Um artista adjetivado por um V… de Valoroso

Por Sidney Gusman
Data: 14 agosto, 2003

Durante o 3º FIQ de Belo Horizonte, David Lloyd, o desenhista inglês de V de Vingança, concedeu uma entrevista exclusiva ao Universo HQ, na qual falou sobre sua carreira, contou quem ensinou Alan Moore a escrever quadrinhos, detonou os super-heróis e mangás e muito mais

Por Sidney Gusman, Sérgio Codespoti e Heitor Pitombo

David Lloyd
O britânico David Lloyd

Quando se fala em V de Vingança, a maioria dos leitores de quadrinhos logo lembra de seu roteirista, o genial inglês Alan Moore. No entanto, é impossível imaginar essa obra-prima da arte seqüencial sem os desenhos do também britânico David Lloyd.

Um dos convidados estrangeiros do 3º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, ele foi de uma simpatia ímpar com os fãs, sempre pronto a sacar do bolso os dois lápis que carregava, já prevendo a quantidade de autógrafos que daria.

TV Comic Annual, de 1967
TV Comic Annual, de 1967

E o Universo HQ não poderia deixar passar a oportunidade de entrevistar David Lloyd. Assim, numa das quentes tardes mineiras de setembro, sentamos à mesa, sob a providencial proteção de um guarda-sol, e conversamos por quase duas horas.

Lloyd, como bom inglês, esteve o tempo todo com uma lata de cerveja por perto (apesar de ter feito uma careta quando questionado sobre a qualidade da nossa “loira gelada”) e contou inúmeros detalhes de sua carreira, que começou com trabalhos como Halls of Horrors, TV Comic e Tales of Terror.

Além disso, falou sobre a importância da pesquisa visual em seu trabalho; revelou quem, na sua opinião, ensinou Alan Moore a escrever quadrinhos; conclamou os artistas brasileiros a se unirem para não deixar os mangás tomarem de vez o nosso mercado; e disse que o lugar dos super-heróis é na sarjeta.

Hammer's Halls of Horror
Hammer’s Halls of Horror

Apesar de assumir não gostar dos super-heróis, Lloyd tem intenção de trabalhar com um personagem deste universo, mas de uma forma bem diferente da que ele é retratado atualmente.

Aos 53 anos, David Lloyd mostra nesta entrevista que não tem papas na língua. E, traçando um paralelo com o principal trabalho de sua carreira, V de Vingança, você vai confirmar que, se ele encarnasse o personagem principal da obra, o significado do V poderia ser Verdadeiro, Vitorioso, Valoroso ou Valente.

Universo HQ: Qual sua formação?

David Lloyd: Eu nasci num subúrbio, de Londres. Era um garoto de classe operária. Sempre fui bom de desenho, amava desenho. Obviamente, quando somos pequenos, achamos que vamos crescer e fazer dinheiro com aquilo.

David Lloyd
David Lloyd

A minha geração de artistas é composta por fãs que cresceram. Eu, Dave Gibbons e outros crescemos adorando os quadrinhos, e queríamos ser artistas. Afinal, se você ama os quadrinhos, quer mais é desenhá-los.

Nossa geração foi muito diferente da que nos antecedeu, que era, em sua maioria, de ilustradores que voltaram da guerra e, como não conseguiam arranjar empregos, acabavam fazendo quadrinhos. Porque este era o trabalho mais fácil de se fazer. Eles não eram inspirados pelas técnicas das HQs.

Quando saí da escola, eu realmente queria ser um artista, mas não pensava em fazer quadrinhos especificamente. Pretendia cursar a escola de arte, mas não o fiz, porque, no final do período escolar, acabei perdendo o prazo de inscrição.

Na escola, nunca recebi muita informação sobre a carreira. Saí de lá sem ter o que fazer, e minha mãe me arranjou um emprego.

Tales of Terror
Tales of Terror

UHQ: E como fez, então?

Lloyd: Como cursei uma escola normal, quando saí entrei para um estúdio de arte comercial, como trainee. Era um daqueles que só fazem propaganda e anúncios, sabe?

Fiquei lá por dois anos e meio aprendendo o ofício e, depois de um tempo, decidi sair. Aí, comecei a desenhar quadrinhos por diversão.

UHQ: Você lembra o que desenhava naquela época?

Lloyd: Quando tinha 13 ou 14 anos, fiz uma tira que era um tributo à EC Comics, chamada Vampiros. Era sobre uma criatura que saía do túmulo. E isso foi engraçado. Meu professor de arte achou que era ótimo. Eram duas páginas apavorantes.

Ele falou: “David, coloque no corredor”, porque todos os bons trabalhos ficavam afixados lá. E eles colocaram lá. Depois, recebi uma ligação do diretor. Haviam tirado o trabalho, e eu não sabia o porquê do telefonema. Afinal, eu era um bom aluno.

