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Última atualização: 21/11/09       

Reviews
 

Madame Satã: a força do personagem e o talento do ator

Por Beth Andalaft (132/11/2002)

Cena de Madame SatãMais uma produção nacional que merece todos os aplausos – Madame Satã– ocupa as telas do cinema. Narra um período da vida de uma das mais polêmica figuras da boêmia carioca, o transformista João Francisco dos Santos (1900/1976), conhecido como Madame Satã. Primeiro longa-metragem do diretor Karïm Aïnouz, é um magnífico trabalho cinematográfico. O único senão é contar apenas um pedaço da vida de Satã, que renderia muito mais, deixando ao final um desejo de quero mais no espectador.

Malandro, capoeirista, cozinheiro, presidiário, pai adotivo, homossexual, analfabeto e negro, Madame Satã vivia na Lapa, Rio de Janeiro, nos anos 30, onde sonhava ser artista. Como camareiro da decadente cantora Vitória dos Anjos (Renata Sorrah), no cabaré Lux, João Francisco sabia de cor todas as canções e sentia-se pronto para ocupar seu lugar no palco. Em sua estréia como protagonista, o ator Lázaro Ramos domina o filme de ponta a ponta. Ele é perfeito e consegue transmitir todas as nuances da controvertida personalidade de Satã, o mais macho dos homossexuais de que se tem noticia.

Cena de Madame SatãRaiva e indignação – A produção centra-se no cotidiano domiciliar do personagem, na sua revolta e indignação contra os preconceitos que o cercavam. Ele se envolvia em problemas porque era dominado pela raiva, quando considerava injustiça o que faziam com ele ou com seus amigos. É essa raiva que o faz agredir o dono do bordel, vivido por Floriano Peixoto, e pegar o dinheiro que lhe era devido. Mas, sem seguida, é preso por roubo. E dizia "eu apenas peguei o que era devido à minha pessoa". Ele referia-se a si mesmo como "a minha pessoa".

Cena de Madame SatãQuando, enfim, ele convence Amador (Emiliano Queiroz) a deixá- lo fazer um espetáculo no bar Danúbio Azul e tudo parece correr bem, surge o preconceituoso José (Ricardo Blat) que o insulta. João Francisco volta mais tarde e o mata. Por esse assassinato, cumpre 10 anos de prisão. Quando sai, cria para si o personagem Madame Satã, desfila numa escola de samba, nascendo o mito. A produção mostra ainda o lado doméstico de João, que toma para si a responsabilidade de cuidar da prostituta Laurita (Marcélia Cartaxo), da filha dela e do homossexual Tabu (o também estreante Flávio Bauraqui).

Cena de Madame SatãMadame Satã passou 27 dos seus 76 anos de vida na prisão. Foi uma das mais mitológicas figuras da boêmia carioca. O apelido que criou para si mesmo foi tirado de um filme de Cecil B. De Mille, de 1930, pelo qual João Francisco se apaixonou. Quando saiu da cadeia, no carnaval de 1942, ganha um concurso de fantasias justamente com a personagem que criara – Madame Satã. É exatamente nesse ponto ponto que se encerra o filme de Karïm Aïnouz.

Cena de Madame Satã

Nota:

Links Sugeridos:
Madame Satã
Trailer (para assinantes do UOL)
Trailer (no site Globo.com)


FICHA TÉCNICA:
Madame Satã (Brasil, 2002)
Direção: Karïm Aïnouz
Roteiro: Karïm Aïnouz
Elenco: Lázaro Ramos, Marcélia Cartaxo, Flávio Bauraqui, Fellipe Marques, Renata Sorrah, Ricardo Blat, Floriano Peixoto e Emiliano Queiroz.
Gênero: drama
Duração: 105 minutos

 


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