Os planos da Pixel para Vertigo, Wildstorm e ABC

Por Sidney Gusman
Data: 3 fevereiro, 2007

Numa entrevista ao Universo HQ, o diretor André Forastieri e os editores Odair Braz Júnior e Cassius Medauar revelam que títulos continuam de onde estão, quais recomeçam e que seus materiais não serão lançados apenas em gibiterias e livrarias

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Pixel MediaHá poucos meses, a Pixel Media esteve muito perto de se tornar a editora dos super-heróis da DC Comics no Brasil, mas a negociação sofreu uma reviravolta e a Panini Comics continuou com os direitos.

No dia 1º de fevereiro, a editora confirmou que assinou contrato para a publicação dos títulos da Vertigo, WildStorm e ABC, linhas que eram seu objetivo inicial quando começou a negociação com a DC.

André ForastieriO diretor da Pixel André Forastieri e os editores Odair Braz Júnior e Cassius Medauar concederam uma entrevista ao UHQ para contar quais os planos da editora. E entre as perguntas havia várias feitas por leitores – mais de 100 enviaram suas questões, em pouco mais de duas horas (nosso muito obrigado a todos).

Confira, portanto, como ficam os rumos de Vertigo, WildStorm e ABC no Brasil, a partir de abril – data do primeiro lançamento. E será uma revista vendida em bancas!

Universo HQ: A editora focará seu trabalho apenas na publicação de álbuns?

André Forastieri: Não. A Pixel já publica Spawn e alguns álbuns nas bancas e agora, mais ainda, nossa intenção é lançar mais coisas. E continuar aumentando os lançamentos de livrarias também.

Odair Braz JúniorUHQ: Depois da decepção com a reviravolta na negociação dos títulos da DC, publicar Vertigo, WildStorm e ABC soa como “prêmio de consolação”?

Forastieri: Olha, resumidamente, a história foi assim: em maio do ano passado, da Comic Con de San Diego, fizemos uma propostas para a DC Comics, para publicar Vertigo, WildStorm e ABC, que eram produtos mais dentro do nosso foco, ou seja, títulos adultos voltados para livrarias. Este era nosso plano.

Então, numa reunião, a DC nos convidou pra fazer uma proposta para tudo: o que já queríamos, mais a linha de super-heróis. Estávamos eu e o (Odair Braz) Júnior. Foi uma surpresa. Ficamos, literalmente, uma hora dizendo “não, isso não é pra gente”; “a Pixel é uma editora que está começando”…

Cassius MedauarOdair: Que ia continuar com a Panini

Forastieri: A editora, na época, tinha cinco meses de existência e, na nossa cabeça, encarávamos isso como uma coisa gigantesca. Mas eles insistiram bastante e, após os sócios da Pixel (a editora é uma parceria entre a Futuro e a Ediouro) conversarem e fizemos uma proposta. E durante um tempo, parecia que a gente tinha levado.

Mas, de fato, no final da história, não levamos. E, francamente, deu a lógica, pois a Panini, hoje, é a rainha das bancas no que se diz respeito a quadrinhos. Tem Turma da Mônica, super-heróis Marvel e DC, Top Cow, vários mangás e materiais europeus.

O que não quer dizer que outras editoras não possam lançar coisas boas em bancas. Mas o nosso foco sempre foi mais para gibiterias, livrarias e venda pela internet. Mais para o leitor colecionador do que o casual de bancas.

Então, é assim: a gente gostaria de publicar Batman? Lógico. Homem-Aranha também. Mas, no final, o resultado (da negociação) foi revertido e estamos extremamente felizes de publicar nossos quadrinhos favoritos. Por isso, esperamos levar outros “prêmios de consolação” como este.

Tom StrongUHQ: Vocês disseram que vão para as bancas, onde a concorrência da Panini, que tem dezenas de títulos mensalmente, será enorme…

Forastieri: Nosso contrato é de licenciado master, o que significa que podemos lançar qualquer coisa que quisermos, do catálogo atual ou futuro, de Vertigo, WildStorm e ABC, tanto em bancas como em livrarias, no Brasil e em Portugal.