Achei que estava encrencado. Eles me disseram que o diretor queria me ver, e eu fiquei me perguntando “o que aconteceu?”. Ele achou que o desenho era apavorante demais pra ficar no corredor, mesmo que a arte estivesse ótima. Por isso, o tiraram de lá.

Depois disso, ainda na adolescência, fiz uma adaptação de uma das histórias de Arthur C. Clark (o escritor de 2001, uma Odisséia no Espaço).

Wrath of the Gods, arte de Ron Embleton
Wrath of the Gods, arte de Ron Embleton

UHQ: Quais foram suas principais influências nos quadrinhos?

Lloyd: Tinha um artista inglês chamado Ron Embleton (Nota do UHQ: Ronald Sidney Embleton: 1930-1988), que fazia um história ótima, chamada Wrath of the Gods, para a revista Boy’s World, na qual havia um splash de página dupla colorida, que eu achava incrível.

Outro foi o inglês John Burns. Não é o John Byrne! Ele fazia uma tira de jornal, que eu achava ser material americano, mas descobri que o artista era inglês. Era muito bacana. Parecia o Rip Kirby (Nota do UHQ: batizado como Nick Holmes no Brasil), do Alex Raymond. Fiquei muito impressionado com aquilo.

Rip Kirby, conhecido no Brasil como Nick Holmes
Rip Kirby, batizado como Nick Holmes no Brasil

E havia também um artista chamado Tony Weare, que acabou fazendo algum trabalho em V de Vingança (Nota do UHQ: principalmente nos episódios Vincent e Valery). Ele desenhava um faroeste chamado Matt Marriott (Nota do UHQ: tira publicada no London Evening News), que era bem primitivo e evocava o espírito do Velho Oeste.

Na mesma época, em termos artísticos, havia ainda o Steve Ditko, no Homem-Aranha, e o material inicial do Quarteto Fantástico.

Minhas influências eram bem variadas. Além disso, não quero fazer uma enorme lista de pessoas, mas nas revistas da Warren, Creepy e Eerie, que eu também lia, tinha Alex Toth, Neal Adams, o próprio Steve Ditko, Angelo Torres, que fazia um trabalho fantástico, e Gray Morrow, que é americano. Eu me impressionava muito com aquilo.

Mas acho que minha maior influência foi Ron Embleton, mesmo. Eu adorava aquele material, e me dava muita vontade de desenhar.

Matt Marriott, tira de Tony Weare
Matt Marriott, tira de faroeste do artista inglês Tony Weare

UHQ: Apesar de não gostar muito de super-heróis, existe algum personagem que gostaria de desenhar? Você tem algum favorito?

Strange Tales #135
Strange Tales #135, com Nick Fury escrito por Stan Lee e desenhado por Jack Kirby

Vou lhe dizer: estou tentando convencer um editor da Marvel a me deixar fazer o Nick Fury como ele era nos primeiros números, tipo James Bond.

Não quando ele estava na guerra (Nota do UHQ: Sgt. Fury and his Howling Commandos), mas o Nick Fury: Agent of S.H.I.E.L.D. (Nota do UHQ: o desenhista se refere ao material do personagem que começou a ser publicado em 1965, na revista Strange Tales, de Stan Lee e Jack Kirby), quando os filmes de James Bond estavam no auge, nos anos 60.

E não me refiro ao material do Jim Steranko (Nota do UHQ: a revista Nick Fury: Agent of S.H.I.E.L.D., com arte de Steranko surgiu em 1968), mas antes dele. A Marvel queria fazer algo tipo 007, e transformou Nick Fury num espião.

Mas eu queria fazê-lo realista, na linha James Bond, mas duro. Acho que se eles fizessem isso, teriam uma grande “franquia”. Você sabe, tem o Pierce Brosnan. Os filmes de 007 sempre deram bilheteria. E esse é o único. Não tenho vontade de fazer material de super-herói.

UHQ: Você conhece a versão do Garth Ennis, na minissérie Fury, de 2001?

Lloyd: Sim, e não estou interessado nisso. Inclusive, ouvi dizer que George Clooney estava na fila para fazer o personagem no cinema.

David Hasselhoff como Nick Fury
David Hasselhoff como Nick Fury

UHQ: Existe um telefilme, com David Hasselhoff, o ator de S.O.S. Malibu (Baywatch no original).

Lloyd: Estavam pensando em produzir um novo filme, quem sabe com George Clooney, mas quando ele viu o que haviam feito recentemente, não quis participar.

A minha versão seria algo que interessaria a Clooney. Acho que, quando Garth (Ennis) pega um personagem, o leva ao extremo. Mas isso nem sempre faz muito bem ao personagem ou à editora.

Eu, pessoalmente, acho que poderia fazer um grande Nick Fury, mas pré-Steranko, algo como foi feito em meados nos anos 60.

UHQ: Você já trabalhou com Garth Ennis. Fale um pouco sobre essa fase.

