Grandes momentos do Superman nos quadrinhos

Por Marcus Ramone
Data: 11 março, 2016

Revivendo alguns dos mais marcantes acontecimentos na vida do Homem de Aço em quase 80 anos de aventuras.

 

Uma grande experiência de vida. Isso é o que o Superman acumulou em todos esses anos de luta a favor dos fracos e oprimidos, como diz a máxima dos heróis dos gibis.

Não é à toa que o personagem tem muita história para contar. Ele já morreu, ressuscitou, ganhou um clone, virou monstro, perdeu os poderes e desenvolveu novas habilidades. E ainda sofreu as mais diversas transformações físicas, sociais, psicológicas e profissionais que se possa imaginar.

Confira, a seguir, alguns dos fatos que marcaram a trajetória do Homem de Aço nos quadrinhos e ajudaram o personagem a se manter sempre presente e ativo na memória de qualquer fã da nona arte.

11. Um beijo para ficar na memória. Quem nunca imaginou ver o Superman e a Mulher-Maravilha fazendo um par romântico? Atualmente, graças às mudanças editoriais feitas pela DC Comics com a linha Novos 52, os dois formam um casal de supernamorados. Mas o primeiro envolvimento deles aconteceu em Action Comics # 600 (no Brasil, saiu pela Editora Abril em Superpowers # 16, em 1989). A aventura, escrita e desenhada por John Byrne, prometia mostrar o “romance do século”, mas o caso amoroso não passou daquela edição. Na verdade, foi apenas uma sessão de beijos, ou melhor, superbeijos.

Por se tratar de um love affair entre alguns dos mais famosos super-heróis dos quadrinhos, o acontecimento causou bastante frisson entre os leitores na época. Dali em diante, tornou-se comum os dois personagens aparecerem casados e até com filhos em histórias de cronologia alternativa.

Cena marcante: Superman e Mulher-Maravilha flutuando no ar aos beijos e abraços. A imagem foi repetida em Justice League # 12, em 2012.

Superman e Mulher Maravilha

10. Campeão de dois universos. Na minissérie Liga da Justiça x Vingadores, lançada nos Estados Unidos em 2003 (no Brasil, em 2004, pela Panini), foi graças aos sentidos aguçados do Superman e à perspicácia do Capitão América que os heróis descobriram que havia algo errado com a realidade em que estavam vivendo. E, de uma vez por todas, o Último Filho de Krypton mostrou quem é o maior super-herói dos dois universos editoriais, destacando-se dentre os muitos protagonistas da trama e exibindo todo seu poder sem medo de ser feliz.

Cena marcante: Em pose de fúria e prontidão para a batalha, o Homem de Aço segura o escudo do Capitão América em uma mão e, na outra, o martelo Mjolnir de Thor, aquele que só quem tem alma nobre consegue empunhar.

Superman no crossover entre Liga da Justiça e Vingadores

9. Superman assassino. Quem disse que o Homem de Aço não mata? Para livrar uma Terra alternativa do domínio do General Zod e seus asseclas, o Superman se viu obrigado a usar o único artifício capaz de detê-los: assassinato. Após voltar a sua dimensão, o herói foi acometido por crises existenciais que o forçaram a se exilar no espaço por um bom tempo. A morte de Zod foi outro acontecimento dos quadrinhos que chegou ao cinema, dessa vez em O Homem de Aço (2013).

Cena marcante: De olhos fechados e cabeça baixa, Superman sofre em silêncio após matar os três vilões.

Superman assassino

8. Homem de Aço versus Homem-Morcego. Desde Davi e Golias, não acontecia uma luta como essa. Em O Cavaleiro das Trevas, obra-prima de Frank Miller que revolucionou os quadrinhos de super-heróis, Batman mediu forças com o Superman no que parecia ser um confronto desigual. Ledo engano. O embate homérico, no final da minissérie, foi o clímax da trama. O Homem-Morcego saiu todo alquebrado e foi dado como morto; o Homem de Aço também não saiu ileso e apanhou como nunca, graças à armadura usada pelo seu oponente.

Cena marcante: um chute certeiro de Batman no queixo do Superman mostrou ao vigilante de Gotham City que, sim, o Homem de Aço sangra.

Batman luta contra o Superman

7. Superman contra Shazam. Há muitos motivos para considerar a fantástica minissérie O Reino do Amanhã uma das melhores HQs de toda a história dos quadrinhos. Uma dessas razões é a sensacional sequência de páginas em que Superman e Capitão Marvel (antes de se chamar Shazam) travam um duelo sem precedentes entre super-heróis.

O Homem de Aço apanhou como poucas vezes em sua vida e não conseguia impedir que o mortal mais poderoso da Terra ajudasse os supervilões a deflagrar um Armagedon. Mas, talvez por isso mesmo, o conceito de herói tenha caído tão bem sobre ele.

Cena marcante: Superman quase é fritado pelos sucessivos ataques dos raios que transformam Billy Batson em Shazam.