UHQ: Há leitores querendo saber se a Pixel lançará seus títulos em Portugal…

Forastieri: Sim, estaremos em Portugal.

Odair: Além disso, estamos indo para a (distribuidora) Dinap.

Forastieri: Isso é uma coisa importante. Nós somos a favor da concorrência. Então, como Fernando Chinaglia distribui as revistas da Panini, que é a principal editora de quadrinhos do Brasil, decidimos pela Dinap, que tem um histórico muito interessante em bancas, que é o Território HQ, feito pela Conrad.

Além disso, a proposta foi muito boa para a Pixel. E nós achamos que teremos uma distribuição mais adequada para este tipo de títulos.

UHQ: É fato que títulos dessas linhas nunca foram campeões de vendas em bancas. Como sobreviver nesse segmento, então?

Forastieri: O plano da Pixel é trabalhar muito com os leitores em pesquisas, comunidades na internet, encontros ao vivo. Não queremos ser donos da verdade. Não sabemos tudo. Por isso, queremos ouvir os fãs para construir essa grade.

PreacherNós já temos uma grade básica de publicação para os primeiros seis meses, em bancas e livrarias. Mas o que vai entrar depois disso, e em que momento, nem nós sabemos ainda. Por exemplo: todo mundo aqui é fã de Preacher, que já foi publicado no Brasil de várias maneiras. E qual é a melhor?

Então, francamente, achamos que devemos ouvir os fãs de Preacher. Não é que vamos sempre fazer o que eles pedirem, pois temos necessidades econômicas, limites de produção etc., mas tentaremos atender seus anseios o máximo possível.

Pra ter noção do nível de maluquice que estamos, discutimos bastante tempo se não devemos lançar uma edição especial só com as histórias de Preacher inéditas no Brasil. O final da saga, numa tiragem limitadíssima.

UHQ: Isso foi descartado?

Forastieri: Não, não foi. Nós vamos perguntar pros fãs. Há mil leitores que comprariam uma edição com essa tiragem? Se tiver, de repente, a gente faz.

Cassius: E continuamos lançando os outros álbuns depois.

Forastieri: Pros leitores que nunca leram Preacher na vida.

Por exemplo, tem coisas que sabemos que tinham tiragens de mil exemplares e tinham potencial para mais. Títulos como 100 Balas, que tem um apelo enorme com gente que não lê quadrinhos e até com quem acompanha super-heróis.

100 BalasOdair: Por isso, em breve colocaremos uma pesquisa no site Herói, em fóruns, no Orkut perguntando justamente coisas assim. “Os leitores querem que se lance 100 Balas do começo ou de onde a Opera Graphica parou?”

Forastieri: Nos primeiros seis meses, temos que seguir a programação que entregamos para a DC. Temos liberdade de mudar alguma coisa, mas não tudo. Agora, a partir do segundo semestre, quando já tivermos feito esse trabalho junto aos leitores, teremos várias respostas importantes.

Todo mundo acha linda uma edição de capa dura, com papel de luxo, mas se queremos atrair leitores novos para títulos como, por exemplo, 100 Balas, será que a melhor maneira de publicá-lo é a R$ 70,00, num álbum primoroso?

PlanetaryA gente acredita que não. Nós queremos, ao máximo possível, atender os fãs como nós, que compram produtos mais elaborados graficamente. Mas seria uma burrice, um elitismo idiota, descartar o potencial imenso de leitores mais jovens para esses materiais, que não têm nenhuma condição de pagar três, quatro álbuns por mês.

Mas 100 Balas, especificamente, é um título que, possivelmente, só mexeremos no segundo semestre, porque a história é absolutamente incompreensível para quem começar a ler no número 70. Leitores nos ajudem! (Risos)

Odair: E é uma história maravilhosa, que achamos que pouca gente acompanhou até agora.

Forastieri: Além disso, vale lembrar que não é só a Pixel que publica quadrinhos. Outras editoras também lançam álbuns bons e os leitores têm que comprar o que acham melhor.

UHQ: Qual será o primeiro lançamento da Pixel nessas linhas?