Hellblazer #56
Hellblazer #56

Lloyd: Fiz alguns trabalhos com ele, como Hellblazer (Nota do UHQ: edição # 56). É um grande escritor. Uma excelente história fechada.

Muitos confundem com O Horrorista (The Horrorist), que fiz com Jamie Delano, outro roteirista fantástico. Ele não é muito apreciado atualmente, porque é muito político; e isso algumas pessoas não querem.

UHQ: Quando realmente começou sua carreira nos quadrinhos e qual foi seu primeiro trabalho?

Lloyd: Vamos lá. Na Inglaterra tínhamos anuais dos seriados americanos de televisão, como Os Gatões (Dukes of Hazzard), Duro na Queda (The Fall Guy), Esquadrão Classe A (The A-Team).

Logan's Run Annual
Logan’s Run Annual

Tinha um chamado Logan’s Run, inspirado no filme homônimo, que fui chamado para fazer o anual, em 1977, quando tinha 27 anos. Até hoje é um bom trabalho (Nota do UHQ: A Marvel Comics também publicou uma minissérie baseada no filme e, na década de 80, a Malibu Comics adaptou os livros da série).

UHQ: Quem publicou?

Lloyd: A Brown & Watson, que depois se tornou uma outra editora.

Night Raven Collected Stories
Night Raven Collected Stories

UHQ: Night Raven, escrito por Steve Parkhouse e publicado pela Marvel UK, foi um personagem importante em sua carreira. Fale um pouco sobre isso.

Lloyd: Sim, foi. O editor de Hulk Weekly era um cara chamado Dez Skinn, que depois ficou famoso na revista Warrior. Os quadrinhos surgiram porque o seriado, com Lou Ferrigno, estava sendo exibido na TV inglesa. E Dez convenceu a Marvel, de que era um bom negócio ter uma revista com o personagem.

Dez queria mais personagens, e não só o Hulk. Ele queria contratar artistas que conhecia, com quem já tinha trabalhado. Então, havia este personagem parecida com o Sombra.

Hulk Comic #1, revista inglesa que posteriormente passou a se chamar Hulk Weekly
Hulk Comic #1, revista inglesa que posteriormente passou a se chamar Hulk Weekly
Dez Skinn
Dez Skinn, o famoso editor da Warrior

Ele chamou Steve Parkhouse para escrever, e eu para desenhar. Para ser sincero, queria que ele fosse mais como um herói da Marvel ou como o Indiana Jones. Mas Steve e Dez pretendiam alguém mais misterioso, e lhe deram um casacão.

Mas o maior valor deste personagem para mim, é que, ao fazê-lo, eu podia usar novas técnicas artísticas, com muitas sombras.

Foi publicada em preto-e-branco, inclusive o Hulk. Naquela época, era bem barato, e a maioria dos quadrinhos era publicada na Inglaterra dessa forma.

Night Raven, House of Cards
Night Raven – House of Cards

A criação de Night Raven acabou me levando a V de Vingança. Quando Dez criou a Warrior, uma revista independente. Ele queria usar o mesmo tipo de personagem que havia criado sob o selo da Marvel, mas não podia fazer isso, por causa das questões de copyright.

Então, ele nos procurou, eu e Alan, para criarmos personagens parecidos. Porque V é parecido com Night Raven e, justamente por isso, é tão importante.

A única vez que pude fazer Night Raven como realmente gostaria, foi quando, uns cinco anos depois, fui chamado pela Marvel UK para ressuscitá-lo. E disse que só faria se o fizesse isso do meu jeito.

UHQ: Qual a importância do período em que trabalhou na Marvel UK (a divisão inglesa da “Casa das Idéias”)?

Lloyd: Se não tivesse trabalhado lá, nunca teria feito Night Raven, nem teria conhecido Alan Moore.

Passei a trabalhar com Alan em Dr. Who Weekly. Ele estava começando, e o conhecia vagamente, porque tinha feito ilustrações para os fanzines em que Alan publicava.

Eu estava comentando com outros jornalistas, que Steve Moore foi quem ensinou a Alan como escrever quadrinhos; e quem o introduziu no mercado.

Steve estava escrevendo para a Hulk Weekly e também na Dr. Who. Ele é um escritor extraordinariamente inteligente, que não é tão conhecido quanto Alan, porque não se destacou tanto. Quanto maior um negócio, mais você tem que estar no lugar certo, na hora certa. E tem que ter sorte. Mas Steve Moore é um grande escritor, muito criativo.

Mas, retornando: se eu não tivesse me envolvido com a Marvel UK, não teria feito Hulk Weekly e Dr. Who; e teria perdido estas oportunidades.

Dr. Who #19, arte de Dave Gibbons
Dr. Who #19, arte de Dave Gibbons

UHQ: Você chegou a trabalhar com o Dr. Who (um cult da ficção)?

