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Triste realidade em Bicho de Sete Cabeças
por Beth Andalaft (05/07/2001)
Todos os prêmios que a produção nacional Bicho de Sete Cabeças vem recebendo desde novembro de 2000, quando participou do Festival de Brasília, são merecidos. O filme é da melhor qualidade. História, roteiro, elenco, fotografia, enfim, tudo funciona corretamente.
Bicho de Sete Cabeças marca várias estréias no cinema: da diretora Laís Bodanzky em longa metragem, do roteirista Luiz Bolognesi e do ator Rodrigo Santoro. Felizes estréias, pois todos saíram-se muito bem.
O filme baseia-se no livro Canto dos Malditos, do curitibano Austregésilo Carrano Bueno, ele próprio o personagem central da história, com influências de Carta ao Pai, escrito por Fanz Kafka. Bicho conta a história de Neto (Rodrigo Santoro, enterrando de vez a pecha de "galã global" e firmando-se como ator de talento), um jovem de classe média baixa, que passa pela fase de rebeldia contra os pais, tão comum nesse período da vida.
Um dia, o pai (Othon Bastos) encontra um cigarro de maconha no bolso da jaqueta do filho. Acreditando estar fazendo o melhor pelo filho, ele o interna em um hospital psiquiátrico. Ali começa o drama de Neto. Ele passa por choques, é entorpecido por remédios, sofre agressões.
Bicho é quase um documentário, tal o realismo das cenas. Acrescente-se a participação do ator Gero Camilo, como o interno Ceará, que rouba a cena, dando um show de interpretação. Ele está perfeito e o filme denuncia a triste realidade dos manicômios no País. Ali as pessoas são jogadas pela família, abandonadas à própria sorte, sem qualquer tratamento que as ajude a vencer suas dificuldades.
Luta - Carrano nas várias entrevistas que deu comentando o filme, conta que até hoje possui seqüelas do tratamento de choque recebido nos hospícios. Por isso, ele mantém uma luta contra o sistema manicomial do Brasil.
Bicho mostra também que nem sempre as boas intenções dos pais resultam em benefícios aos filhos. A falta de diálogo é o maior problema na relação pai/filho e isso o filme coloca com muita propriedade.
Os atores estão em seus melhores desempenhos, como Cássia Kiss, fazendo a mãe de Neto; Caco Ciocler, um dos internos do hospício; e o veterano Altair Lima, como o médico desinteressado da sorte dos pacientes. Rodrigo Santoro está ótimo e só surpreende a quem nunca prestou atenção em seu trabalho na televisão, pois até mesmo nas novelas globais ele revela seu talento.
Prêmios - Bicho de Sete Cabeças ganhou nove prêmios no 5º Festival do Recife: melhor filme, melhor direção, melhor roteiro, melhor ator (Rodrigo Santoro), melhor atriz coadjuvante (Cássia Kiss), melhor ator coadjuvante (Gero Camilo), melhor trilha sonora (André Abujamra, canções de Arnaldo Antunes), melhor som (Romeu Quinto e Sílvia Moraes), melhor montagem (Jacopo Quadri e Letizia Caudullo).
No Festival de Brasília 2000 também foram nove prêmios: melhor filme do júri, da crítica e do público, melhor direção, melhor ator (Rodrigo Santoro), melhor ator coadjuvante (Gero Camilo), melhor fotografia (Hugo Kovensky), prêmio especial do jornal Correio Braziliense (Rodrigo Santoro), prêmio cinema pela infância da Agência de Notícias pelos Direitos da Infância (ANDI).
Nota:    
Links Sugeridos:
Bicho de Sete Cabeças - Site Oficial
Trailers (formatos: MPEG e RealMídia)
FICHA TÉCNICA:
Bicho de Sete Cabeças (Brasil/Itália/Suíça, 2000)
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Luiz Bolognesi
Elenco: Rodrigo Santoro, Othon Bastos, Cássia Kiss, Jairo Mattos, Caco Ciocler, Luís Miranda, Valéria Alencar, Altair Lima, Linneu Dias, Gero Camilo, Marcos Cesana.
Gênero: Drama
Duração: 88 Minutos
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