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Hulk estréia nos cinemas com um filme que entretém
Por Samir Naliato
(27/06/2003)
Ele
é um pacato cientista que sofreu um acidente com raios gama e, ao ficar
nervoso, se transforma num gigante esmeralda forte e monstruoso. Todos
conhecem essa história, e foi assim que Stan Lee e Jack Kirby criaram
o personagem para os quadrinhos, no início da década de 1960.
Mas as coincidências param por aí. Após 40 anos de sua criação, Hulk chega
revisado aos cinemas pelas mãos do diretor Ang Lee (O Tigre e o Dragão).
É bom os antigos fãs do personagem saberem que a produção não segue a
origem dos quadrinhos. Por isso, não espere fidelidade. Certamente, muitas
mudanças serão notadas.
A história - A película começa com David Banner trabalhando numa
pesquisa envolvendo DNA para o exército americano. Os freqüentes fracassos
impedem uma autorização para utilizar seres humanos como cobaias, e ele
resolve testar em si mesmo. Nesta mesma época, sua esposa revela estar
grávida, e o cientista descobre que seu DNA alterado foi passado para
o filho do casal, Bruce Banner.
David
Banner tenta encontrar uma cura, mas é demitido quando o exército encontra
amostras de sangue humano nas suas experiências. Sem esperanças de salvar
o filho, ele explode o laboratório e vai para casa, onde uma grande tragédia
marcará para sempre a vida do pequeno Bruce.
Anos mais tarde, o Dr. Krenzler (sobrenome que Bruce ganha de seu pai
adotivo) e Betty Ross trabalham juntos num projeto que envolve radiação
gama, até acontecer um acidente na sala de testes.
A
partir daí, a trama se desenvolve rapidamente. O monstro que desperta
toda vez que Banner fica nervoso passa a ser perseguido pelo exército,
que quer estudá-lo e usar suas habilidades - como força e rápido poder
de cura (exatamente como o Wolverine, dos X-Men) - em soldados americanos.
Para contar a história, Ang Lee adotou uma narrativa interessante. Em
várias cenas, a tela se divide em até quatro quadros com diversas cenas
ou ângulos diferentes da mesma tomada, remetendo à idéia da mídia original
do personagem e levando os quadrinhos para a tela. É uma boa novidade,
mas em alguns momentos usada excessivamente.
Os
créditos finais também são inspirados na arte seqüencial, e os atores
estão bem nos papéis que lhe foram incumbidos, principalmente Nick Nolte,
como um verdadeiro cientista maluco.
Hulk gerado por computador - Independente do roteiro, atores ou
de um diretor competente, o sucesso do filme dependeria principalmente
de uma coisa: do trabalho da ILM - Industrial Light & Magic
para criar um Hulk gerado 100% digitalmente.
Os
primeiros trailers divulgados pelo estúdio Universal não
agradaram, e deixaram todos preocupados quanto ao resultado final. O Hulk
tinha aparência e movimentos demasiadamente artificiais, o que provocou
reclamações.
Talvez até mesmo por estar esperando algo ruim, quem tem essa expectativa
pessimista acabará se surpreendendo com a versão final do monstro. A equipe
envolvida nos efeitos especiais, liderada por Dennis Muren, fez um bom
trabalho. Aliás, a expressão "gigante esmeralda" foi levada a sério, e
o Hulk tem mais de três metros de altura.
Por
outro lado, o termo "Hulk" é pronunciado apenas uma vez, pelo próprio
Bruce Banner, e não aparece nas legendas, onde foi substituído por "gigante".
Uma adaptação que, convenhamos, tirou muito do charme do momento. Hulk
é usado em inglês para descrever alguém ou algo maciço, pesado, uma pessoa
grande e corpulenta. Também é utilizado para se referir a um casco de
navio desmantelado.
Mudanças que podem não agradar os fãs à parte, a trama é bem amarrada
dentro de sua proposta nos quase 140 minutos de projeção. Não chega a
se igualar aos melhores filmes da recente leva de heróis que chegaram
às telonas, mas é um bom entretenimento.
Nota:   
Links Sugeridos:
The Hulk
FICHA TÉCNICA:
Hulk (The Hulk, Estados Unidos, 2003)
Direção: Ang Lee
Roteiro: David Hayter, James Schamus, Michael France, John Turman, Michael Tolkin
Elenco: Eric Bana, Jennifer Connelly, Nick Nolte, Sam Elliott, Josh Lucas
Gênero: ação/drama
Duração: 138 minutos
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