Lloyd: Não cheguei a desenhar o Dr. Who, porque suas histórias iam para o Dave Gibbons, que fez coisas fantásticas. Eu ficava com as aventuras de backup, com personagens como Cyberman, Daleks e coisas assim. Mas era melhor, porque tinha mais liberdade.

Se você trabalhasse no Dr. Who, existiam limites no que podia ser feito. Coisas como caracterização, licenciamento, BBC pedindo por mudanças. Mas com os personagens secundários, ninguém se importava e poucos conheciam as histórias deles.

Portanto, os escritores podiam fazer muita coisa. E, para mim, era muito divertido.

UHQ: Por que a Inglaterra, apesar de ter tantos autores e artistas talentosos, permanece tendo um mercado de HQs pequeno?

2000 A.D.
2000 A.D. #182, arte de Brian Bolland

Lloyd: São as editoras inglesas. São as pessoas que publicam quadrinhos na Inglaterra. Elas não tiveram imaginação de construir algo sobre seus sucessos.

De modo geral, do meio dos anos 70 e na década seguinte, só havia duas grandes editoras de quadrinhos: IPC Fleetway e a DC Thompson.

A DC Thompson é uma antiga firma escocesa, com uma visão estacionária, que faz muito material infantil e histórias de guerra, tipo Comandos em Ação e coisas do tipo. Histórias simples.

A IPC fazia todo o outro material. Ela teve um sucesso imenso com a 2000 A.D. A revista foi lançada em 1977, no mesmo ano de Guerra nas Estrelas, e era o que as pessoas queriam.

Mas os editores britânicos não capitalizaram este sucesso. Olhe os artistas e escritores que eles tinham: Alan Moore, Alan Grant, Steve Parkhouse, John Wagner, Steve Moore, Cam Kennedy, Brian Bolland e eu. Tinham todos estes caras, e não davam muito valor.

Em meados dos anos 80 a DC Comics foi à Inglaterra e deu um grande jantar no Hotel Savoy, em Londres.

David Lloyd
David Lloyd, empolgado durante a entrevista

O Savoy é um dos mais importantes hotéis de Londres, um dos mais prestigiados. E convidaram todo mundo. E disseram: queremos que vocês trabalhem para nós. E nos tratavam bem. Por isso que tanta gente foi trabalhar com eles.

Se os editores britânicos tivessem acreditado nos talentos que tinham, poderiam ter rivalizado com os Estados Unidos. Mas não quiseram. Não tiveram energia. E realmente não viram o futuro.

Nos anos 80, os quadrinhos haviam se tornado algo grande, algo importante. Depois disso, passaram por alguns momentos delicados. E os editores britânicos continuaram sem se mexer.

E isso é típico do gerencialmente inglês. Não possuem energia e gana. Estão sempre procurando algo seguro. São assustados: não podemos investir ou vamos perder dinheiro.

UHQ: Você acredita que muitos artistas só são reconhecidos depois de terem seus trabalhos publicados nos Estados Unidos? Foi o caso, por exemplo, de Brian Talbot, Alan Moore, John Bolton, entre outros. Com você foi assim?

Arte original de David Lloyd
Arte original de David Lloyd

Lloyd: Bem, se eu não tivesse ido para os Estados Unidos, não seria conhecido. Eles me deram a oportunidade de reconhecimento. Garth Ennis, Grant Morrison, Alan Moore, Neil Gaiman. Nenhum destes caras teria a reputação que tem hoje, se não tivesse ido para lá. Nem eu.

Eu fiz V de Vingança na Inglaterra, mas se o trabalho não tivesse saído completo, nos EUA, não seria conhecido. É uma tragédia. Tem muitos talentos na Inglaterra. É como nos filmes. Temos muitos diretores, escritores e atores, mas os editores e o pessoal de produção não dão suporte.

Ou seja, você sempre precisa ir aos Estados Unidos para ser reconhecido. É um absurdo.

UHQ: Quais as diferenças que você vê entre a publicação de V de Vingança pela Warrior e, posteriormente, pela DC, além do fato de a editora americana ter completado a série?

Warrior magazine #11
V, na Warrior Magazine #11

Lloyd: Bom, a cor. Fiquei muito feliz por ter sido colorido. Quando fizemos isto, foi na época em que não havia colorização por computador. Se fosse hoje, teríamos muito mais controle.

Naquele tempo, o processo era muito cru, comparado aos atuais. Mas eu queria colorido, mesmo que houvesse muitos fãs do material em preto-e-branco.

Com V, primeiro me ofereceram para lançar em preto-e-branco. Na época, havia muitos quadrinhos independentes assim bem-sucedidos. Então, um dos executivos da DC me perguntou se eu topava. E minha resposta foi não!

Disse que preferia colorido, pois sabia que, dessa forma, o material teria um alcance maior. E isso era importante. Se tivéssemos qualidade na cor, seria ótimo. E ela ficou boa nos originais, mas perdeu muito devido à impressão.

