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Matrix Reloaded
Por Sérgio Codespoti (17/05/2003)
Em 1999 The Matrix chegou aos cinemas com o mesmo impacto (metaforicamente falando) de uma bomba nuclear. Era tudo novo e impressionante. Foram muitos os fatores que levaram a isso, e entre eles estão: a abordagem moderna, disfarçada de cinema de ação, para apresentar questões filosóficas bem interessantes; e um avanço na tecnologia de efeitos especiais, que permitiu a criação de cenas que revolucionariam os filmes da virada do milênio.
A longa espera pela seqüência de Matrix está preste a acabar. Matrix Reloaded é a primeira parte de um filme, que continua em novembro (intitulado Matrix Revolutions), e chega nos cinemas brasileiros no dia 22 de maio, um dia antes do previsto.
Aqueles que esperam uma nova revolução, tão impactante quanto a do primeiro filme, irão de certa forma se decepcionar. Simplesmente porque a tecnologia evoluiu, é ficou menos visível aos nossos olhos. Os truques são tão reais que você não sabe se está assistindo a uma cena que foi realmente filmada, ou criada digitalmente.
Matrix Reloaded se inicia alguns meses depois de The Matrix, e tem duas referências claras a dois dos episódios de Animatrix (O DVD deve chegar às lojas em 10 de junho). A primeira delas conduz o filme e se refere aos eventos do Último vôo de Osíris. É sobre a ameaça do exército de sentinela que se prepara para invadir Zion, pois as máquinas descobriram a localização do último refúgio humano e estão cavando.
A segunda é mais sutil. Existe um personagem novo, chamado apenas de garoto, que é o mesmo personagem visto no episódio Era Uma Vez Um Garoto.
Mas vamos ao que realmente interessa. Matrix Reloaded é um filme impressionante e complicado. Neo, interpretado por Keanu Reeves, evoluiu. Possui sonhos proféticos e poderes similares aos do super-homem. Mas não foi só ele que evoluiu. Os agentes fizeram upgrades e até mesmo o agente Smith, retorna, agora de certa forma livre, e capaz de se multiplicar.
Como se o ataque eminente de 250.000 sentinelas, e mais os agentes e Smith, ainda não fosse o bastante, o filme introduz diversos novos personagens. É e aqui que tudo se complica, ou melhor, fica interessante.
Reloaded foge do caminho mais óbvio, que seria ter se transformado numa franquia do cinema de ação e efeitos especiais, para abraçar com mais apego, as idéias que estavam sugeridas no primeiro filme.
O que é a realidade? O que é o controle? Qual controle você tem sobre as suas escolhas? Causa e efeito. Todas estas questões se ampliam e se multiplicam. Existem metáforas dentro de metáforas. Muita gente vai sair do cinema sem entender um bocado de coisas.
O filme tem momentos de informação excessiva, e não podemos esquecer que ele é apenas a primeira parte, e que muitas das situações e personagens introduzidos aqui só farão sentido após o término de Matrix Revolutions.
Mesmo assim Reloaded é impressionante. Têm cenas de tirar o fôlego, como a briga entre Neo e 100 cópias de Smith; e a seqüência de perseguição na rodovia, que é fantástica.
Existem muitos personagens novos, como Niobe (Jada Pinkett-Smith), ex-namorada de Morpheus, que comanda uma das naves de Zion; Seraph (o ator e lutador Collin Chou), que neste episódio tem um papel menor, mas que deve crescer em Revolutions; Persephone (Monica Bellucci) e Merovingian (Lambert Wilson), que são responsáveis por alguns dos melhores momentos do filme, e cuja importância na narrativa é apenas sugerida, levantando especulações do que pode ocorrer no outro filme.
Trinity (Carrie Ann-Moss) e Morpheus (Laurence Fishborne) não se tornaram meros coadjuvantes, e pelo contrário, continuam vitais à série. Ambos são o grande destaque na seqüência da rodovia.
Mas não é a pirotecnia dos efeitos nem os novos personagens que mais agradam no filme, e sim a possibilidade de termos sido enganados. De que estamos errados sobre o que é realidade ou sonho. Os irmãos Wachowski, os diretores do filme, dão muitas pistas, criam mais dúvidas e ainda respondem a diversas perguntas, mas tais respostas simpelsmente criam novas perguntas.
Como espetáculo de cinema, Reloaded têm alguns defeitos. A narrativa tem ritmo inconstante alternando entre o frenético e o estático. Sendo que em determinados momentos existem muitas explicações, o que resulta num excesso de informações difícil de assimilar.
Matrix Reloaded deve agradar tanto a quem procura um bom filme de ação como aqueles que procuram algo mais inteligente, basta não esperar um filme tão revolucionário como o primeiro.
Assim como na trilogia do Senhor dos Anéis, estamos fadados a aguardar até o final do ano, para saber se os autores vão conseguir manter o pique e entregar uma boa resolução para tudo que foi apresentado até agora. E se Reloaded servir de referência do que vem por aí, a resposta mais provável é que eles irão nos surpreender.

Nota:     
Links Sugeridos:
Matrix Reloaded
FICHA TÉCNICA:
Matrix Reloaded (Matrix Reloaded, EUA, 2003)
Direção: Andy e Larry Wachowski
Roteiro: Andy e Larry Wachowski
Elenco: Keanu Reeves, Carrie Ann-Moss, Laurence Fishbourne, Hugo Weaving, Jada Pinkett-Smith, Monica Bellucci, Lambert Wilson, Helmut Bakaitis, Gloria Foster, Nona Gaye, Randall Duk Kim, Harry Lennix, Harold Perrineau, Adrian e Neil Rayment, Anthony Wong e Anthony Zerbe.
Gênero: aventura/ficção
Duração: 138 minutos
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