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Sofrimento é o elo entre as mulheres em As Horas
Por Beth Andalaft (07/03/2003)
As Horas (The Hours) é um dos filmes mais comentados da
temporada e também um dos mais indicados ao Oscar – concorre
em nove categorias, ficando atrás apenas de Chicago (13
indicações) e Gangues de Nova York (10). As Horas já ganhou o
Globo de Ouro nas categorias melhor drama e melhor atriz
drama (Nicole Kidman). Nicole, que também ganhou o Bafta, o
Oscar inglês, de melhor atriz, é que fez de As Horas o filme da temporada. Ao interpretar a escritora inglesa Virginia
Woolf, a atriz enfeou-se usando uma prótese no nariz,
atraindo o interesse das pessoas. Mas seria injustiça
reconhecer o filme apenas por esse detalhe.
Baseado no livro homônimo de Michael Cunningham, que usou A
Senhora Dalloway, romance de Virginia Woolf como inspiração,
As Horas conta a entrelaçada história de vida de três
mulheres. Apesar de viverem em épocas diferentes: início da
década de 20, anos 50 e 2001, Virginia (Nicole), Laura
(Julianne Moore, de Hannibal) e Clarissa (Meryl Streep, de
Adaptação) têm uma forte ligação. Aparentemente, ela se dá por meio do livro A Senhora Dalloway. Atormentada por sua loucura, vivendo isolada no subúrbio, Virginia começa a escrever seu livro.
Laura, nos anos 20, casada, mãe de um garoto e à espera de
outro filho, lê apaixonadamente o romance de Virginia. Em
2001, Clarissa cuida do amigo Richard (Ed Harris, de Pollack,
e indicado ao Oscar de coadjuvante por esse papel), que está
morrendo de Aids, e é por ele considerada a senhora Dalloway
moderna. As Horas é um filme denso, triste, que aborda a
sensação de inadequação à vida que acomete muitas pessoas. As
três mulheres sofrem muito, em diferentes graus, mas sentem
de forma idêntica.
Fortes presenças – O diretor Stephen Daldry (do belíssimo
Billy Elliot) foi muito feliz na direção e além do trio feminino que encabeça o elenco, contou com outras fortes presenças. Tony Collette (de O Sexto Sentido e Um Grande Garoto) está brilhante em uma pequena participação como Kitty, uma vizinha de Laura, surgindo totalmente diferente de todos os papéis que já fez. O incansável John C. Reilly (pode ser visto em Gangues de Nova York e em breve, em Chicago) faz o marido (mais um!) de Laura. Miranda Richardson interpreta Vanessa Bell, irmã de Virginia.
Há ainda Jeff Daniels, conhecido por seus papéis em comédia,
mudando o tom da interpretação ao fazer o ex-namorado de
Richard, o poeta que está morrendo de Aids. Não há nenhum
senão no elenco. O único reparo é sobre a própria história.
Uma questão de gosto de pessoal. Artistas, escritores e
jornalistas são mostrados no cinema como pessoas diferentes,
sempre atormentadas. Não lhes é permitido aceitar a vida, nem
ser positivo em momento algum. É preciso estar sempre em
depressão! Parece que são capazes de produzir apenas movidos
a dor.

Nota:    
Links Sugeridos:
As Horas
Trailer (formato: quicktime)
FICHA TÉCNICA:
As Horas (The Hours, Estados Unidos, 2001)
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: David Hare
Elenco: Nicole Kidman, Julianne Moore, Meryl Streep, Ed
Harris, Tony Collette, Claire Danes, Jeff Daniels, Stephen
Dillane, Allison Janney, John C. Reilly, Miranda Richardson,
Eileen Atkins, Linda Bassett e Jack Rovello.
Gênero: drama
Duração: 116 minutos
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