V for Vendetta, versão encadernada da DC
V for Vendetta, versão encadernada da DC Comics

Mesmo na edição encadernada, a cor não ficou boa. Mas o problema era do processo de impressão da época, não do colorido.

UHQ: Você gostaria de imprimi-la novamente, com cores feitas por computador?

Lloyd: Adoraria. Mas a DC nunca vai deixar, porque não vai gastar dinheiro nisso.

Seria ótimo como promoção. No entanto, eu mesmo gostaria de fazer a cor. Faria até de graça. Mesmo assim, acho que eles não aceitariam, pois ninguém lá parece preocupado com isso.

UHQ: V de Vingança saiu duas vezes no Brasil: uma pela Globo, em edições coloridas; e outra pela Via Lettera, em preto-e-branco. Você viu as edições? Se sim, o que achou?

V de Vingança #2, da Globo
V de Vingança #2, da Globo

Lloyd: Sim, eu vi. A DC me enviou. O que ainda não consegui foi a edição brasileira do Horrorista (Nota do UHQ: minissérie em duas partes, da extinta Tudo em Quadrinhos), que gostaria de ver.

UHQ: Muita gente vê seu trabalho em V de Vingança, artisticamente, como um experiência gráfica fundamentada no trabalho de Jim Steranko, em Chandler, principalmente pelo fato de os personagens não possuírem uma linha de contorno. Você realmente se baseou no estilo dele para achar o visual distinto de V?

Lloyd: Sim, Jim Steranko e Chandler, porque ele usava esse efeito para obter um visual soturno. Por isso, achei que era perfeito. É preciso lembrar que, quando se conta uma história, cada narrador, cada desenhista, cada escritor, tem que usar todas as técnicas para conseguir o efeito desejado.

Se pudesse, eu passaria minha vida inteira fazendo histórias curtas. Uma comédia aqui, um romance ali, uma história de guerra etc… porque cada uma delas exige um estilo diferente. E V exigia aquilo. Era um futuro aterrador e clamava por uma arte assim.

V de Vingança #2, da Via Lettera
V de Vingança #2, da Via Lettera

UHQ: Como foi a parceria com Alan Moore?

Lloyd: (Risos e suspiros) Todos perguntam isso. E eu suspiro. Para mim, não teve mistério.

Existe esta lenda sobre os roteiros gigantes dele. Quando fizemos V, Alan estava começando a carreira, fazia apenas dois anos que roteirizava quadrinhos. Ainda não estava na fase de escrever pilhas de material. Mas só trabalhei com ele em V. Depois disso, nunca mais.

Mas vou lhe dizer uma coisa, sobre trabalhar com Alan. E não foi culpa dele. Quando começamos V, a série era publicada em capítulos, na Warrior, oito páginas em cada edição.

Alan ia escrevendo enquanto a coisa acontecia, mas não tinha idéia do final. Então, todo mês ele via o que eu fazia e aí escrevia o próximo capítulo. Era uma coisa orgânica. Era como jazz.

Warrior Magazine #5
Warrior Magazine #5: Pray the future will never need V… for Vendetta (Reze para que o future não precise de V… de Vingança)

UHQ: Como eram os roteiros de Moore, complexos e cheio de instruções específicas, ou ele lhe dava liberdade para criar?

Lloyd: Naquela época, seus roteiros não eram complexos. Até o ponto em que publicamos na Warrior (e a revista faliu), tínhamos alguns capítulos inéditos.

Quando, dois anos depois, a DC disse que publicaria V, Alan escreveu tudo de uma vez só. Foi uma pena, porque perdemos a oportunidade de fazer a obra crescer. Mas não poderia ter sido diferente, porque ele tinha muitos compromissos.

UHQ: Sobre seu trabalho em Hellblazer # 25 e 26, com Grant Morrison, como veio a trabalhar com o personagem, e com este roteirista?

Hellblazer #25
Hellblazer #25

Lloyd: Na verdade, eles me chamaram e disseram: “quer fazer isso?” Eu disse: “Claro, parece legal”. Foi a mesma coisa com a história do Garth Ennis em Hellblazer. Sem mistério.

Acho que a história de Hellblazer do Jamie Delano foi mais complicada, porque me pediram para fazer antes de o roteiro estar completo. Fizemos aquilo no estilo Marvel de roteiro (Nota do UHQ: uma sinopse do enredo é enviada ao artista, que faz os lay-outs e, posteriormente, o lápis. Os diálogos todos são escritos posteriormente, depois que tudo já foi desenhado), apenas com o enredo.

A única diferença é que, partir do enredo decupado, fiz lay-outs em folhas tamanho A4 e, então, não esperamos até o lápis final. Desenhei todas as páginas com os quadrinhos e, depois, ele fez o resto do roteiro. Só então finalizei.

UHQ: O que você acha melhor para o artista, o estilo Marvel ou o roteiro completo?

