| |
Matrix Revolutions completa a trilogia dos irmãos Wachowski
Por Sérgio Codespoti (05/11/2003)
Matrix Revolutions (The Matrix Revolutions), capítulo final da trilogia do irmãos Wachowski, estréia hoje, cinco de novembro, em 71 cidades brasileiras, com aproximadamente 450 cópias em exibição. O filme está sendo lançado simultaneamente em 65 países.
Toda revolução lida com mudanças, e em Revolutions a alusão do título pode se aplicar tanto às máquinas quanto aos humanos.
Revolutions começa exatamente de onde o episódio anterior (Matrix Reloaded) havia terminado. A humanidade está a um passo do extermínio. As máquinas estão cavando para chegar a Zion, com um exército de milhares de sentinelas prontas para iniciar a destruição. Neo (Keanu Reeves) continua em coma, o mesmo ocorre como Bane (Ian Bliss), que foi possuído pelo Agente Smith.
Daí pra frente, o filme capricha na ação e nos efeitos, intercalados com alguns momentos mais calmos, mas distantes da verborragia de Reloaded. Se para uns o que conta é a ação, para outros, ela é excessiva.
Revolutions possui três momentos distintos: O início, que se parece mais com o estilo que marcou a série, como lutas dentro da Matrix e alguns momentos mais lentos fora dela; o meio, marcado pela sensacional batalha em Zion; e o final, que, para quem lê quadrinhos, vai parecer como se estivesse vendo no cinema, ao final de Miracleman, ou algo como Capitão Marvel versus Super-Homem.
Existem momentos peculiares, como o diálogo entre Neo e o personagem Rama-Kandra. Cena que ocorre numa estação de trem (conceitualmente representa um local entre o mundo das máquinas e a Matrix), na qual os Wachowski expõem idéias curiosas sobre o paralelo entre o homem e a máquina (ou melhor o software). Quem leu as duas minisséries Ghost in the Shell, de Masamune Shirow, irá sentir a familiaridade de alguns conceitos.
A batalha de Zion é um dos grandes momentos do filme. Dramática e visualmente incrível, mostra a ação grupal do exército humano que culmina no esforço de um indivíduo. O resultado geral é um bom filme de ação, mas sem os grandes devaneios filosóficos do episódio anterior.
Reloaded criou muitas perguntas, que são respondidas em Revolutions. Não há resposta para tudo, mas, de certa forma, a solução foge a muitas das expectativas.
Matrix deixou de ser um filme (ou melhor, uma série deles) para tornar-se um evento multimídia, um fenômeno de marketing.
De certo modo, isto criou um problema para o filme. Um excesso de expectativa. O que os americanos chamam de hype. Se por um lado este marketing cruzado entre cinema, game, animação, quadrinhos e bonecos, gera vendas e dá ibope; por outro, passa a ser impossível atender às expectativas do público.
Isso já havia ocorrido no segundo episódio, amado por uns e odiado por outros. Matrix Revolutions não escapa deste problema.
A série Matrix é um produto da geração que consumiu quadrinhos e desenhos animados nos últimos 20 anos. Da linguagem ao visual, tudo remete a estas duas mídias. E, por isso, muitas vezes parece falar exclusivamente a este público.
Revolutions é um filme melhor do que Reloaded, mas não se compara ao primeiro episódio, The Matrix. É possível que, daqui a alguns anos, passada a histeria coletiva, a série ganhe novo respeito dos críticos.
Afinal, é inegável que The Matrix continuará influenciando tanto em conteúdo, quanto no visual, muitos filmes que ainda virão.

Nota:     
Links Sugeridos:
Matrix Revolutions
FICHA TÉCNICA:
Matrix Revolutions (The Matrix Revolutions, EUA, 2003)
Direção: Andy e Larry Wachowski
Roteiro: Andy e Larry Wachowski
Elenco: Keanu Reeves, Carrie Ann-Moss, Laurence Fishbourne, Hugo Weaving, Jada Pinkett-Smith, Monica Bellucci, Lambert Wilson, Helmut Bakaitis, Mary Alice, Nona Gaye, Harold Perrineau, Tanveer Atwal, Nathaniel Lees, Harry Lennix, Anthony Zerbe, Anthony Wong e Bernard White.
Gênero: aventura/ficção
Duração: 129 minutos
|
|