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Ironia e atualidade fazem Chicago deslumbrante
Por Beth Andalaft (07/03/2003)
Chicago (Chicago), o badalado musical baseado no espetáculo premiado de John Kander, Fred Ebb e Bob Fosse que ocupou os
palcos da Broadway a partir de 1975, enfim chega às telas do
cinema brasileiro. Com 13 indicações ao Oscar (filme,
diretor, atriz, ator e atriz coadjuvantes, fotografia,
direção de arte, figurino, edição, canção, efeitos sonoros e
roteiro original), vencedor de três Globos de Ouro (filme, ator e atriz) é uma das principais apostas ao prêmio da Academia de Artes de Hollywood. Mas têm fortes concorrentes
em O Pianista e As Horas.
É um bom filme, que agrada não apenas aos fãs do gênero, pois
conta também uma interessante história. A ação se passa na
Chicago do final dos anos 20, quando ninguém era inocente.
Duas mulheres – Roxie (Renée Zellweger, de O Diário de
Bridget Jones) e Catherine Zeta-Jones (de Traffic e
Queridinhos da América) – estão no centro da trama. A
primeira sonha com a fama e mata o amante que havia prometido
leva-la aos palcos. A segunda, já famosa, mata o marido e a
irmã, ao descobrir que eles eram amantes.
Atualidade – As duas se conhecem na prisão e passam a
disputar a atenção da mídia e do advogado Billy Flynn
(Richard Gere, de Infidelidade). Para ele, pouco importa se o
cliente é culpado ou inocente, desde que tenha dinheiro
suficiente para pagar seus honorários. Na prisão, não é
diferente. Lá está a diretora Mama Morton (Queen Latifah, de
O Colecionador de Ossos), que cobra até por pensamentos!
Chicago também mostra que todos podem ter seus 15 minutos de
fama e serem imediatamente esquecidos, bastando um escândalo
ou crime maior.
O interessante é que a primeira versão da peça foi produzida
em 1926, pela repórter Maurine Watkins, que se inspirou num
caso real, e continua extremamente atual. Não há reparos a
fazer nesse sentido. Além do teatro, Chicago já teve duas
adaptações para o cinema, um filme mudo com o mesmo título em
1927 e como Roxie Hart, protagonizado por Ginger Rogers, em
1942. O roteiro é ótimo, os diálogos e as músicas prendem a
atenção. A ironia se faz presente no uso de apenas mulheres
como criminosas, todas assassinando maridos ou amantes.
O trio de protagonistas se sai bem, cantando e dançando, com
destaque para Zeta-Jones que, não só têm a aparência de uma
mulher dos anos 20, mas domina a tela quando entra em cena.
Renée está mais com uma cara anos 50, lembrando Marilyn
Monroe em algumas cenas. E Gere também está convincente. Há
cenas brilhantes, como a de uma entrevista coletiva, em que
os jornalistas se transformam em marionetes nas mãos do
advogado Billy. John C. Reilly (de As Horas), adivinhe que papel ele faz? Bingo, é marido, outra vez. Agora, o traído de Roxie. Cabe ele a um dos mais agradáveis número musicais da produção, o de Mr. Cellophane.
O coreógrafo Rob Marshall (de O Poder Vai Dançar) se sai bem
em sua estréia como diretor. Uma das maiores dificuldades das
produções do gênero é a inserção das músicas sem chatear
aqueles que não apreciam musicais. Não há nada mais terrível
que, de repente, o personagem sair cantando e saltitando pela
tela. Em Chicago, isso foi resolvido transformando os números
em sonhos de Roxie e a colocação do número musical num palco
mesmo. Funciona bem.
Indicações – Chicago conseguiu o feito de ter duas atrizes
indicadas para o Oscar de melhor coadjuvante: Zeta-Jones e
Queen Latifah. Ambas estão ótimas, mas é preciso reconhecer
que a sra. Michael Douglas está muito melhor que sua parceira
Renée, que concorre como atriz principal. Mas quem disse que
o Oscar é justo? O diretor que está no páreo vai enfrentar
nada menos que Martin Scorcese, Stephen Daldry, Roman
Polanski e Pedro Almodovar. Vai ser difícil.
John C. Reilly disputa como coadjuvante, mas será uma batalha
vencer Chris Cooper e Christopher Walken que estão
magníficos, principalmente porque interpretam pessoas comuns.
Ed Harris, que é excelente, tem a ajuda da composição física
por fazer um aidético, e Paul Newman, embora seja sempre
brilhante, faz o trivial em Estrada para Perdição, mas tem a
seu favor o fator idade. Se o Oscar não for adiado, em razão
do conflito Estados Unidos e Iraque, no próximo dia 23
poderemos conferir.

Nota:    
Links Sugeridos:
Chicago
Trailer (formato: quicktime)
FICHA TÉCNICA:
Chicago (Chicago, Estados Unidos/Canadá, 2002)
Direção: Rob Marshall
Roteiro: Bill Condon
Elenco: Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Richard Gere,
Queen Latifah, John C. Reilly, Lucy Liu, Taye Diggs,
Christine Baranski, Chita Rivera, Dominic West e Colm Feore.
Gênero: musical
Duração: 114 minutos
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