Hellblazer Especial - O Horrorista #1
Hellblazer Especial – O Horrorista #1, da Tudo em Quadrinhos

Lloyd: Não existe uma resposta fácil para essa pergunta. Antes de fazer O Horrorista, achava que era impossível se criar uma idéia mais sofisticada com este método. Para mim, só funcionava para o material de aventura.

Mas funcionou bem no Horrorista. Mesmo com aquela técnica, nós conseguimos transmitir um material sofisticado.

Nesse estilo de roteiro, a única vantagem para o artista é o aumento da liberdade criativa. Sugeri fazer isso para Garth, e ele disse não, porque prefere ter mais o controle.

UHQ: Fale um pouco sobre a parceria com Andrew Vachss, em Hard Looks.

Lloyd: Foi muito interessante. O único problema é que o material já existia em prosa e, para os quadrinhos, só ilustramos o que já existia.

Página de Hard Looks, arte de David Lloyd
Página de Hard Looks, arte de David Lloyd

A dificuldade é que muitas daquelas histórias não se beneficiariam dos quadrinhos; e qual o motivo de se fazer uma história, se ela não vai se beneficiar dos desenhos?

A Dark Horse me enviou muitos roteiros, e pude decidir por um que funcionaria melhor, pois muitos deles ficavam bem como prosa, mas não se beneficiavam das possibilidades dos quadrinhos.

Uma delas, sobre um assassino voyeur, funcionou bem, pois pude incluir muitos quadros para mostrar como este cara ficava olhando a garota. E isto não estava no script, apesar de ser importante pra trama.

Várias histórias não tinham espaço para muita criatividade. O importante era o que ele escreveu, pois estava preocupado com o abuso infantil. Vachss era um advogado que lidava com isso, e queria passar uma mensagem sobre o assunto.

UHQ: Qual a importância do período em que trabalhou na Marvel UK (a divisão inglesa da “Casa das Idéias”)?

Lloyd: Se não tivesse trabalhado lá, nunca teria feito Night Raven, nem teria conhecido Alan Moore.

Passei a trabalhar com Alan em Dr. Who Weekly. Ele estava começando, e o conhecia vagamente, porque tinha feito ilustrações para os fanzines em que Alan publicava.

Eu estava comentando com outros jornalistas, que Steve Moore foi quem ensinou a Alan como escrever quadrinhos; e quem o introduziu no mercado.

Steve estava escrevendo para a Hulk Weekly e também na Dr. Who. Ele é um escritor extraordinariamente inteligente, que não é tão conhecido quanto Alan, porque não se destacou tanto. Quanto maior um negócio, mais você tem que estar no lugar certo, na hora certa. E tem que ter sorte. Mas Steve Moore é um grande escritor, muito criativo.

Mas, retornando: se eu não tivesse me envolvido com a Marvel UK, não teria feito Hulk Weekly e Dr. Who; e teria perdido estas oportunidades.

Dr. Who #19, arte de Dave Gibbons
Dr. Who #19, arte de Dave Gibbons

UHQ: Você chegou a trabalhar com o Dr. Who (um cult da ficção)?

Lloyd: Não cheguei a desenhar o Dr. Who, porque suas histórias iam para o Dave Gibbons, que fez coisas fantásticas. Eu ficava com as aventuras de backup, com personagens como Cyberman, Daleks e coisas assim. Mas era melhor, porque tinha mais liberdade.

Se você trabalhasse no Dr. Who, existiam limites no que podia ser feito. Coisas como caracterização, licenciamento, BBC pedindo por mudanças. Mas com os personagens secundários, ninguém se importava e poucos conheciam as histórias deles.

Portanto, os escritores podiam fazer muita coisa. E, para mim, era muito divertido.

UHQ: Por que a Inglaterra, apesar de ter tantos autores e artistas talentosos, permanece tendo um mercado de HQs pequeno?

2000 A.D.
2000 A.D. #182, arte de Brian Bolland

Lloyd: São as editoras inglesas. São as pessoas que publicam quadrinhos na Inglaterra. Elas não tiveram imaginação de construir algo sobre seus sucessos.

De modo geral, do meio dos anos 70 e na década seguinte, só havia duas grandes editoras de quadrinhos: IPC Fleetway e a DC Thompson.

A DC Thompson é uma antiga firma escocesa, com uma visão estacionária, que faz muito material infantil e histórias de guerra, tipo Comandos em Ação e coisas do tipo. Histórias simples.

A IPC fazia todo o outro material. Ela teve um sucesso imenso com a 2000 A.D. A revista foi lançada em 1977, no mesmo ano de Guerra nas Estrelas, e era o que as pessoas queriam.

Mas os editores britânicos não capitalizaram este sucesso. Olhe os artistas e escritores que eles tinham: Alan Moore, Alan Grant, Steve Parkhouse, John Wagner, Steve Moore, Cam Kennedy, Brian Bolland e eu. Tinham todos estes caras, e não davam muito valor.

