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Crítico de cinema Celso Sabadin monta espaço cultural

Aulas de cinema, literatura, teatro e vários outros assuntos serão ministrados no local, que fica na Vila Mariana, em São Paulo

Por Marcelo Cypriano (26/08/2003)


Planeta Tela Espaço CulturalSão Paulo conta com mais um ponto de encontro para cinéfilos: o Planeta Tela Espaço Cultural (Rua Humberto I, no. 981 - Vila Mariana - Tel: 0XX-11-5081-5810, 5908-0045 e 5081-6249).

Nele, o paulistano tem acesso a cursos dos mais variados, com temática cinematográfica ou não. Aulas de cinema, literatura, teatro e vários outros assuntos serão ministrados no local, situado numa área já consagrada culturalmente: o bairro Vila Mariana, onde também se situam referências culturais como o Sesc e a Cinemateca.

O Planeta Tela nasceu de uma idéia antiga do crítico de cinema e jornalista Celso Sabadin, bem conhecido do público brasileiro por seus trabalhos na Rede Bandeirantes (programa Dia-Dia) e no Canal 21, no qual apresentava o extinto Tela 21, aos sábados.

Atualmente, é comentarista da rádio CBN. Na verdade, a empresa já existe desde 1979, quando foi criada como agência de publicidade e tinha outro nome. Anos depois, Celso deixou a paixão pela sétima arte falar mais alto, deixando a propaganda para trás e fornecendo conteúdo para qualquer veículo que se dispusesse a falar sobre cinema, passando a ter trabalhos em diversos veículos do ramo, dentre TV, rádio, internet e mídia impressa. Também publicou os livros Vocês ainda não ouviram nada - A barulhenta história do cinema mudo e Primeiro Anuário Brasileiro de Cinema.

O jornalista sempre se destacou entre os colegas por ser mais acessível ao público, fazendo disso e do respeito pela preferência do espectador sua marca registrada. Na TV, por exemplo, a impressão que ele passa não é a de um apresentador hermético, artificial e distante, fazendo parte de outro mundo. Também não é daqueles cuja simpatia só funciona com as câmeras ligadas e são intragáveis no trato pessoal.

Planeta Tela Espaço CulturalO Celso "alto astral" da TV e do rádio é o mesmo em casa, no escritório ou na rua. Em seus programas, parece estar sentado na sala com o espectador, mais batendo um papo do que seguindo um roteiro cheio de formalidades. Se grande parte do público ainda nutre certo preconceito pelos críticos, isso não inclui quem acompanha Sabadin nos diversos veículos em que mostrou seu trabalho. Não é exagero dizer que fez escola. Felizmente.

Mesmo o país tendo passado por inúmeras crises e planos econômicos naufragados, Sabadin nunca deixou de trabalhar com filmes, fosse como crítico ou como assessor de imprensa de distribuidoras de cinema e vídeo. Mas seus objetivos não ficavam só nisso. Sentia a necessidade de ir além das críticas e comentários, de um contato ainda mais direto entre o cinema e o espectador - para quem todo filme é feito, afinal de contas...

Passou a ministrar cursos livres de cinema em projetos de terceiros, mas ainda pretendia algo mais. Finalmente, amadureceu a idéia com Carolina Bressane, sua esposa, que deixou o antigo trabalho em uma grande rede de lojas e encampou o projeto com o marido após o nascimento do filho do casal, Téo.

A determinação de Carol foi o estopim para que a Planeta Tela Comunicações tivesse sua mais nova ramificação, o Planeta Tela Espaço Cultural. Aberto ao público em geral, o espaço pode agora estreitar a relação dos filmes com o espectador, fazendo com que este entenda mais a sétima arte, sendo mais que simples platéia e, ainda assim, se divertindo acima de tudo. Já são ministrados cursos de cinema, literatura e teatro, mas a gama de assuntos tende a crescer, segundo Sabadin.

Em entrevista cedida ao UHQ, Celso falou do sonho que agora se realiza:

Universo HQ: Quais as finalidades do Planeta Tela Espaço Cultural?

Celso Sabadin: Bom, faz muito tempo que sinto bastante a necessidade de conversar sobre os filmes, depois de uma sessão. Hoje em dia, do jeito que vida está corrida, as pessoas vão ao cinema, comem rapidinho uma pizza e voltam para casa.

Não existe mais o "conversar" sobre o filme, trocar idéias, tentar enxergar novas leituras que o diretor possa ter imaginado etc. Comecei a perceber que muita gente também sentia esta necessidade.

