X-Men – Primeira Classe seria melhor como uma série de TV

Por Zé Oliboni
Data: 6 junho, 2011

X-Men - Primeira ClassePrimeiramente, é importante dizer que este filme não é ligado a nenhuma das cronologias mutantes (nem dos quadrinhos e nem do cinema) e não tem relação alguma com a divertida HQ homônima publicada por aqui em X-Men Anual # 2.

Assim, é um pouco difícil entender a escolha dos mutantes coadjuvantes (este, na verdade, é um filme sobre Xavier e Magneto e os X-Men do título são meramente complementares). A “primeira classe” de alunos é formada por heróis do segundo e até terceiro escalão dos quadrinhos – Darwin e Angel, por exemplo, são relativamente recentes e têm pouco apelo.

Deve haver, é claro, questões contratuais, técnicas ou mesmo o interesse de se distanciar dos longas-metragens anteriores, mas personagens de apoio mais carismáticos não diminuiriam em nada a atenção dada à trama principal.

Dito isso, a melhor forma de ver X-Men – Primeira classe é como um drama/ficção científica sem grandes relações com nada. Sem esse distanciamento fica difícil imaginar o sempre austero Professor Xavier como um recém-formado que se embebeda em bares e usa seus conhecimentos e poderes para aplicar cantadas baratas em garotas. Ou mesmo aceitar Mística como irmã de criação de Charles no lugar do Fanático. E, claro, a transformação de Moira MacTaggert em uma agente da Cia.

É importante se libertar desse apego à fidelidade aos quadrinhos para aproveitar melhor a história, pois o interessante é ver como esses personagens que tem uma cronologia tão fragmentada nas HQs (montada e remontada dezenas de vezes por vários autores diferentes) ficam em um roteiro de blockbuster.

A origem de Xavier e Magneto nunca foi tão bem amarrada. A trajetória desde o encontro deles e a formação da amizade até a situação em que são postos como inevitáveis adversários, tudo ficou muito bem costurado, equilibrado e funcional.

Um ponto alto do filme, para os fãs dos quadrinhos, é perceber como as HQs foram criadas sem um planejamento de longo prazo. Inicialmente, as aventuras eram um grande seriado, com personagens entrando e saindo sem grandes implicações. Mais recentemente, quando começam a tentar a amarrar tudo, tem-se uma trama mambembe, que não se sustenta tão bem como esta versão compacta e totalmente estruturada do cinema.

X-Men - Primeira Classe X-Men - Primeira Classe

Se fosse para apontar um grande erro em X-Men – Primeira Classe, este seria a opção da Fox de investir em um filme. A trama, o visual e os efeitos visuais fracos seriam mais bem aproveitados em uma bela série para TV.

Dividir em capítulos eliminaria o problema de ritmo do longa-metragem – que é muito arrastado na primeira hora e atribulado demais do meio para o final. Na televisão, o visual anos 60 ficaria bem mais charmoso – vide o seriadoMad Man, da HBO – e os efeitos especiais não pareceriam fracos.

Em vez de um filme um pouco acima da média, a Foxpoderia ter usado o mesmo material para criar uma série estupenda de duas ou três temporadas de repercussão gigantesca.

Cabe um elogio para a escolha do elenco. Atores competentes, bem dirigidos e que encaixaram perfeitamente nos seus papéis. James McAvoy e Michael Fassbender são protagonistas excelentes.

O único que passou uma certa vergonha foi Kevin Bacon. Ele é um bom ator, sem dúvida, e até foi uma escolha interessante como Sebastian Shaw. Contudo, alguém decidiu colocar nele o capacete que seria do Magneto e a combinação desse visual com o seu andar gingado – no verdadeiro estilo Footloose – criou algumas cenas que beiram o ridículo.

Vale elogiar também a costura que se fez da trama com a situação política dos Estados Unidos nos anos 60, a sacada de dizer que os mutantes eram G-Men (homens do governo, como eram chamados os agentes do FBI), a correção feita por Moira MacTaggert de que eles eram X-Men (homens do Professor X) e, evidente, a aparição impagável de Hugh Jackman como Wolverine na cena mais engraçada do filme.

X-Men – Primeira Classe
Duração: 132 minutos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Bryan Singer, Sheldon Turner, Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Jason Flemyng, January Jones, Nicholas Hoult, Caleb Landry Jones e Lucas Till.

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