Superman vs Shazam

6. A revanche contra Apocalypse. O monstro assassino que acabou com a vida do Superman também morreu no confronto contra o Homem de Aço. E, assim como ele, voltou dos mortos como quase todo bom personagem dos quadrinhos que parte desta para melhor. Nada mais justo, então, que houvesse uma revanche.

É certo que o novo encontro entre os dois não foi tão devastador quanto o primeiro, mas valeu pela chance que o herói merecia de ir à forra. Dessa vez, ele usou a inteligência para vencer Apocalypse. Não sem a ajuda de Tempus e da Caixa Materna, é bom que se diga.

Cena marcante: Vestido como um guerreiro kryptoniano, Super-Homem grita “Essa loucura termina hoje!” e desfere um potente soco em Apocalypse. Reforçando a dramaticidade da cena, o desenho foi feito em página dupla.

Superman e a revanche contra Apocalypse

5. O primeiro encontro com o Homem-Aranha. Um sonho que todo leitor de quadrinhos de super-heróis, em todas as gerações, sempre rezou para ver realizado. Em 1976, os dois principais personagens da Marvel e da DC apareceram juntos em uma mesma aventura. Batizado de “A batalha do século”, o evento foi o primeiro crossover de super-heróis entre editoras na história dos quadrinhos.

O roteiro bem amarrado de Gerry Conway e os magistrais desenhos de Ross Andru deram aos fãs uma HQ inesquecível na qual Superman e Homem-Aranha, depois de partirem para a briga devido a um mal-entendido, unem forças contra Lex Luthor e Dr. Octopus.

Cena marcante: Superman desfere um murro contra o rosto do Homem-Aranha, mas detém a tempo de evitar acertá-lo. No entanto, o deslocamento de ar gerado pelo movimento do punho do Homem de Aço joga o herói aracnídeo a quilômetros de distância, fazendo-o atravessar um prédio.

Superman e HomemAranha

4. A reformulação por John Byrne. Depois de Crise nas Infinitas Terras, o Superman passou a ser, de fato, o último filho de Krypton; seu maior inimigo, Lex Luthor, deixou de ser um supervilão high-tech para se tornar um inescrupuloso magnata com sede de poder; e seus poderes quase divinos foram bastante diminuídos.

Essas e outras mudanças transformaram o Homem de Aço em um personagem mais humano e com muitas possibilidades para grandes aventuras. Tudo por obra do genial (e genioso) John Byrne.

Mas, como era de se esperar, tudo mudou de novo com o passar do tempo.

Cena marcante: Depois que o Superman, ainda em trajes civis, salva Lois Lane de um acidente com a nave espacial em que ela se encontrava, a repórter do Planeta Diário dá ao herói o nome pelo qual seria conhecido em todo o mundo.

Superman de John Byrne

3. O casamento. Não foi o primeiro enlace matrimonial de um super-herói. Muito antes disso, Fantasma e Homem-Aranha já haviam subido ao altar. Mas, como se tratava do Superman, o evento ganhou destaque fora dos gibis e foi noticiado pelos veículos de comunicação em muitos países, antes e depois do acontecimento, realizado em 1996.

Os brasileiros só puderam assistir à cerimônia dois anos depois, na edição especial O casamento do Superman (Editora Abril), em que aconteceu de tudo: ação, humor, romance e até o Batman presenteando os noivos com uma casa. Inesquecível para o casal… e para os leitores, também.

Pena que tudo isso foi desfeito depois de mais uma das Crises da DC.

Cena marcante: Os super-heróis patrulhando Metrópolis, a fim de garantir uma lua de mel tranquila para os recém-casados. Página dupla de tirar o fôlego.

Casamento do Superman

2. A morte. “Todos sabiam exatamente onde estavam e o que faziam no momento em que John Kennedy foi assassinado. Hoje é um dia como aquele. Pois hoje é o dia em que o Superman morreu”. Muitos consideram que nunca houve um acontecimento tão emblemático quanto esse nas HQs. O combate épico entre o Homem de Aço e o monstro alienígena Apocalypse foi talvez o mais tenso, equilibrado e devastador de todos os confrontos entre heróis e vilões já mostrado em uma revista em quadrinhos. Mais que isso, o maior super-herói da Terra morreu de uma forma tão dramática quanto poética.

A repercussão do fatídico acontecimento caiu como uma bomba atômica no Universo DC. Jamais se viu tamanha comoção nos gibis. Mas, na vida real, a morte do Superman foi ainda mais significativa. Além das manchetes em jornais, revistas e telejornais em várias partes do mundo, o resultado da tragédia reascendeu a popularidade do último filho de Krypton e aumentou as vendas de seus títulos a um nível que há muito tempo a DC não via.

Cena marcante: Lois Lane segurando o corpo sem vida do Superman; ao fundo, a capa vermelha rasgada e hasteada em um mastro improvisado.

