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Última atualização: 17/05/08       

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Trilhas recheadas de magia, literalmente!

por Maria Fernanda Bezerra de Menezes (12/12/2001)

O Senhor dos AnéisNão se fala em outra coisa: Harry Potter e O Senhor dos Anéis.

Pensei num comparativo das duas trilhas, que, afinal, têm em comum a natureza dos filmes em questão: a fantasia, a imaginação absolutamente fértil de seus autores, Rowling e Tolkien. Para as trilhas destes filmes foram escalados, respectivamente, John Williams (sobre quem já falamos na Tracker número 1 e Howard Shore.

Em Harry Potter, Williams realmente não apresentou novidades, mas a qualidade de suas orquestrações vai além das críticas. O mundo das crianças de Hogwarts é embalado por cirandas bretãs, coros adultos e acordes que lembram Esqueceram de Mim (principalmente as melodias natalinas), também tendo muito dos arranjos de Star Wars I - A Ameaça Fantasma e de O Enigma da Pirâmide (lembra desse?).

Elijah Wood como FrodoTalvez as crianças de hoje tenham uma melhor impressão do "moço que fez a música do Harry" quando, em 2002, a Universal relançar em versão digital de E.T. - O Extraterrestre, comemorando 20 anos de uma das obras mais importantes de todos os tempos. Indico a faixa 2 do CD - Harry Wondrous World - esplendorosa e carregada de magia, pela qual percebe-se que Williams não anda tão entediado assim.

Enquanto abria a embalagem plástica dos CDs (coisa que eu adoro), pensei sobre como seria bom se a música fosse tão surpreendente quanto as histórias que ela embala, e nisso entra a questão que, hoje em dia, infelizmente, transcende o "compor para a arte": compor para o público.

Explico: analisando friamente, é claro que este é o objetivo do filme - a diversão dos espectadores. Mas, por motivos comerciais, às vezes os princípios da arte são deixados de lado para satisfazer as vendas e, pelo menos no meu caso (e no de muita gente com quem conversei recentemente), pergunto: o que a Enya está fazendo na trilha de O Senhor dos Anéis?

LegolasPerdoem-me os fãs de Enya (eu adoro ouvi-la quando quero dorm... ops, meditar), mas ouça a faixa May it Be, carro-chefe do CD. É igual a tudo que a cantora já fez: andamento lento-quase-parando, e aqueles vocalizes com delay (efeito de eco)... Imagino que ela ilustre o amor entre Aragorn e Arwen, ou Frodo desejando voltar para Hobbiton.

Se a gravadora não tivesse imposto que fosse uma composição dela, e sim uma interpretação para um tema de Howard Shore, talvez o resultado fosse melhor. Ufa, pronto, falei!

HobbitonMas, chega de lamúrias! O Senhor dos Anéis é uma obra das mais complexas. O diretor Peter Jackson não vacilou, e quando todos achavam que o escolhido para a trilha seria James Horne, Jackson anunciou o nome de Howard Shore, conhecido por compor trilhas intimistas e cheias de entrelinhas. Alguns de seus créditos são Alta Fidelidade, Seven, O Silêncio dos Inocentes, Dogma, A Cela, Philadelphia, Ed Wood, O Cliente, entre outros.

Além disso, durante cinco anos, Shore foi condutor da orquestra do programa Saturday Night Live. Uma curiosidade é que ele também compôs a trilha de The Score, que por aqui recebeu o título de A Última Cartada. A tradução de score é "contagem" ou "placar", mas também "orquestrar, colocar música em...".

O Senhor dos AnéisUma das melhores características do compositor é ser eclético e versátil, mas seu know-how vem das trilhas para thrillers e suspenses, que são, via de regra, musicalmente diferentes dos demais gêneros e é exatamente este fator que fez a escolha de Shore para O Senhor dos Anéis ser tão feliz.

No CD, pode-se perceber alguns elementos que permeiam a maioria das músicas: orquestra e coral em performance concentradíssima e condizente com a importância desta obra. Tudo é especialmente lírico e rico em informação, fruto da intensa pesquisa étnica feita pela equipe para as caracterizações dos povos que habitam a Terra-Média.

Ao invés de explorar o ataque musical, a música de ação utiliza uma combinação de vozes em tons dramáticos e sombrios, enchendo os ouvidos ao mesmo tempo com apreensão, seriedade e mágica, imprescindíveis no universo de Tolkien. As passagens com os intensos corais góticos, dominadas por cantores masculinos, são genuinamente assustadoras e, ao mesmo tempo, religiosas.

O Senhor dos Anéis - A Irmandade do AnelHá momentos mais lights, como na faixa Concerning Hobbits, enquanto a faixa-tema passeia por momentos mais suaves, através da agradável sessão de cordas, e outros mais tensos, com uma característica: o pouco uso do tímpano e da percussão em si.

As madeiras (oboé, fagote, clarinete e clarone) são utilizadas para diferenciar as culturas ao longo da trilha: Hobbits, Elfos, Anões, Orcs, Uruk-Hais, Homens, Magos e Espectros do Anel.

O melhor do CD está na faixa The Breaking of the Fellowship, sete minutos de uma aula de dinâmica musical. O vocal solo do menino nesta faixa, assim como a perfeição do casamento voz + orquestra durante todo o CD acende novamente a reflexão: o que a Enya está fazendo na trilha de O Senhor dos Anéis?

Quem tiver uma resposta plausível, mande-a para o link abaixo e publicarei na próxima coluna.

Até mais!

Maria Fernanda Bezerra de Menezes gostaria de perguntar à Gandalf, o que a Enya está fazendo na trilha de O Senhor dos Anéis?

TRACKER 02

 


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