O talento e a versatilidade de Mike Manley

Por Equipe UHQ
Data: 1 dezembro, 2001
Mike Manley, auto-retrato
Auto-retrato de Mike Manley

Mike ManleyNascido em Detroit, Michigan, Mike Manley é dono de um estilo bastante expressivo. Extremamente versátil, desenha em qualquer traço, desde cartoon e animated até super-heróis. Ele também é um arte-finalista dinâmico, capaz de produzir narrações fortes. Todas essas qualidades fizeram dele um artista de grande demanda para alguns dos principais títulos de editoras como Marvel, DC e Dark Horse.

Trabalhando em animação, como designer de cenários e fazendo storyboards, em sua casa, na Filadélfia, Mike fez parte da equipe de artistas vencedora do Emmy Award, que produziu os desenhos de sucesso do Super-Homem, Batman e Batman Beyond.

Mike Manley já desenhou o Batman, para a DCEle trabalhou em Spy Groove para a MTV, Spawn para a HBO e One Saturday Morning para o canal ABC; além de Clerks, baseado no premiado filme de Kevin Smith. No passado, também foi artista regular do Batman durante o arco de histórias Knightquest (Nota do UHQ: a saga em que Azrael, ainda usando o manto do Batman, começa a perder o controle). Atualmente, produz as capas da revista Superman Adventures.

Em 1995, Mike criou a Action Planet Inc., para publicar suas próprias revistas e idéias. Na antologia Action Planet Comics, é apresentado seu personagem Monsterman. O artista está na Internet desde 1996 com o seu site Action Planet.com Action Planet.com, que engloba sua premiada série de web comics (quadrinhos na Internet) G.I.R.L. Patrol.

Action Planet ComicsConfira abaixo a entrevista que ele concedeu ao Universo HQ, em parceria com o site Super-Homem.com.

Universo HQ: Como foi o seu primeiro contato com os quadrinhos?

Mike Manley: Ah, eu lia quadrinhos desde criança. Meu pai os comprava para mim e me dizia das revistas e personagens que ele lia quando também era pequeno, como Capitão Meia-Noite, Spirit etc. Isso me fascinava.

UHQ: Pode contar mais sobre o seu começo na indústria de quadrinhos?

Manley: Eu comecei na metade da década de 1980, em revistas como Roboteck, da DC. Então, fui para a Marvel e fiz algumas coisas como Transformers. Fiz muita propaganda e diversos livros de atividades para crianças para a Western Books. He-man, Centurions e até mesmo Barbie. Então, em 1986/87, comecei a trabalhar regularmente para a Marvel, como arte-finalista em títulos como Tropa Alfa; e desenhando Quasar. Estava fazendo muitos trabalhos, pulando por todos os lados.

UHQ: Além de Superman Adventures e seus próprios quadrinhos na Action Planet Comics, em que está trabalhando no momento?

MonstermanManley: Estou editando uma nova revista “how-to” (nota do UHQ: como fazer), chamada Draw!, que é publicada pelo pessoal da Twomorrows. Eles já publicaram Kirby Collector e The Comic Book Artist.

A revista demonstra, passo a passo, toda a produção dos quadrinhos, desde desenhar, arte-finalizar, colorir, layout e técnicas de computador até animação. Pode conferir clicando aqui.

Tudo feito pelos melhores artistas do ramo, como Jerry Ordway, Dave Gibbons, Bret Blevins, Paul Rivoche etc. O objetivo é cobrir tudo, não só super-heróis. A primeira edição já saiu, e a segunda chega em outubro. Também estou fazendo uma tira em quadrinhos semanal para a net, chamada The Adventures of Dr. Direct, The Adventures of Dr. Direct para uma agência de anúncios local, numa companhia industrial chamada Brooks Instruments. É com um estilo mais caricato, o que eu adoro fazer. Terá 26 episódios.

Estou arte-finalizando uma graphic novel chamada Doll and Creature, escrita pelo Rick Remender e desenhada pelo meu amigo John Heebink. É uma aventura gótica-urbana que se passa no futuro. Existe um preview no ar. Estamos negociando com uma editora, e espero que o título saia até o próximo verão (nota do UHQ: nos Estados Unidos, o verão se inicia no mês de Junho).

Monsterman, na Action Planet ComicsTambém estou trabalhando em uma série chamada Autum, com Dan Brereton, que deve sair no próximo ano. Ele está escrevendo e eu desenhando. Será em um estilo mais realístico e dark, como não faço já há algum tempo.

Além disso, planejo um especial do Monsterman, com meu amigo Chris Bailey. Ele fará o seu personagem, Major Damage, de um lado, e eu farei o Monsterman, no outro. Uma espécie de revista dupla. E espero finalmente juntar o resto da série ainda não publicada do Monsterman pela Image em uma graphic novel, no ano que vem. Isso está atrasado há algum tempo.

