Bryan Hitch fala sobre Supremos e futuros projetos

Por Sérgio Codespoti
Data: 28 fevereiro, 2003

The Ultimates #9Bryan Hitch é uma estrela em ascensão. Começou seguindo o estilo de Alan Davis, e hoje conseguiu desenvolver um traço apurado e único, que faz dele um dos principais desenhistas do mercado americano de quadrinhos.

Desde que sua carreira deslanchou ao ser o primeiro artista de The Authority, passando pela Liga da Justiça, até chegar à versão Ultimate dos Vingadores, os Supremos, Hitch vem atraindo a atenção dos fãs.

Mas quando resolveu trabalhar na Marvel, Bryan Hitch ainda não tinha idéia de que Supremos era o seu destino. “Não tinha muita idéia do que faria. O Joe Quesada (editor-chefe) me ligou dizendo que os malucos tinham tomado conta do ‘asilo’, e se eu não queria me juntar à festa. Ele me ofereceu algumas possibilidades, entre elas uma versão de Ultimates Vingadores, com Mark Millar como escritor”, explicou.

Capitão América“Eu e Millar admiramos os trabalhos um do outro, e Na nossa conversa sobre o que faríamos começaram a nascer tantas idéias para o título, que sabíamos que tínhamos algo grande nas mãos”, disse. “A chance de reinventar os ícones da Marvel para uma nova audiência era boa demais para perdermos”.

Apesar das comparações entre Supermos e The Authority, Hitch acha que não existem semelhanças. Nem mesmo com os Vingadores convencionais. “Quando começamos a trabalhar no projeto, a Marvel queria que o título fosse o Authority deles, mas eu e Mark concordamos que essa época tinha passado. Tentamos dar nossa própria visão, e acho que é bastante óbvio para qualquer um que acompanhou as duas revistas que não são a mesma coisa. Elas têm estruturas e narrativas diferentes. Supremos é o desenvolvimento de tudo que aprendemos nos últimos quatro anos. É um projeto mais maduro e inteligente para mim e Mark”, analisou.

O desenhista explicou ainda como foi o processo de criação do novo visual dos personagens. “O Capitão América precisa ter as listas e a estrela, mas, já que era um soldado da Segunda Guerra Mundial, quis um visual da década de 1940. Sabia que as asas tinham que sair, assim como aquela bota ridícula, para fazer algo mais moderno”, descreveu.

O uniforme do Sentinela da Liberdade era para apresentar uma mudança ainda mais radical em relação ao original. “Nos primeiros estágios, sugeri que ele fosse um soldado, e não um super-herói. Deveria usar armas, veículos e equipamentos militares. Queria que ele estivesse armado, mas a Marvel não gostou da idéia, e eles estão provavelmente certos”.

Bryan HitchMesmo assim, Hitch revelou que o uniforme ainda passará por modificações. “Ao longo do próximo ano, ele terá variações no visual. O traje mudará de acordo com a missão do grupo”, garantiu.

Outra forte mudança aconteceu com o Homem de Ferro. “Um cara inventa uma armadura que é mais avançada do que qualquer outra arma no mundo, e a guarda em uma mala? Acho que deveria ser mais como uma nave de batalha junto ao corpo, com uma equipe de técnicos de apoio e uma base de lançamento. Seu visual também evoluirá ao longo da série, odeio que esse aspecto dos personagens fique estático, o que pode levar rapidamente a uma estagnação”.

“Logo chegará a hora de mostrar ao mundo um outro visual para os dos super-heróis”, aposta. “Eu e Mark tivemos uma grande conversa sobre esse assunto, ao discutir nosso próximo projeto, e, seja lá o que for acontecer, sabemos que será maior que Supremos e terá um visual muito legal”.

Para os fãs dos Supremos, uma má notícia: a série foi criada para durar 24 números. Para explicar o porquê dessa decisão, Bryan Hitch foi curto. “Porque devemos saber sempre a hora de deixar a festa”, finalizou.

Se isso mudará, ainda não se sabe.


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