A saga de Diomedes chega ao fim, em A Soma de Tudo – Parte 2, da Devir

Por Sidney Gusman
Data: 23 novembro, 2002

Por Sidney Gusman, sobre o press release

A Soma de Tudo - parte 2A Devir lançará, no dia 7 de dezembro, das 13 às 17h, na Gibiteca Henfil (Av. Vergueiro, 1000 – Paraíso – Tel.: 0XX-11-3277-3611 – Ramal 247), o álbum A Soma de Tudo – Parte 2, do premiadíssimo Lourenço Mutarelli, que autografará as edições dos presentes.

O livro, apesar de ser o quarto volume da série, encerra a trilogia O Enigma do Enigmo, que revelou o Detetive Diomedes, que se tornou um dos mais importantes personagens das histórias de detetive narradas nos quadrinhos nacionais.

Os fãs que comparecerem ao evento poderão conferir também os desenhos originais de O Enigma de Enigmo, numa exposição inédita.

Arte de Luke Ross, para A Soma de Tudo parte 2O personagem Diomedes nasceu da necessidade de se criar um detetive particular para o livro O Dobro de Cinco. Ele seria contratado para descobrir o paradeiro de um mágico chamado Enigmo.

A inspiração para criar o personagem veio do próprio pai de Mutarelli, que era policial. Os traços definiram Diomedes num tipo baixinho, gordo, careca, ostentando um bigode fininho e quase sempre de chapéu. Um ex-delegado de polícia aposentado, que faz bicos como detetive particular, assegurando alguns trocados a mais, além da aposentadoria.

Ele tem mais de 50 anos, foi abandonado pela mulher e não se relaciona com o filho. Diomedes se acha um fracasso, pessoal e profissionalmente. Talvez por isso, toma todas, fuma muito e, às vezes, é dono de um caráter pouco confiável.

Em O Dobro de Cinco, um clima misterioso toma conta da história, levando Diomedes a se envolver numa tremenda confusão, ao matar o domador de leões do circo, onde o mágico trabalhava. Ele é perseguido por bandidos e alvejado por vários tiros, fazendo o leitor acreditar que teria sido assassinado.

No entanto, o sucesso de Diomedes surpreendeu seu criador, que decidiu mantê-lo vivo, contrariando seu estilo de eliminar o protagonista de suas histórias.

Página de A Soma de Tudo parte 2A continuidade veio com o segundo volume da trilogia – O Rei do Ponto. Diomedes é chantageado por um policial ambicioso que mostra saber que foi ele quem matou o domador de leões, e o obriga a desvendar um mistério, envolvendo casais mortos por ingestão de veneno para ratos.

Em 2000, Mutarelli foi convidado a lançar O Dobro de Cinco em Portugal, no Festival da Banda Desenhada de Amadora, onde garante ter vivido os dias mais encantadores de sua vida.

Encantado por Amadora, pela calorosa recepção que teve e pela magia de Lisboa, o autor resolveu incorporar essa viagem à trilogia, e Diomedes ganhou status de “detetive intercontinental”.

A trama de A Soma de Tudo – Parte 1 explorou outras e novos rumos. E, para seguir essas idéias em vez de sacrificá-las, Mutarelli decidiu dividir a história em dois volumes.

Confira abaixo o texto do próprio Lourenço Mutarelli sobre a trilogia.

Antes quero explicar que A Soma de Tudo foi dividida em duas partes, pois tem o dobro de páginas dos volumes anteriores, e também para manter o cronograma de lançar um volume por ano. Assim, quando forem reeditadas, as duas partes serão um único volume.

Dizem que um dia existiu um grande ilusionista, o maior de todos e de todos os tempos. Dizem que esse ilustre mágico viveu dias de glória, poder e sucesso. Dizem que, apesar de esquecido, basta evocar o seu nome para que todos, sem exceção, dele voltem a lembrar. Dizem que seu nome é Enigmo. O que ninguém sabe ao certo é como ou por que ele foi esquecido.

Cada um busca dentro de si uma resposta para o seu desaparecimento. Alguns afirmam que ele perdeu sua habilidade, outros dizem que, depois de provar o sucesso, ele haveria se desencantado com a vida. Há ainda os que tentam explicar a curva natural de ascensão e decadência.

O Dobro de Cinco lança o detetive Diomedes em uma jornada sombria em busca desse antigo mágico que, depois de muito tempo, misteriosamente desapareceu da mídia. Aos poucos, sua imagem foi sendo dissipada do imaginário popular até cair em completo esquecimento. Sua imagem e seu nome permaneceram adormecidos até o dia em que um homem que se dizia chamar Hermes resolve buscá-lo. Para isso, ele bate às portas de Diomedes.

Dizem que, nesse momento, após haver permanecido por mais de vinte anos nos umbrais do esquecimento, ao ser evocado, Enigmo manifestou-se, impregnando o mundo com sua estranha magia. Esse é o ponto de partida não só de O Dobro de Cinco, mas de toda a trilogia. Essa busca é a espinha dorsal que sustenta e motiva a obra. A cada volume um novo caso, um novo mistério e Enigmo se mantem manifesto e presente em cada página.

Se você vem acompanhando este trabalho, talvez já tenha percebido que caberá a você encontrar as respostas. Se já conhece Diomedes, deve entender o que tento dizer. Quanto a mim resta afirmar que todas as peças desse quebra-cabeça estão sendo dadas. Em breve, espero que você já o tenha armado. Quanto ao Diomedes… Segue o seu lema: “Servimos mais ou menos pra servir de vez em quando.

Lourenço Mutarelli

Arte exclusiva de Lourenço Mutarelli para o Universo HQ

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