Em meados dos anos 80 a DC Comics foi à Inglaterra e deu um grande jantar no Hotel Savoy, em Londres.

David Lloyd
David Lloyd, empolgado durante a entrevista

O Savoy é um dos mais importantes hotéis de Londres, um dos mais prestigiados. E convidaram todo mundo. E disseram: queremos que vocês trabalhem para nós. E nos tratavam bem. Por isso que tanta gente foi trabalhar com eles.

Se os editores britânicos tivessem acreditado nos talentos que tinham, poderiam ter rivalizado com os Estados Unidos. Mas não quiseram. Não tiveram energia. E realmente não viram o futuro.

Nos anos 80, os quadrinhos haviam se tornado algo grande, algo importante. Depois disso, passaram por alguns momentos delicados. E os editores britânicos continuaram sem se mexer.

E isso é típico do gerencialmente inglês. Não possuem energia e gana. Estão sempre procurando algo seguro. São assustados: não podemos investir ou vamos perder dinheiro.

UHQ: Você acredita que muitos artistas só são reconhecidos depois de terem seus trabalhos publicados nos Estados Unidos? Foi o caso, por exemplo, de Brian Talbot, Alan Moore, John Bolton, entre outros. Com você foi assim?

Arte original de David Lloyd
Arte original de David Lloyd

Lloyd: Bem, se eu não tivesse ido para os Estados Unidos, não seria conhecido. Eles me deram a oportunidade de reconhecimento. Garth Ennis, Grant Morrison, Alan Moore, Neil Gaiman. Nenhum destes caras teria a reputação que tem hoje, se não tivesse ido para lá. Nem eu.

Eu fiz V de Vingança na Inglaterra, mas se o trabalho não tivesse saído completo, nos EUA, não seria conhecido. É uma tragédia. Tem muitos talentos na Inglaterra. É como nos filmes. Temos muitos diretores, escritores e atores, mas os editores e o pessoal de produção não dão suporte.

Ou seja, você sempre precisa ir aos Estados Unidos para ser reconhecido. É um absurdo.

UHQ: Quais as diferenças que você vê entre a publicação de V de Vingança pela Warrior e, posteriormente, pela DC, além do fato de a editora americana ter completado a série?

Warrior magazine #11
V, na Warrior Magazine #11

Lloyd: Bom, a cor. Fiquei muito feliz por ter sido colorido. Quando fizemos isto, foi na época em que não havia colorização por computador. Se fosse hoje, teríamos muito mais controle.

Naquele tempo, o processo era muito cru, comparado aos atuais. Mas eu queria colorido, mesmo que houvesse muitos fãs do material em preto-e-branco.

Com V, primeiro me ofereceram para lançar em preto-e-branco. Na época, havia muitos quadrinhos independentes assim bem-sucedidos. Então, um dos executivos da DC me perguntou se eu topava. E minha resposta foi não!

Disse que preferia colorido, pois sabia que, dessa forma, o material teria um alcance maior. E isso era importante. Se tivéssemos qualidade na cor, seria ótimo. E ela ficou boa nos originais, mas perdeu muito devido à impressão.

V for Vendetta, versão encadernada da DC
V for Vendetta, versão encadernada da DC Comics

Mesmo na edição encadernada, a cor não ficou boa. Mas o problema era do processo de impressão da época, não do colorido.

UHQ: Você gostaria de imprimi-la novamente, com cores feitas por computador?

Lloyd: Adoraria. Mas a DC nunca vai deixar, porque não vai gastar dinheiro nisso.

Seria ótimo como promoção. No entanto, eu mesmo gostaria de fazer a cor. Faria até de graça. Mesmo assim, acho que eles não aceitariam, pois ninguém lá parece preocupado com isso.

UHQ: V de Vingança saiu duas vezes no Brasil: uma pela Globo, em edições coloridas; e outra pela Via Lettera, em preto-e-branco. Você viu as edições? Se sim, o que achou?

V de Vingança #2, da Globo
V de Vingança #2, da Globo

Lloyd: Sim, eu vi. A DC me enviou. O que ainda não consegui foi a edição brasileira do Horrorista (Nota do UHQ: minissérie em duas partes, da extinta Tudo em Quadrinhos), que gostaria de ver.

UHQ: Muita gente vê seu trabalho em V de Vingança, artisticamente, como um experiência gráfica fundamentada no trabalho de Jim Steranko, em Chandler, principalmente pelo fato de os personagens não possuírem uma linha de contorno. Você realmente se baseou no estilo dele para achar o visual distinto de V?

Lloyd: Sim, Jim Steranko e Chandler, porque ele usava esse efeito para obter um visual soturno. Por isso, achei que era perfeito. É preciso lembrar que, quando se conta uma história, cada narrador, cada desenhista, cada escritor, tem que usar todas as técnicas para conseguir o efeito desejado.

