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Última atualização: 17/02/12       

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Ironia e atualidade fazem Chicago deslumbrante

Por Beth Andalaft (07/03/2003)

ChicagoChicago (Chicago), o badalado musical baseado no espetáculo premiado de John Kander, Fred Ebb e Bob Fosse que ocupou os palcos da Broadway a partir de 1975, enfim chega às telas do cinema brasileiro. Com 13 indicações ao Oscar (filme, diretor, atriz, ator e atriz coadjuvantes, fotografia, direção de arte, figurino, edição, canção, efeitos sonoros e roteiro original), vencedor de três Globos de Ouro (filme, ator e atriz) é uma das principais apostas ao prêmio da Academia de Artes de Hollywood. Mas têm fortes concorrentes em O Pianista e As Horas.

É um bom filme, que agrada não apenas aos fãs do gênero, pois conta também uma interessante história. A ação se passa na Chicago do final dos anos 20, quando ninguém era inocente.

ChicagoDuas mulheres – Roxie (Renée Zellweger, de O Diário de Bridget Jones) e Catherine Zeta-Jones (de Traffic e Queridinhos da América) – estão no centro da trama. A primeira sonha com a fama e mata o amante que havia prometido leva-la aos palcos. A segunda, já famosa, mata o marido e a irmã, ao descobrir que eles eram amantes.

Atualidade – As duas se conhecem na prisão e passam a disputar a atenção da mídia e do advogado Billy Flynn (Richard Gere, de Infidelidade). Para ele, pouco importa se o cliente é culpado ou inocente, desde que tenha dinheiro suficiente para pagar seus honorários. Na prisão, não é diferente. Lá está a diretora Mama Morton (Queen Latifah, de O Colecionador de Ossos), que cobra até por pensamentos!

ChicagoChicago também mostra que todos podem ter seus 15 minutos de fama e serem imediatamente esquecidos, bastando um escândalo ou crime maior.

O interessante é que a primeira versão da peça foi produzida em 1926, pela repórter Maurine Watkins, que se inspirou num caso real, e continua extremamente atual. Não há reparos a fazer nesse sentido. Além do teatro, Chicago já teve duas adaptações para o cinema, um filme mudo com o mesmo título em 1927 e como Roxie Hart, protagonizado por Ginger Rogers, em 1942. O roteiro é ótimo, os diálogos e as músicas prendem a atenção. A ironia se faz presente no uso de apenas mulheres como criminosas, todas assassinando maridos ou amantes.

O trio de protagonistas se sai bem, cantando e dançando, com destaque para Zeta-Jones que, não só têm a aparência de uma mulher dos anos 20, mas domina a tela quando entra em cena. Renée está mais com uma cara anos 50, lembrando Marilyn Monroe em algumas cenas. E Gere também está convincente.Chicago Há cenas brilhantes, como a de uma entrevista coletiva, em que os jornalistas se transformam em marionetes nas mãos do advogado Billy. John C. Reilly (de As Horas), adivinhe que papel ele faz? Bingo, é marido, outra vez. Agora, o traído de Roxie. Cabe ele a um dos mais agradáveis número musicais da produção, o de Mr. Cellophane.

O coreógrafo Rob Marshall (de O Poder Vai Dançar) se sai bem em sua estréia como diretor. Uma das maiores dificuldades das produções do gênero é a inserção das músicas sem chatear aqueles que não apreciam musicais. Não há nada mais terrível que, de repente, o personagem sair cantando e saltitando pela tela. Em Chicago, isso foi resolvido transformando os números em sonhos de Roxie e a colocação do número musical num palco mesmo. Funciona bem.

ChicagoIndicaçõesChicago conseguiu o feito de ter duas atrizes indicadas para o Oscar de melhor coadjuvante: Zeta-Jones e Queen Latifah. Ambas estão ótimas, mas é preciso reconhecer que a sra. Michael Douglas está muito melhor que sua parceira Renée, que concorre como atriz principal. Mas quem disse que o Oscar é justo? O diretor que está no páreo vai enfrentar nada menos que Martin Scorcese, Stephen Daldry, Roman Polanski e Pedro Almodovar. Vai ser difícil.

ChicagoJohn C. Reilly disputa como coadjuvante, mas será uma batalha vencer Chris Cooper e Christopher Walken que estão magníficos, principalmente porque interpretam pessoas comuns. Ed Harris, que é excelente, tem a ajuda da composição física por fazer um aidético, e Paul Newman, embora seja sempre brilhante, faz o trivial em Estrada para Perdição, mas tem a seu favor o fator idade. Se o Oscar não for adiado, em razão do conflito Estados Unidos e Iraque, no próximo dia 23 poderemos conferir.

Chicago

Nota:

Links Sugeridos:
Chicago
Trailer (formato: quicktime)


FICHA TÉCNICA:
Chicago (Chicago, Estados Unidos/Canadá, 2002)
Direção: Rob Marshall
Roteiro: Bill Condon
Elenco: Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Richard Gere, Queen Latifah, John C. Reilly, Lucy Liu, Taye Diggs, Christine Baranski, Chita Rivera, Dominic West e Colm Feore.
Gênero: musical
Duração: 114 minutos

 


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