DMZ Forastieri: Será a Pixel Magazine, uma revista mensal, de 96 páginas, com o melhor de Vertigo e WildStorm, que sairá em abril. O mix detalhado divulgaremos mais pra frente, mas adianto que na edição de estréia tem Planetary e Hellblazer.

Cassius: Mais pra frente entra DMZ (série de Brian Wood), que é um material muito bom, e outras coisas bacanas.

Odair: E a distribuição, possivelmente, será nacional.

UHQ: E Planetary sai de que ponto?

Cassius: Continua de onde a Devir parou (foram publicados dois álbuns). Partiremos da edição 13.

Forastieri: Todos os títulos que vinham sendo lançados no Brasil, estamos discutindo muito para ver se dá pra continuar de onde parou ou não. No caso de Planetary, por acaso, a próxima história se passa no passado do Elijah Snow, que apresenta o personagem de maneira interessante.

Além disso, as edições trarão muitos textos explicativos e usaremos muito a internet para informar o que aconteceu até agora. E citando quem publicou.

Cassius: Se quer saber como foi a história, compre a edição tal, lançada pela editora tal.

Forastieri: Daqui a um ano podemos vir a publicar o primeiro álbum do Planetary? Sim, mas hoje ele está nas livrarias.

Preacher UHQ: Isso é importante explicar: vocês não podem publicar materiais que outras editoras lançaram no período de um ano, certo?

Forastieri: Isso. A partir de um ano da publicação por outra editora, nós podemos publicar, mas não quer dizer que vamos. Se chegarmos em grandes sites e livrarias e tiver o Planetary – O Quarto Homem pra vender, não tem sentido lançar.

Cassius: A menos que a revista mix esteja fazendo muito sucesso e os leitores estejam pedindo a publicação do material…

UHQ: E como ficará o padrão gráfico das edições? Especialmente de séries que já vinham sendo publicadas? Preacher, por exemplo, volta em álbum com o formato um pouco menor adotado pela Devir?

Forastieri: Cada caso é um caso. Preacher já tem três volumes publicados naquele formato. A lógica diz que devemos continuar, para não detonar a coleção do leitor. É odioso pegar algo no meio do caminho e mudar formato, preço etc.

Agora, algo que saiu um volume só, numa tiragem muito limitada, que pouca gente viu, como Y – O Último Homem, podemos começar de outra maneira.

Não podemos querer padronizar. Cada título deve ser analisado separadamente.

Y - O Último HomemUHQ: Vocês pensam em usar Y – O Último Homem na revista mensal?

Forastieri: Este é um dos casos mais complicados. É ridículo partir de onde parou e, por outro lado, recomeçarmos a série, em livro, com a edição da Opera à venda é inviável. E como não é um título para bancas, é difícil.

Mas é bom esclarecer que a idéia da Pixel Magazine é publicar coisas que vendem muito bem. É por isso que o John Constantine vai estar lá, porque é um personagem – como o Sandman – conhecido por muita gente que não lê quadrinhos, que viu o filme ou sabe da existência dele. A idéia é publicar na revista sempre com arte muito sofisticada – e Y – O Último Homem tem um desenho simples.

UHQ: A Pixel Magazine será impressa em que tipo de papel?

Forastieri: Estamos discutindo ainda. Nós queremos ter produtos com preços acessíveis. Não é porque é alternativo que precisa ser caro. Mas vamos deixar claro: quanto melhor o papel, mais alto o preço.

Odair: Nós teremos edições nas bancas em papéis Pisa Brite, LWC, couché, depende do produto.

Forastieri: Aliás, a própria DC faz isso. Cada produto tem sua lógica. Não dá pra fazer uma fôrma para tudo.

UHQ: Hellblazer tem uma cronologia muito bagunçada no Brasil. De onde vocês partirão?

Forastieri: É difícil, porque as duas melhores pontes de entrada que descobrimos têm 50 números de diferença entre elas. (Risos)

Como uma das nossas preocupações é apresentar bem o personagem, provavelmente devemos começar com umas histórias muito boas escritas pelo Paul Jenkins e desenhadas pelo Sean Philips.

Sandman - Teatro do MistérioUHQ: Isso já está definido?