E ainda sou freelancer de storyboard em lugares como o Cartoon Network e Disney. Eu escrevi alguns episódios do novo desenho Samurai Jack.

UHQ: O que você conhece sobre a indústria de quadrinhos do Brasil e os artistas brasileiros?

Batman Beyond, por Mike ManleyManley: Pouca coisa. Tenho certeza de que existem grandes artistas com quem não estou familiarizado. Tenho algumas antigas coleções brasileiras, revistas do tipo Heavy Metal, do início da década de 1990. Sei que há alguns estúdios do Brasil que produzem quadrinhos para os Estados Unidos, e de artistas como Mike Deodato e, é claro, Aluir Amancio, que tem feito um grande trabalho em Superman Adventures.

Ele é incrível. Mudou um pouco seu estilo, e agora parece ter se misturado um pouco com o do (Bruce) Timm. Acho uma vergonha a revista estar acabando, porque ele tem feito seu melhor trabalho.

UHQ: Você tem algum interesse em publicar a Action Planet Comics no Brasil?

Manley: Acho que a resposta para essa pergunta depende do acordo ou da oferta que teria.

UHQ: Como surgiu a idéia de personagens incríveis e esquisitos como Monsterman e G.I.R.L. Patrol?

G.I.R.L. PatrolManley: Hmm. Eles surgiram enquanto eu rabiscava algumas coisas, de idéias que eu tinha sobre temas que eu gostava, como quadrinhos, animação e ficção científica; e que eu gostava de desenhar. Monsterman é uma espécie de amálgama de influências e coisas que gostava na minha infância. Quadrinhos do Jack Kirby, o programa de televisão The Munsters, desenhos animados da Hanna Barbera, como Space Ghost, Herculóides e Frankenstein Jr.

Cena de G.I.R.L. PatrolJá G.I.R.L. Patrol apenas aconteceu. Um dia, desenhei uma falsa capa, e criei tudo a partir de lá. A idéia era fazer algo no estilo ação, mas com mulheres ao invés de homens. Um conceito bastante simples. Tenho sido ruim nas atualizações da tira, a qual já fiz o plot até o fim da primeira história, talvez 20-26 páginas. Eu espero tê-las prontas e colocadas no ar em pouco tempo.

UHQ: Quais são suas maiores influências, e por quê? Quais são seus artistas favoritos?

Manley: Bem, na verdade, a lista pode durar páginas. Ela inclui ilustração, quadrinhos, cartoon e toda boa arte. Uma pequena lista teria (Jack) Kirby, (John) Buscema, (Wallace) Wood, (Joe) Sinnott, Frank Robbins, John Romita, Moebius, Joe Kubert, Chuck Jones, Hank Ketcham, Alex Raymond, Al Williamson, Jordi Bernet, Bob Oskner, Conrad, (Alex) Toth e ilustradores americanos clássicos como (Dean) Cornwell, N.C. Wyeth.

UHQ: É possível ver que seu traço é bem “Kirbyano”. Você gosta muito da arte de Jack “O Rei” Kirby?

Etrigan, o demônio, no traço de Mike ManleyManley: Como não gostar dela? É como dizer que eu não gosto dos fundamentos do desenho. Kirby nos deu, basicamente, a “língua moderna” para os quadrinhos modernos. Ele reinventou a roda para os quadrinhos de super-heróis. Para ação, mitologia, técnica de narrativa. Sua influência é muito grande na cultura do entretenimento. De Star Wars até Matrix, você pode ver seu legado. Sou muito influenciado por ele e em alguns trabalhos, como Monsterman, você pode ver isso mais claramente. Ele é meu desenhista favorito.

UHQ: Como você prefere produzir as revistas? Da maneira da Marvel, onde algumas imagens são feitas antes mesmo de serem escritas, ou da maneira da DC? Por quê?

Manley: Depende do projeto e com quem estou trabalhando. Às vezes, eu prefiro o script inteiro, principalmente no caso da tira na Internet que estou fazendo no momento, Dr. Direct. Informações bastante específicas precisam estar em cada tira para descrever o que o cliente está vendendo. E como o formato de tiras é mais restrito, ao contrário das revistas, então preciso de todo o script para montá-las.

Mas em outros tipos de histórias, como Monster Hunters, que eu fiz para a Marvel, eu gosto de fazer o argumento pelo método da Marvel, para que possa criar meu ritmo. Eu penso que esse método funciona melhor para quadrinhos de ação. O artista pode trabalhar no seu próprio ritmo.

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