante, como O Advogado... Apesar de bem feito, é apenas regular. Mas parece que não vai dar muito o que falar aqui no Brasil - ainda mais com a notícia do fim do romance entre Russell Crowe e Meg Ryan, como o ator fez questão de deixar bem claro, ao receber seu Oscar de melhor ator por Gladiador este ano, beijando sua desconhecida parceira antes de subir ao palco e pegar sua estatueta.
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