Forastieri: Ainda não batemos o martelo, mas temos uns… três dias pra fazer isso. (Risos)

UHQ: A Pixel precisa cumprir uma meta de lançamentos?

Forastieri: Não. Nossa grade básica, que achamos boa, será de cinco revistas por mês em bancas. Uma mensal e as outras em forma de minisséries e especiais. O material da Vertigo e da WildStorm se presta muito bem para isso.

Cassius: Em geral, serão minisséries de duas, três partes, no máximo.

Forastieri: A idéia é fazer as minisséries com 96 paginas por edição, que feche um arco. Depois de seis meses, vamos encadernar.

UHQ: Mas vão praticar um preço mais barato?

Forastieri: Muito mais barato. Pô, o material já está impresso. Nossa meta – e não quero dizer que conseguiremos cumprir isso sempre – é ter esses encadernados com padrão gráfico decente, que não é superluxuoso, mas com capa cartonada e papel bom, 200 páginas ou mais, na faixa de R$ 25,00.

Além disso, teremos os álbuns, voltados diretamente para gibiterias e livrarias e, estes sim, com padrão gráfico superior.

UHQ: E qual será o primeiro livro da Pixel?

Forastieri: Nossa idéia é valorizar a origem da Vertigo. Por isso, nosso primeiro álbum será um encadernado com histórias (algumas já lançadas aqui) dos personagens que começaram o selo. Todas escritas pelo Neil Gaiman.

SandmanUma HQ do encontro dos Sandmen (o Mestre dos Sonhos e Wesley Dodds, o protagonista de Sandman – Teatro do Mistério), uma do Monstro do Pântano e outra do John Constantine. Num álbum de luxo, papel maravilhoso, capa dura, com extras contando como nasceu a Vertigo. O nome da edição não está definido ainda.

Aí, na Pixel Magazine # 1 terá uma história de seis páginas da Morte, escrita pelo Neil Gaiman e desenhada pelo Jeff Jones (publicada na Vertigo: Inverno, da Opera Graphica), que servirá como um link com o álbum.

Aliás, essa será uma preocupação constante da Pixel Magazine: trazer HQs que tenham ligação com uma minissérie ou livro que esteja sendo lançado naquele momento.

UHQ: Vocês têm intenção de anunciar um pacote de lançamentos?

Forastieri: Nossa idéia, como vamos começar em abril, é anunciar isso um pouco antes. Mas não a programação do ano inteiro, pois queremos envolver os leitores o máximo possível nesse processo de decisão, sempre levando em conta a viabilidade econômica do negócio.

UHQ: Como fica, especificamente, Sandman? A Conrad tem contrato para publicar os dez álbuns, mas e as reimpressões?

Sandman - Noites Sem FimForastieriSandman continua sendo publicado normalmente pela Conrad até o final. Os livros estão ótimos, um excelente trabalho que está vendendo muito bem. E me orgulho de ter participado desse momento (André Forastieri era um dos donos da Conrad quando a série começou a ser lançada).

Nós temos direito de publicar já os três primeiros volumes (Prelúdios e Noturnos, A Casa de Bonecas e Terra dos Sonhos), mais Sandman – Noites Sem Fim e Caçadores de Sonhos. E Stardust (escrita por Neil Gaiman) também. Mas não vamos lançar tão cedo.

Provavelmente, esperaremos mais um pouco e, no final do ano, publicaremos uma edição bacana da primeira saga de Sandman, recolorizada e com umas 40 páginas de extras sobre a criação da série. Pros fãs mesmo.

UHQ: A Pixel pode lançar Sandman ao mesmo tempo em que a Conrad estiver terminando a série?

Forastieri: Sem problema. Poderíamos lançar alguns já se quiséssemos.

UHQ: Então, a Conrad não pode republicar os primeiros álbuns que estejam esgotados?

StardustForastieri: Não.

UHQ: As séries oriundas de Sandman, como Lúcifer, Dreaming e outras têm chance?

Forastieri: Vamos esperar que a pessoas nos falem o que querem. Vai ter uma história legal do Sonhar, na Pixel Magazine.