Se pudesse, eu passaria minha vida inteira fazendo histórias curtas. Uma comédia aqui, um romance ali, uma história de guerra etc… porque cada uma delas exige um estilo diferente. E V exigia aquilo. Era um futuro aterrador e clamava por uma arte assim.

V de Vingança #2, da Via Lettera
V de Vingança #2, da Via Lettera

UHQ: Como foi a parceria com Alan Moore?

Lloyd: (Risos e suspiros) Todos perguntam isso. E eu suspiro. Para mim, não teve mistério.

Existe esta lenda sobre os roteiros gigantes dele. Quando fizemos V, Alan estava começando a carreira, fazia apenas dois anos que roteirizava quadrinhos. Ainda não estava na fase de escrever pilhas de material. Mas só trabalhei com ele em V. Depois disso, nunca mais.

Mas vou lhe dizer uma coisa, sobre trabalhar com Alan. E não foi culpa dele. Quando começamos V, a série era publicada em capítulos, na Warrior, oito páginas em cada edição.

Alan ia escrevendo enquanto a coisa acontecia, mas não tinha idéia do final. Então, todo mês ele via o que eu fazia e aí escrevia o próximo capítulo. Era uma coisa orgânica. Era como jazz.

Warrior Magazine #5
Warrior Magazine #5: Pray the future will never need V… for Vendetta (Reze para que o future não precise de V… de Vingança)

UHQ: Como eram os roteiros de Moore, complexos e cheio de instruções específicas, ou ele lhe dava liberdade para criar?

Lloyd: Naquela época, seus roteiros não eram complexos. Até o ponto em que publicamos na Warrior (e a revista faliu), tínhamos alguns capítulos inéditos.

Quando, dois anos depois, a DC disse que publicaria V, Alan escreveu tudo de uma vez só. Foi uma pena, porque perdemos a oportunidade de fazer a obra crescer. Mas não poderia ter sido diferente, porque ele tinha muitos compromissos.

UHQ: Sobre seu trabalho em Hellblazer # 25 e 26, com Grant Morrison, como veio a trabalhar com o personagem, e com este roteirista?

Hellblazer #25
Hellblazer #25

Lloyd: Na verdade, eles me chamaram e disseram: “quer fazer isso?” Eu disse: “Claro, parece legal”. Foi a mesma coisa com a história do Garth Ennis em Hellblazer. Sem mistério.

Acho que a história de Hellblazer do Jamie Delano foi mais complicada, porque me pediram para fazer antes de o roteiro estar completo. Fizemos aquilo no estilo Marvel de roteiro (Nota do UHQ: uma sinopse do enredo é enviada ao artista, que faz os lay-outs e, posteriormente, o lápis. Os diálogos todos são escritos posteriormente, depois que tudo já foi desenhado), apenas com o enredo.

A única diferença é que, partir do enredo decupado, fiz lay-outs em folhas tamanho A4 e, então, não esperamos até o lápis final. Desenhei todas as páginas com os quadrinhos e, depois, ele fez o resto do roteiro. Só então finalizei.

UHQ: O que você acha melhor para o artista, o estilo Marvel ou o roteiro completo?

Hellblazer Especial - O Horrorista #1
Hellblazer Especial – O Horrorista #1, da Tudo em Quadrinhos

Lloyd: Não existe uma resposta fácil para essa pergunta. Antes de fazer O Horrorista, achava que era impossível se criar uma idéia mais sofisticada com este método. Para mim, só funcionava para o material de aventura.

Mas funcionou bem no Horrorista. Mesmo com aquela técnica, nós conseguimos transmitir um material sofisticado.

Nesse estilo de roteiro, a única vantagem para o artista é o aumento da liberdade criativa. Sugeri fazer isso para Garth, e ele disse não, porque prefere ter mais o controle.

UHQ: Fale um pouco sobre a parceria com Andrew Vachss, em Hard Looks.

Lloyd: Foi muito interessante. O único problema é que o material já existia em prosa e, para os quadrinhos, só ilustramos o que já existia.

Página de Hard Looks, arte de David Lloyd
Página de Hard Looks, arte de David Lloyd

A dificuldade é que muitas daquelas histórias não se beneficiariam dos quadrinhos; e qual o motivo de se fazer uma história, se ela não vai se beneficiar dos desenhos?

A Dark Horse me enviou muitos roteiros, e pude decidir por um que funcionaria melhor, pois muitos deles ficavam bem como prosa, mas não se beneficiavam das possibilidades dos quadrinhos.

Uma delas, sobre um assassino voyeur, funcionou bem, pois pude incluir muitos quadros para mostrar como este cara ficava olhando a garota. E isto não estava no script, apesar de ser importante pra trama.

Várias histórias não tinham espaço para muita criatividade. O importante era o que ele escreveu, pois estava preocupado com o abuso infantil. Vachss era um advogado que lidava com isso, e queria passar uma mensagem sobre o assunto.

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