Foi assim que a idéia do Espaço Cultural foi nascendo. Comecei a imaginar um local tipo um grande cineclube, com aulas, palestras, um lugar onde as pessoas pudessem se reunir e falar sobre cinema, conhecer outras pessoas, etc.

A idéia estava amadurecendo há muitos anos na minha cabeça e, finalmente, decidi colocá-la em prática. Principalmente depois que minha esposa, Carolina, decidiu jogar pro alto o antigo emprego dela para embarcar comigo neste sonho que agora virou realidade.

Foi ela, inclusive, que teve a idéia de abrir o horizonte do Espaço Cultural, que hoje dá aulas de várias artes, e não somente cinema.

UHQ: Você já ministrou cursos abertos de cinema esporadicamente, em espaços ou projetos de terceiros. O que o levou a criar seu próprio espaço, com seus projetos?

Sabadin: Basicamente, a falta de continuidade que sentia nos demais espaços. Sempre que eu montava uma turma, os alunos adoravam o curso e pediam outro. Pediam especializações diferentes e aprofundadas. Mas como o local não era meu, nem sempre havia datas e locais disponíveis; e a turma se dispersava. Agora, com o espaço próprio, tenho a mobilidade e a disponibilidade necessárias para montar várias turmas, de vários cursos, com diferentes assuntos.

UHQ: O que fez você achar que esta era a hora certa? Estamos numa época em que as pessoas têm medo de empreender...

Sabadin: Quando montei minha própria empresa de comunicações, em 1979, todo mundo me dizia que era época de crise. Eu, moleque irresponsável, encarei assim mesmo. Deu super certo.

Desde 1979 trabalho por conta própria, na minha empresa, prestando os mais variados serviços na área de comunicações. Nem todo mundo sabe, mas também sou publicitário e atuo nesta área.

Bom, de lá pra cá, passei por todos os planos econômicos que você possa imaginar, e vivo ouvindo que o Brasil está em crise. Mas discordo. O Brasil não está em crise. O Brasil é a própria crise. Este país está em crise desde 1500 e sempre será assim.

Então, ou você assume isso e passa a trabalhar dentro de uma realidade de crise crônica, ou muda de país, ou faz o que a maioria das pessoas faz: senta e fica reclamando. Eu arregacei as mangas e fui à luta. Funcionou. Nunca pedi dinheiro emprestado, nem tenho "pai...trocinador". Parece incrível, mas trabalhar funciona, sim.


UHQ: O Planeta Tela sempre teve como foco o cinema em geral. Por que, agora, os cursos relativos a outras áreas?

Sabadin: Pois é, foi uma idéia da Carolina. Ela argumentou - com razão - que um Espaço Cultural pode muito bem abrir novas frentes, sem desvirtuar seu objetivo básico. Vídeo, fotografia, literatura, artes plásticas, no fundo no fundo tudo isso faz parte do cinema também. E é uma maneira de trazer pra cá alunos com vários tipos de orientação cultural, tornando o ambiente mais rico e as aulas mais dinâmicas.

UHQ: Além da agência de notícias, da assessoria de imprensa e dos cursos, o que mais vem por aí com a "marca" Planeta Tela?

Sabadin: Bom, a antiga idéia de se criar uma agência de notícias especializada em cinema ainda está somente no papel. No momento, estamos dando ênfase total à Assessoria de Imprensa e ao Espaço Cultural. Vamos solidificar estas duas ramificações.

Para o futuro... ainda não sei, mas sempre serão atividades ligadas á cultura e ao jornalismo, que são minhas paixões. Quero muito fazer um programa de TV e um de rádio, chamados Planeta Tela. Alô, alô, patrocinadores!


UHQ: Quem trabalha ou já trabalhou no Planeta conhece bem o alto astral da empresa, o clima de família, de camaradagem, de bom humor. Isso se resume aos "bastidores" ou se estenderá aos freqüentadores?

Sabadin: É impossível que este clima não se estenda aos freqüentadores. Faz parte do nosso jeito de ser. Para mim, este tipo de trabalho é uma alegria muito grande, e faço questão de trabalhar feliz.

Se um dia acordo de cara amarrada, mal-humorado, é melhor nem ir trabalhar. Melhor mesmo é me enfiar num cinema e ver um filme bem ruim, só pra dar aquele alívio legal depois que o filme acaba...


Para mais informações sobre os cursos do Planeta Tela Espaço Cultural, ligue para os telefones 0XX-11-5081-5810, 5908-0045 e 5081-6249) ou envie um e-mail.


Marcelo Cypriano já trabalho com Celso Sabadin, e pode dizer, com absoluta certeza, o quanto ele é gente boa!

 

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