UHQ: Sandman foi uma série capaz de atrair para as HQs, gente que não lia quadrinhos e até hoje acompanha tudo de Neil Gaiman – e, muitas vezes, só isso. Que outros títulos acha que possuem esse potencial?

Forastieri: O que o mercado norte-americano nos mostra que atraiu esse público de Sandman é Fábulas. Já 100 Balas pega um cara diferente, que não lê super-herói, que curte balada, mas não tem saco mais pra ler o Homem Aranha do mês. O mesmo vale pro Planetary.

Essas linhas tem essa abertura diferente: pegam gente mais madura, universitários, profissionais e até o cara que tinha deixado de ler quadrinhos de super-heróis.

UHQ: Fábulas vocês já sabem como trabalharão?

ForastieriSim. A maioria das coisas que vamos lançar apenas no formato álbum, terá sempre algo em banca para apresentar o título para o público em geral. No caso de Fábulas, vamos publicar o especial O Último Castelo, de 48 páginas, desenhado pelo P. Craig Russel, dentro da Pixel Magazine # 4, acho, para que mais gente conheça um pouco da história.

Aí, no mês seguinte, Fábulas volta em formato álbum, de onde a Devir parou.

Por exemplo, estou lendo um livro lindo, chamado Fábulas – Mil e Uma Noites, uma história sensacional estrelada pela Branca de Neve, com desenhos do John Bolton, do Brian Bolland, Charles Vess e outras feras, que saiu nos Estados Unidos em 144 páginas, com capa dura e sobrecapa. Se eu lançar assim aqui, não vou vender nada, porque pouca gente conhece Fábulas.

Então, colocando Fábulas na revista mix ou em especiais de banca, criamos um conhecimento de que aquele material existe e aumentamos as chances de o título ir bem nas livrarias.

Isso vale para Preacher também. Quando formos continuar os álbuns de onde a Devir parou, lançaremos alguns especiais da série, como Cassidy e O Cavaleiro Altivo, de 80 ou 96 páginas, em bancas. E depois de seis, oito meses, encadernamos as edições num volume só.

UHQ: Ainda na linha Vertigo, Os Invisíveis será publicado?

Forastieri: É um dos meus gibis preferidos dos anos 90.

Cassius: Mas a gente ainda não sabe como lançar. Vamos publicar, mas não sabemos se em encadernado ou banca. É muito complicado.

Forastieri: Olha que situação maluca: os primeiros números de Invisíveis tiveram tiragem maior, depois esse número caiu e em seguida parou. Como trabalhar isso? Lançar uma tiragem, pequena do arco inicial? Continuar de onde pararam? Difícil, pois quem não leu os primeiros, não consegue entender, pois a série é mais complexa que 100 Balas. Daí a dúvida. Aguardamos opiniões dos fãs.

UHQ: Nessa linha há também Transmetropolitan

Cassius: É o mesmo caso. Ainda não sabemos como lançar. Teremos que pesquisar junto aos leitores.

Forastieri: Uma coisa que estamos avaliando é uma hipótese meio maluca. Alguns títulos são tão específicos que talvez seja o caso de fazer uma pré-venda. Chegar no mercado e dizer: “Estamos considerando a hipótese de publicar Transmetropolitan, em livro, formato assim ou assado. Quem quer comprar?”.

Ou podemos fazer isso direto com os pontos de vendas, com gibiterias e livrarias. Se elas se comprometerem a adquirir uma quantidade X, a gente faz.

UHQ: Patrulha do Destino, do Grant Morrison, pode pintar?

Forastieri: É tudo nosso.

UHQ: Materiais antigos como Monstro do Pântano, do Alan Moore, e Sandman – Teatro do Mistério podem ser relançados? Ou a prioridade será para materiais inéditos?

Forastieri: Veja, o material inédito é, certamente, prioridade. Nós vamos publicar algumas coisas como o Monstro do Pântano do Alan Moore? Lógico. Mas o que os fãs precisam entender, é que temos cinco anos para lançar esses títulos. Por mais que seja tentador soltar algo que acaba de sair nos Estados Unidos, nem sempre essa é a melhor coisa a fazer.

