X-Men – O Confronto Final mantém a qualidade dos anteriores

Por Sérgio Codespoti
Data: 23 maio, 2006

X-Men - O Confronto FinalNão é fácil dar seqüência a uma franquia cinematográfica. Quanto mais longa a série, mais difícil fica manter a qualidade, principalmente num produto tão complexo e cheio de efeitos como os X-Men da Fox.

X-Men – O Confronto Final entrará em cartaz nos cinemas brasileiros na próxima sexta-feira, dia 26 de maio, e tem tudo para agradar o público em geral.

O filme segue a fórmula Hollywoodiana de que uma continuação deve ser maior que a anterior. X-Men 3tem mais mutantes e ação que seus antecessores.

O filme seria dirigido por Bryan Singer, o responsável pelos dois primeiros longas, mas ele mudou de franquia e assumiu a direção de Superman – O Retorno. Depois dele, foi a vez de Matthew Vaughn, de Nem Tudo é o Que Parece (Layer Cake), desistir do projeto.

A terceira, e dizem os produtores, última parte da série X-Men foi dirigida com competência por Brett Ratner, que em seus créditos tem Dragão Vermelho e Hora do Rush 1 e 2.

O filme é competente como espetáculo cinematográfico, devendo fazer boa bilheteria, mas fica aquém de X-Men 2.

Este é o primeiro filme dos heróis mutantes que reúne, de uma forma ou de outra, os integrantes originais da revista: Professor Xavier (Patrick Stewart), Ciclope (James Marsden, que também atuará em Superman – O Retorno), Jean Grey (Famke Janssen), Homem-de-Gelo (Shawn Ashmore), Anjo (Ben Foster, num papel muito pequeno) e o Fera (Kelsey Grammer, do seriadoFrasier).

O Fera (que curiosamente é o terceiro mutante azul num filme dos X-Men, após Noturno e Mística, e já havia sido interpretado numa ponta em X-Men 2, por Steven Bacic) era uma das grandes preocupações dos fãs, mas está convincente e tem boas cenas.

Fera

Os leitores dos quadrinhos também encontrarão três outros personagens conhecidos, desprovidos de poderes: Dra. Moira MacTaggert (Olivia Williams), Dra. Kavita Rao (Shohreh Aghdashloo) e Larry Trask (Bill Duke), o filho do criador dos Sentinelas.

O grande mérito deste filme são as ótimas seqüências de ação, com Wolverine (Hugh Jackman), Tempestade (Halle Berry) e até mesmo Kitty Pryde (Ellen Page). Para o deleite dos fãs existe até uma seqüência na Sala de Perigo, com direito ao famoso “arremesso especial” de Colossus (Daniel Cudmore).

Wolverine assume um papel mais engajado, que em determinados momentos lembra a fase dos quadrinhos em que ele e Tempestade eram os líderes da equipe (por volta de 1987).

Os destaques de Logan ficam para a sua luta com o Fanático (Juggernaut, no original, interpretado por Vinnie Jones) e com Spike (que arranca lâminas de ossos de seu corpo), inspirado no personagem do desenho animado dos X-Men, que por sua vez tem muito em comum com o vilão Maré Selvagem (Riptide), dos Carrascos, e Medula, dos Morlocks.

Tempestade aparece bem mais do que nos filmes anteriores, com uma participação de maior importância na trama. Ororo ganha uma postura moral bem definida e mostra que sabe o que fazer na hora de enfrentar seus inimigos.

Reinterpretando um clássico dos quadrinhos, Tempestade enfrenta Callisto (Dania Ramirez). Não é pelo controle dos Morlocks, como nas HQs, mas para evitar uma guerra total entre homens e mutantes.

Callisto, toda tatuada com a letra grega Omega (uma referência ao trabalho de Grant Morrison, com os X-Men), tem poderes diferentes dos quadrinhos, mas continua sendo a líder de um grupo de mutantes que inclui Psylocke (Mei Melançon); Arco Voltaico (Arclight, interpretada por Omahyra Mota), dos Carrascos; e Kid Omega (Ken Leung), fisicamente muito parecido com o mutante Quill, mas creditado com o nome do alter ego de Quentin Quire um dos vilões das histórias de Morrison.

Quill - comparação entre HQ e cinema

Eles se aliam à Irmandade de Magneto (Ian McKellen, sempre ótimo) e passam a enfrentar tanto os X-Men quanto as tropas do governo norte-americano. Outro mutante que se junta ao vilão é o Homem-Múltiplo, Jamie Madrox (Eric Dane), que nas HQs integra o time dos “mocinhos”.

Como era previsível, Mística (Rebecca Romijn) e Magneto roubam as cenas em que aparecem, sempre com boas interpretações e ótimos momentos de ação.

Ainda existem combates específicos entre Kitty Pryde (a Lince Negra) e o Fanático, e o Homem de Gelo contra Pyro (Aaron Stanford).

Vampira (Anna Paquin) e Ciclope têm participações mais reduzidas, mas não menos importantes dentro do enredo.

Outro momento clássico das HQs acontece entre Charles Xavier e Jean Grey. Aliás, a campanha publicitária do filme, que espalhou dezenas de imagens da moça pelos relógios da cidade, entrega logo de cara que a personagem está de volta.

Bem, tudo estaria ótimo, não fossem dois problemas.

O primeiro está no conflito entre duas linhas narrativas fortes, uma delas sobre a cura dos mutantes e a outra a respeito do retorno de Jean Grey. X-Men – O Confronto Final se divide sobre estes temas e favorece ora um, ora outro, e brilha em momentos isolados, mas não no conjunto.

É até provável que o público leigo, que não leu nada sobre X-Men ou a Fênix, não sinta este problema, mas os fãs perceberão que o assunto foi pouco explorado, apesar de todas as inovações do filme.

Por causa destes dois temas, surge o segundo problema do filme: a banalização pelo excesso de eventos, alguns deles bastante dramáticos e até ousados. São tantas novidades e choques, que não há tempo para o espectador absorver tudo.

Isso reduz o envolvimento emocional do espectador. Este fato será sentido bastante pelos leitores de X-Men, principalmente os que conhecem bem os personagens e sua história.

O tema da cura mutante, baseado “de leve” no primeiro arco de histórias dosSurpreendentes X-Men, de Joss Whedon e John Cassaday, já era suficiente para encerrar o arco sobre Magneto, que se iniciou no primeiro filme.

É um assunto moral forte, ligado ao direito de escolha, à perseguição étnica e racial e aos abusos cometidos em nome da ciência.

Ao incluir a temática da Fênix (que discute a sedução do homem e sua subseqüente corrupção literal pelo poder), por si só um assunto rico e complexo, o filme foi obrigado a minimizar a discussão de ambos. Mas o efeito negativo disso é diluído pelo ritmo frenético e pelos ótimos efeitos especiais.

Este terceiro X-Men é bem divertido, e merece ser assistido. Mas poderia ser ainda melhor. Quem sabe o próximo filme (se alguém duvida disso, deve esperar o fim dos créditos) seja mais equilibrado entre a emoção, a ação e a quantidade de personagens.

X-Men – O Confronto Final
Duração: 104 minutos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Brett Ratner
Roteiro: Simon Kinberg e Zak Penn
Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Halle Berry, Famke Jansse, James Marsden, Rebecca Romijn-Stamo, Anna Paquin, Kelsey Grammer, Shawn Ashmore, Aaron Stanford, Ellen Page e Ben Foster.

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