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Harry Potter resgata emoções infantis
por Beth Andalaft (23/11/2001)
Enfim, os "trouxas" brasileiros podem lotar as salas de cinema. Uma semana depois de entrar em 3.267 salas de cinema dos Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha, Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Philosopher's Stone) chegou a 450 salas no Brasil. Em apenas três dias de exibição nos EUA, o filme arrecadou US$ 93,5 milhões dos "trouxas" americanos. Um recorde de bilheteria que quase cobriu metade de seus custos de produção (US$ 125 milhões, mais US$ 40 milhões em publicidade).
Em tempo, antes que qualquer espectador se ofenda, esclareça-se: "trouxa" é a denominação que a autora J.K. Rowling dá aos mortais comuns, que não possuem poderes mágicos. Ansiosamente aguardado, já que foram vendidas mais de 100 milhões de cópias da série de livros com o mago Harry Potter, o filme não decepciona. Os leitores de Rowling vão encontrar quase tudo que a autora coloca nos livros, por isso a produção é longa - 152 minutos.
Mas, afinal, o que tem essa série para agradar tanto? O maior mérito de Rowling é resgatar o universo mágico dos contos de fadas, das fábulas, enfim, da boa e velha literatura infantil. Ela colocou tudo num caldeirão e reescreveu. Numa época em que proliferam histórias muito próximas da realidade, com violência e tecnologia, nada melhor que uma varinha mágica para resgatar emoções.
Convocação - Porém, quem já leu o bom Monteiro Lobato, sabe o que é inovação em literatura infantil. Ainda hoje, o criador de Emília, Narizinho, Pedrinho e Rabicó é insuperável. Atenção, é ler os livros e não assistir à nova versão da Rede Globo! Mas, como santo de casa não faz milagres, vamos a Harry Potter. Muito bem produzido, atento a detalhes de figurinos e cenários, o filme é bom e agrada. Quem não leu o livro vai entender a história, porque o roteiro preocupou-se em apresentar o personagem e, em seguida, concretizar a aventura. Há, porém, uma "barriga" entre as duas partes, quando a produção fica um pouco arrastada.
Harry Potter (Daniel Radcliffe, de O Alfaiate do Panamá) é um garoto que vive mal acomodado embaixo da escada, na casa dos tios, porque os pais morreram. Quando completa 11 anos é convocado pela Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, pois é um mago e deve desenvolver seus dons. Embora os tios tentem impedir de todas as formas que ele receba a carta, o que propicia cenas ótimas de chuvas de cartas, o gigante Hagrid (Robbie Coltrane, de Uma Carta de Amor) vai buscar o menino. Antes de embarcar, Potter vai às compras e percorre uma espécie de "25 de Março" (uma rua em São Paulo onde pode se comprar de tudo por preços mais baratos) da magia, onde encontra todo o "material escolar": varinha mágica, sapos, corujas...
Trama tradicional - Já no caminho para Hogwarts, Potter fica amigos dos seus futuros colegas de classe Harmione (a estreante Emma Watson) e Weasley (o também estreante Rupert Grint). O filme permite o uso de inúmeros efeitos especiais, como escadas que deslocam, bolas voadoras no jogo de quadribol (o esporte praticado na escola), chapéus falantes, peças de jogo de xadrez que se movimentam, enfim, tudo que seduz a garotada.
O diretor Chris Columbus (Esqueceram de Mim 1 e 2) e o roteirista Steve Kloves (Garotos Incríveis) foram extremamente fiéis ao livro. A aventura do trio de aprendizes de bruxos, Harmione, Weasley e Potter, para evitar que um "bruxo do mal" se aposse da pedra filosofal, segue a cartilha das tramas tradicionais. A autora escolhe um personagem para personificar o vilão, vai dando pistas para incriminá-lo e, no fim, o verdadeiro culpado é outro, totalmente insuspeito. Mas a ação, os efeitos e o elenco poderoso prendem a atenção do espectador, principalmente da garotada. Porém, Harry Potter é indicado para crianças acima de 8 anos de idade, que já têm capacidade de entendimento e paciência para ficar sentada mais de duas horas no cinema.
O elenco conta com nomes de peso: John Cleese (da série Monty Phyton, é Nick Quase sem Cabeça), o veterano Richard Harris (de Gladiador, é o professor Dumbledore, que diz ter aceitado o convite para fazer o filme atendendo a pedidos de sua neta de 11 anos de idade), Ian Hart (de Liam, interpreta o professor Quirrell), a magnífica Maggie Smith (de Chá com Mussolini) é a professora McGonagall, John Hurt (de Capitão Corelli, faz Olivaras, o dono da loja de material para bruxaria), Alan Rickman (de Dogma) vive o professor Snape e Zöe Wanamaker (atriz de teatro e televisão) representa madame Hooch, a professora da aula de
vassoura.
Nota:    
Links Sugeridos:
Harry Potter e a Pedra Filosofal - Site Oficial - Inglês
Harry Potter e a Pedra Filosofal - Site Oficial - Português
Trailer (Formato Quicktime)
FICHA TÉCNICA:
Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Philosopher's Stone, EUA, 2001)
Direção: Chris Columbus
Roteiro: Steve Kloves
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Tom Felton, Harry Melling, David Bradley, John Cleese, Robbie Coltrane, Warwick Davis, Richard Griffiths, Richard Harris, Ian Hart, John Hurt, Alan Rickman, Fiona Shaw, Maggie Smith, Julie Walters e Zoë Wanamaker.
Gênero: aventura
Duração: 152 minutos
Estúdio: Warner Bros.
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