Odair: Esses clássicos terão sua hora, claro.

UHQ: Watchmen está no pacote?

Cassius: Não. Watchmen (que recentemente foi republicado pela Via Lettera) pertence ao catálogo da DC.

Forastieri: Mas V de Vingança é Vertigo. E este é um título que, daqui a cinco anos, as pessoas têm que achar isso numa prateleira de livraria. Precisa estar sempre à venda.

UHQ: O Universo WildStorm passou recentemente por uma “revolução”, cujo ponto de partida foi a minissérie do Capitão Átomo, super-herói da DC que ficou uns tempos nessa outra linha. Vocês lançarão essa obra como ponto de partida?

Forastieri: Não, porque tem materiais maravilhosos da WildStorm que foram pouco – ou nada – vistos por aqui, que merecem ser lançados antes.

Odair: Wild C.A.T.s, por exemplo, devemos voltar da fase 2.0 ou da escrita pelo Alan Moore.

Cassius: A própria DC nos orientou a não se apressar em relação aos materiais mais novos da WildStorm, pois os lançamentos estão demorando para sair lá. Esse material do Capitão Átomo, por ser recente, também vai esperar um pouco.

UHQ: Esses materiais da WildStorm sairão na Pixel Magazine?

Forastieri: Não. A revista mix é pra um cara que gosta de quadrinhos comprar e ser feliz. E que ele não precise seguir série nenhuma. Ao mesmo tempo, o leitor usual também vai curtir.

Cassius: Esses materiais devem sair em minisséries ou edições especiais.

Forastieri: Nossa idéia é fazer da Pixel Magazine, modestamente, uma espécie de Heavy Metal, com coisas que estarão sempre ali e outras histórias fechadas que não exigem nenhum conhecimento prévio sobre o personagem.

UHQ: E Authority?

Forastieri: Vai continuar de onde parou na Devir. Em bancas.

Cassius: É um das melhores coisas do pacote, pois os arcos são quase sempre de quatro partes. Então, faremos especiais de 96 páginas, que podemos encadernar depois juntando dois ou mais volumes.

Odair: E temos histórias curtas do Authority que vamos colocar na Pixel Magazine. Elas podem ser entendidas por gente que não lê a série e servirão para atrair a atenção dos leitores para o título.

UHQ: Astro City?

Forastieri: Somos muito fãs da série. Astro City sai de cara. Histórias legais também em bancas. A estréia é com material inédito.

Odair: Mas pretendemos relançar aquela primeira minissérie (saiu aqui pela Pandora Books), que deu origem ao título.

UHQ: Gen13?

Cassius: Provavelmente, sai alguma coisa ainda este ano, mas não sabemos ainda de onde partiremos.

UHQ: The Maxx, do Sam Kieth, tem uma fase na WildStorm. Alguma possibilidade?

Cassius: Creio que temos direito, mas ainda não analisamos. É muito material para ser avaliado.

UHQ: Ex Machina, série que já teve um especial lançado pela Panini, está nos planos?

Forastieri: Em maio, nas bancas. É nosso. Nós selecionamos para os primeiros meses personagens que já tenham sido publicados no Brasil, mas em histórias inéditas. Este merece ser publicado, é legal e vamos primeiro pra banca. Queremos que mais gente conheça títulos como Ex-Machina.

UHQ: Quem publicará as minisséries e especiais com crossovers entre personagens da Wildstorm e da DC Comics, como Authority/Batman ou Authority/Lobo?

Forastieri: Ninguém sabe. Em tese, o que foi publicado pelo selo WildStorm é nosso. O que saiu pela DC é da Panini. Então, a gente vai atravessar esse rio quando chegar nele.

UHQ: Liga Extraordinária, que saiu pelo selo ABC, é da Pixel?

Forastieri: Esse material requer uma negociação separada. Há alguns títulos cujo copyright não é da DC. Por exemplo: Thundercats e Robotech não são da DC, apesar de a WildStorm ter publicado. Liga Extraordinária tem um contrato bem complicado com o Alan Moore e, francamente, a Devir está fazendo um ótimo trabalho.

