Comic Con: The Experience

Por Equipe UHQ
Data: 23 dezembro, 2014

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A organização, por Ivan Costa

Para falar em nome dos organizadores neste especial, o Universo HQ convidou Ivan Freitas da Costa, sócio do Chiaroscuro Studio e da Comic Con Experience. Ele relembrou as etapas do trabalho para tornar o projeto realidade, os principais obstáculos e as maiores surpresas dos quatro dias de evento.

Como foi a experiência de participar da CCXP para quem estava envolvido em sua realização? É isso que Ivan revela.

“A Comic Con Experience foi uma mistura de paixão nerd e motivação empreendedora. De um lado, alimentávamos o desejo de trazer para os fãs brasileiros a experiência de uma comic con internacional, no formato consagrado especialmente pela San Diego Comic Con e pela New York Comic Con, que reúne as principais vertentes da cultura pop: quadrinhos, cinema, TV, games, animação, literatura fantástica e ficção científica, cosplay e colecionáveis”, explica Ivan.

“Somado a isso, como representantes de empresas que atuam nesses mercados, tínhamos certeza de que havia demanda reprimida para um evento com essas características. Com o tempo, fomos descobrindo o tamanho real desse mercado e dessa demanda: iniciamos o projeto planejando um evento de 15 mil metros quadrados, que, com o passar dos meses, evoluiu rapidamente para 24 mil e chegou à capacidade total do São Paulo Expo com 39 mil, área que esperávamos ocupar somente na terceira edição do evento, em 2016”, revela.

Ivan CostaIvan Costa

Ele relembrou ainda as maiores dificuldades enfrentadas durante o período de planejamento. “Talvez tenha sido explicar ao mercado – expositores, fornecedores, fãs – o que é uma comic con e o que eles podiam esperar de um evento com essa proposta. Convencer empresas que não têm tradição de participar de eventos para o público final a montar estandes gigantescos (e arcar com o investimento necessário para tal) e mesmo explicar a proposta do evento, que é diferente dos realizados aqui até então, foram desafios diários ao longo dos quase dois anos, entre a primeira reunião de trabalho e a abertura da CCXP”.

Mas sempre existe o outro lado da moeda. “Acredito que a maior facilidade tenha sido o comportamento dos fãs no evento: não tivemos nenhuma ocorrência de qualquer tipo e todos se comportaram muito bem nos painéis, filas etc. Foi emocionante ouvir os fãs cantando nas filas dos auditórios”, comemora.

Ivan também relembrou como foi negociar a vinda dos convidados internacionais. “A receptividade foi enorme e o principal desafio foi conciliar a agenda de compromissos dos artistas e a data da CCXP, especialmente porque optamos por montar um evento apoiado em atrações do momento, com a presença de artistas que estão na ativa e que podem ser vistos hoje na televisão, no cinema e nas bancas, no caso dos quadrinhistas. Viajar até o Brasil demanda tempo (voos de Los Angeles a São Paulo levam, em média, 15 horas), além de questões logísticas (a necessidade de visto, por exemplo). Eles ficaram encantados e realmente impressionados – não esperavam encontrar um evento no nível das melhores comic cons do mundo, especialmente sendo esta a primeira edição da CCXP – e ficaram surpresos com a receptividade e carinho dos fãs. Muitos desses convidados registraram isso em seus perfis nas redes sociais. Os fãs ofereceram aos artistas uma experiência da qual eles não esquecerão”.

Estande da Chiaroscuro StudiosEstande da Chiaroscuro Studios

Segundo Ivan, agora, com a primeira edição terminada, é hora de fazer o balanço de tudo o que aconteceu.  “Recebemos 97 mil pessoas ao longo dos quatro dias do evento. O evento superou as expectativas de todos – expositores, fãs, artistas – e também as nossas. Sempre há pontos a melhorar. Há questões logísticas a serem ajustadas e já começamos a trabalhar nisso na semana seguinte à CCXP. Outra surpresa positiva foram as vendas: tanto os quadrinhistas do Artists’ Alley, quanto os grandes expositores e lojistas registraram vendas muito acima do previsto. A Comix Book Shop vendeu mais de 50 mil exemplares, números comparáveis a eventos como a Bienal do Livro, que reúne público dez vezes maior”.

Com o desafio de fazer uma convenção com o mesmo perfil das mais famosas do mundo, Ivan analisou as atrações apresentadas e a repercussão nacional e internacional.

“Cada evento tem suas características. San Diego se beneficiou da proximidade de Los Angeles para se tornar uma plataforma de lançamentos de filmes e de séries de televisão, porém os quadrinhos perderam muito espaço – o Artists’ Alley da CCXP contou com 215 quadrinhistas, enquanto na SDCC 2014 a mesma área somou 208”, compara.

“A New York Comic Con tem crescido muito e com maior equilíbrio entre as diferentes áreas da cultura pop, mas nunca teve um grande estande da Disney, por exemplo. Na CCXP, conseguimos alguns feitos que merecem registro: fomos a primeira comic con no mundo a contar com um estande da Netflix; tivemos pré-estreias de dois filmes (Operação Big Hero e O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos), algo pouco comum em comic cons pelo mundo, nas quais são exibidos somente trailers e teasers, e oferecemos uma programação de Master Classes gratuitas com os principais convidados do evento (numa parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e SP Cine), para ajudar a desenvolver os artistas locais, algo pouco comum em eventos no resto do mundo. E ainda cuidamos dos detalhes que nos aproximaram desses grandes eventos: lançamentos exclusivos, artistas ‘quentes’, pôster promocional temático (Batman 75 Anos, produzido com autorização da DC Comics), credenciais (badges) temáticas colecionáveis e muito mais. Mas, para os fãs brasileiros, o principal diferencial da CCXP em relação à SDCC e à NYCC é que o evento aconteceu aqui”, relata.

Estande da DisneyEstande da Disney

“Um evento desse porte e importância não passa despercebido da mídia mundial. O público que estava no painel da Universal assistiu a uma mensagem gravada por Arnold Schwarzenegger e a um teaser exclusivo de Terminator – Genesys, que só depois foi divulgado para o resto do mundo. Eles participaram de um painel sobre o Batman no qual Scott Snyder falou pela primeira vez sobre O Cavaleiro das Trevas 3, projeto que ele deve escrever ao lado de Frank Miller, notícia que tomou conta da internet nos dias que antecederam a CCXP. E os próprios convidados contribuíram para essa repercussão internacional, postando fotos e mensagens sobre sua experiência na CCXP e no Brasil”, relembra.

Para 2015, os planos já começaram, e a experiência desta primeira edição será bastante útil.

“Mesmo durante o evento deste ano, fizemos mudanças em processos que trouxeram melhorias logísticas de um dia para o outro, agilizando a entrada dos fãs, entre outros processos. As reuniões para a CCXP 2015 começaram na semana seguinte ao evento deste ano e estamos levando em conta o feedback dos fãs, expositores e convidados para continuar aperfeiçoando o evento”, afirma Ivan.

A segunda edição da Comic Con Experience acontecerá entre os dias 3 e 6 de dezembro de 2015.

Ivan Costa é sócio da Comic Con Experience e do Chiaroscuro Studios 

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