Morte do Superman

1. Surge o Homem do Amanhã. O começo de tudo. Em 1938, quando o Superman estreou na primeira edição de Action Comics, já existiam nos quadrinhos outros heróis fantasiados lutando contra a opressão e a injustiça. Mas nenhum como ele. Ninguém tão poderoso e capaz de tantas proezas quanto aquele personagem que inaugurou o conceito de super-herói.

Apenas um ano depois da estreia, o assim chamado Homem do Amanhã já era um tremendo sucesso, estampando produtos licenciados com sua marca e testemunhando as imitações baratas que começavam a aparecer.

Em sua primeira aventura surgiu a famosa descrição de suas habilidades: mais rápido que uma bala, mais forte que uma locomotiva e capaz de saltar edifícios com um único salto. A partir dali, teve início a saga de um dos nomes mais conhecidos da cultura popular em todo o mundo.

Cena marcante: Na capa de Action Comics # 1, mais do que mil palavras, a imagem já mostrava aos leitores que aquele herói vestido de azul e vermelho era diferente de todos os outros. A cena foi emulada no filme Superman – O retorno (2006).

Graças a esses e a muitos outros acontecimentos, as histórias do Superman têm sido tão dinâmicas quanto fascinantes, mantendo acesa a chama do sucesso mesmo nos momentos mais críticos de sua popularidade.

Sempre para o alto e avante.

Action Comics # 1

Marcus Ramone começou sua primeira coleção de gibis do Superman, desde o primeiro número, somente em 1984, quando a Editora Abril lançou Super-Homem # 1. Esse foi um de seus momentos mais marcantes em quase 40 anos de colecionismo.

• Outros artigos escritos por

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  • André Ribeiro de Oliveira

    Excelente matéria! Parabéns!

    • Marcus Ramone

      Grato por suas palavras, André. ;-)

  • Robert D’Aveon

    Excelente matéria, parabéns!

  • VictorMex

    Excelente matéria… Reino do amanhã é o uma revista demais. Só de ter Alex ross já a torna diferenciada.

  • Wadson

    Alguém já leu “American Alien” ? Tô ouvindo tanto sobre essa hq que fiquei curioso.

  • Henrique Brum Carvalho

    Ótima matéria…mto bom! Msm lendo quase que exclusivamente marvel a vida toda ja estava familiarizado com quase todos momentos…com o maior icone dos quadrinhos não podia ser diferente.

  • Alessandro Souza

    Lista é como bunda. Cada um tem a sua. Eu tenho a minha. Mas gostei da bunda, quer dizer, lista do Ramone.

    • Homem Simpson

      O que todos nós ficamos curiosos para saber é quando você nos dará a sua!

      ;)

      • Alessandro Souza

        A opinião ou a bunda?

        • Homem Simpson

          It is UP to your(s)…

  • Edu de Krypton

    Grandes astros – Superman de Grant Morrison e Frank Quitely, Para o homem que tem tudo, O que aconteceu ao Homem de aço, ambas de Alan Moore, Superman Paz na Terra de Alex Ross, Superman – Quatro estações de Jeff Loeb e Tim Drake, Superman origem secreta, Superman Brainiac, ambas de Geoff Johns e Gary Frank, Superman Legado da estrelas de Mark Waid e Lein Francis Wu, Todas as edições do Superman escritas pelo Grant Morrison nos novos 52, tem muita Hq boa do Superman.

  • Edu de Krypton

    Só corrigindo: Em cavaleiro das trevas o Super estava enfraquecido e se recuperando da explosão de uma ogiva nuclear, e ainda por cima o Batman usou a kriptonita para enfraquece~lo ainda mais. Por isso( e não por causa de uma armadura) o Batman conseguiu fazê-lo sangrar

  • Edu de Krypton

    Gostei da fase do John Byrne no Superman mas ele desvirtuou muitos dos aspectos da origem original do Super. Algumas idéias eu achei muito bem sacadas(a energia solar ser a maior responsável pelos seus grandes poderes, o Super mais humanizado, o Lex Luthor como um empresário bilionário inescrupuloso, a vulnerabilidade a magia, um limite de 1 milhão de toneladas para sua força), mas outras eu detestei: a aura bioenergética, o uniforme ter sido costurado pela mãe e ser de tecido normal( e não de tecido kriptoniano como no original), as mudanças que ele fez no povo de Kripton( que no original era uma sociedade avançada que tinha alcançado seu ápice tecnológico, mental e físico, e ele transformou em um povo frio, estéril e decadente), a história em que O Super e a Big Barda são hipnotizados e são obrigados a fazer um filme pornô( o que foi aquilo), o famigerado universo compacto e aquela Supergirl esquisita, e o pior de todas pra mim foi aquela histórias em que o super executa de maneira cruel aqueles criminosos Kriptonianos.

    • Eduardo Roque

      Olha, Edu, gostos à part, cabem 2 correções: a vulnerabilidade do Super à magia e o Sol como font dos poderes ñ foram invenções do Byrne mas já existiam previamente