E o terceiro álbum da série, que sai este ano, League of Extraordinary Gentleman Dossier é uma edição graficamente muito complicada.

Odair: Parece que terá até um disco de vinil dentro pro leitor colocar pra ouvir.

Forastieri: A informação que temos da DC é que será uma coisa muito cara e complicada de publicar fora dos Estados Unidos. Acho que nem tentaremos buscar isso.

UHQ: Ainda em relação ao selo ABC, quais as chances de Promethea ou Tomorrow Stories?

Forastieri: Logo, logo. Promethea este ano ainda. Vamos ver como.

UHQ: Tom Strong voltará?

Forastieri: Vai voltar a partir de onde parou na Devir, mas não definimos o formato ainda.

Cassius: Já Top Ten, só o que ainda não saiu, que são especiais. Os dois álbuns já saíram pela Devir.

UHQ: Há possibilidade de saírem títulos da DC que, apesar de não serem Vertigo, são mais “alternativos”, como Hitman e Starman?

Forastieri: Não. Nós adoramos as duas séries e esperamos que a Panini lance encadernados das duas.

UHQ: Com essas linhas, a Pixel deixará de dar ênfase ao material mais alternativo e menos conhecido que vinha lançando?

OdairVertigo é alternativo por essência…

Forastieri: Vamos continuar publicando outros materiais, como Spawn e temos vários álbuns europeus programados. Os eróticos inclusive.

Lógico que nossa prioridade é colocar esse projeto novo para andar. Por isso, não vamos mais lançar coisas que, apesar de gostarmos muito, se assemelhem com os títulos da VertigoWildStorm e ABC. Nexus, por exemplo. Só se for alguma coisa bem diferente.

UHQ: Pingue-pongue agora. Graphic novels do Kyle Baker, como You are hereI die at midnightKing DavidWhy I hate Saturn?

Forastieri: Se depender de mim, publico Rei Davi amanhã, mas o leitor tem que entender o seguinte: no primeiro ano, temos que nos consolidar na banca e provar pro mercado livreiro que ele pode pegar mais mil ou dois mil exemplares, para abrir um espaço importante. Essa é a nossa missão.

Tem várias coisas que a gente adora, mas o potencial de vendas é muito pequeno. Então, esses títulos vamos lançar dependendo da demanda. Não posso colocar na grade algo que vai vender pouco. É difícil.

UHQ: Heavy Liquid, do Paul Pope?

Forastieri: Não sei.

UHQ: American Virgin, do Steven T. Seagle e Becky Cloonan?

Cassius: É um material ainda recente, vamos analisar mais pra frente.

UHQ: The Fountain, do Daren Aronofsky e Kent Williams?

Cassius: Por enquanto, não. É um álbum bem grande e sairia caro demais.

UHQ: Pride of Baghdad, do Brian K. Vaughan e Niko Henrichon?

Cassius: Esta programado para este ano ainda.

UHQ: A fase do American Splendor, do Harvey Pekar, na Vertigo?

Forastieri: Não sabemos. Temos que ver se podemos. Talvez os direitos pertençam ao Pekar.

UHQ: Fora dessas linhas, a Pixel pretende publicar algum clássico das HQs dos anos 40, 50 e 60?

Cassius: Temos algumas coisas sendo estudadas, mas nada fechado.

UHQ: Vocês publicarão os últimos dois números da série Arthur, lançados recentemente na França?

Odair: Não. Esse material era da Ediouro e não daremos continuidade.

UHQ: Um leitor pergunta se contratarão mais editores, tradutores e revisores para manter a qualidade editorial?

Forastieri: Quer ser tradutor? Não precisa nem mandar o currículo. Traduz um gibi bem difícil e manda pra gente. Se estiver bom, a gente contrata. (Risos)

UHQ: Com esse acréscimo de títulos, a Pixel terá alguma linha editorial?

Forastieri: Nosso negócio é lançar títulos que as pessoas gostem. Formar um belo catálogo. O que uma editora pode fazer de melhor é levar coisas legais para o máximo de pessoas.

E toda editora faz isso à sua maneira. A Devir tem um cuidado muito legal com a seleção material que publica, não só pelo trabalho do Mauro (Martinez dos Prazeres, publisher), do Douglas (Quinta Reis, diretor) e do próprio Leandro (Luigi Del Manto, editor), mas porque eles acreditam que merecem ser conhecidas por mais gente. A Conrad e a Opera também, mas cada uma no seu estilo. As escolhas partem sempre do gosto pessoal e, no nosso caso, não é diferente, pois antes de sermos editores, somos fãs.

UHQ: Os títulos nacionais ficarão de lado?

Forastieri: Não. Teremos alguns trabalhos brasileiros também.

Odair: O primeiro deles é um álbum do Zózimo, do (roteirista) Wander Antunes.

Forastieri: Olha, tudo que me mandam pra analisar, eu leio. O Odair e o Cassius idem. E quando vou numa gibiteria compro de tudo. Fanzine, revista independente, HQ nacional etc. Só que as pessoas querem ser publicadas, mas poucos mandam seus trabalhos pras editoras…

UHQ: Qual é o maior desafio para a publicação de quadrinhos no Brasil?

Forastieri: Acho que nosso desafio tem três pontos:

1) Produtos fortes. No nosso primeiro ano, tivemos alguns, mas não tínhamos uma linha forte, o que estávamos buscando. Acho creio que temos.

2) Bom custo gráfico, para garantir o produto com um preço decente. E a Ediouro, que a sócia da Pixel tem uma ótima gráfica. Podemos imprimir onde quisermos, mas se um sócio da empresa tem a maior gráfica do Rio de Janeiro, ajuda bastante para chegar a um custo bacana.

3) Boa distribuição. Estamos na Dinap, que fará um trabalho forte. E essa força será vista também em livrarias. Teremos uma equipe exclusiva para esse segmento e vamos usar a estrutura da Ediouro, que é líder de vendas em livros. Junto com isso, faremos uma ação mais ambiciosa de venda na internet. Ou seja, somando tudo isso, o cara só não compra se não quiser. Mas não porque não achou.

UHQ: Como você prevê a Pixel daqui a cinco anos, quando esse contrato estiver expirando? Diversificando os lançamentos, ou concentrando-os num determinado gênero? Expandindo as tiragens ou focando em nichos?

Forastieri: Eu a vejo nas livrarias. O que percebo é que não temos que oferecer um produto por um mês apenas, mas para sempre. Tem que haver catálogo, venda pela internet, na livraria. Precisa estar sempre disponível. Nosso objetivo é ter o mais importante catálogo do Brasil. As bancas suportam 30 até 45 dias; depois, acabou!

UHQ: Não acha contraditório dizer que quer levar seus títulos pra mais gente e dizer que, daqui a cinco anos, enxerga a Pixel nas livrarias?

Forastieri: Não, porque vai muito mais gente nas livrarias. Um livro que vende bem em determinado gênero alcança 20 mil exemplares, mas em um ano. O que é elitista pra caramba é ter um título na banca por um mês. Se você não tiver dinheiro pra comprar, ferrou.

O trabalho que fizemos na Conrad com os mangás, do qual todos aqui participaram, gerou muitos leitores. Agora, o pessoal vem dizer que as vendas de mangás estão ruins. Nada! O problema é que agora tem uns 30 títulos nas bancas. Hoje só existem eventos pelo Brasil todo, porque sete anos atrás lançamos PokémonCavaleiros do ZodíacoDragon Ball etc.

Eu continuo lendo super-heróis americanos. Compro pra saber o que está rolando. E se você pegar a lista de revistas mais vendidas do mês, verá que ela é muito diferente da de encadernados. Nesta segunda, aparecem vários títulos que vamos publicar. É uma linha premiada, com números (financeiros) legais e talvez seja a mais premiada do mundo.

Esse trabalho nas livrarias é de longo prazo, de educar o leitor que ali também se vende quadrinhos.

E é o seguinte: nada impede que a gente lance alguma em revista e descobrir depois que a lógica é livro. Ou vice-versa. Se publicarmos um título como livro e esgotar do dia pra noite, significa que ele tem uma demanda reprimida e temos que fazê-lo com uma tiragem maior e preço menor.

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