A incrível história da mais valiosa coleção de quadrinhos do mundo

Por Marcus Ramone
Data: 9 março, 2015

Como as misteriosas D copies transformaram em milionária uma família dos Estados Unidos.

 

Filho de Davis CrippenOs colecionadores de quadrinhos ainda não têm um santo protetor. Mas bem que poderiam eleger o norte-americano Davis Crippen para a função.

Ele formou a mais rara coleção particular de gibis de que se tem notícia, tratada por anos com o carinho que se oferece a uma pessoa amada e, hoje, avaliada em milhões de dólares.

Foi em 1938 que, aos oito anos de idade, Crippen começou a colecionar gibis. Apenas um ano depois, inspirado por um amigo da família, ele decidiu que, dali por diante, iria comprar e guardar todas e quaisquer HQs lançadas nos Estados Unidos.

O que parecia ser somente uma ideia maluca de criança e fadada ao insucesso em pouco tempo, acabou dando muito certo. Primeiro, gastando toda sua mesada e, depois, já crescido, os salários que proviam o aumento da coleção, o colecionista inveterado foi juntando um tesouro.

Mesmo quando estudava na Universidade de Michigan, o devoto colecionador comprava e enviava para a casa de seus pais, em Washington, cada gibi publicado na América.

Crippen prosseguiu com sua missão até 1954, quando se casou e abandonou a empreitada. A imensa coleção, que somava mais de 11 mil exemplares, permaneceu guardada na casa da família, num porão seco e arejado, no zelo com que todo colecionador trata suas preciosidades, sejam elas quais forem.

O milagre

Na década de 1990, alguns itens dessa coleção, de forma misteriosa e aparentemente sem o conhecimento do dono, circularam no mercado de compra e venda de colecionáveis. As HQs, indiscutivelmente raras, se tornaram cobiçadas no meio e ficaram conhecidas como D copies, devido a um “D” escrito à mão nas capas.

Outro mistério: um código, também em manuscrito e estampado nas capas, composto por uma sequência de números seguida por outra de letras e finalizada por mais uma numérica. Tudo contribuindo para inflacionar o preço dos gibis.

Em 2005, o candidato a “santo dos colecionadores” faleceu. Logo após, seu filho mais novo catalogou todas as milhares de HQs, que se encontravam em Nova York com Davis Crippen desde que a antiga casa da família foi vendida, em meados dos anos 1970.

Depois, o herdeiro de Crippen resolveu colocar os gibis à venda na Heritage Auction Galleries, em Dallas. Na maior agência de leilões dos Estados Unidos, o mistério das D copies foi finalmente desvendado: o “D”, como ficou óbvio, é a inicial de Davis. O significado dos códigos alfanuméricos, entretanto, permanece insolúvel.

Popeye Action Comics # 50

Todos os títulos da coleção estão devidamente chancelados com a marca da CGC – Comics Guaranty, conceituada entidade que declara a autenticidade dos gibis antigos publicados nos EUA e estabelece os valores atuais de mercado.

Não é difícil entender a razão pela qual essa coleção particular é rotulada como a mais rara e valiosa já descoberta. Além de todas as HQs do acervo pertencerem à Era de Ouro dos quadrinhos, há edições consideradas únicas, sem quaisquer outras cópias conhecidas.

E ainda conta com muitos primeiros números de uma grande variedade de títulos dos mais diversos gêneros, como Walt Disney’s Comics and Stories # 1 (Dell Publishing, 1940). No caso dos exemplares de Suspense Comics # 3 (Continental Magazines, 1944) e Detective Comics # 35 (National Comics, 1940), existem oficialmente menos de dez cópias de cada em todo o planeta.

O que também chama a atenção é o nível de conservação dessas revistas. Segundo revelou a agência de leilão, elas se encontravam em estado de banca (ou comic shop, melhor situando).

Isso porque boa parte da coleção jamais foi lida ou sequer manuseada, conforme declara o filho de Davis Crippen. O cuidado com que as HQs estiveram acondicionadas também foi fundamental para que elas atingissem essa condição.

Essa coleção, mesmo desmembrada, continua até hoje circulando em comic shops e sites de leilão, cada vez mais aumentando seu valor, graças a toda a aura que envolve a história delas. E basta pronunciar a expressão D copies para despertar o interesse dos colecionadores norte-americanos.

Walt Disney's Comics and Stories # 1 Detective Comics # 35

Milionários

Em 2006, o Universo HQ noticiou que o primeiro lote da coleção havia sido vendido por nada menos que US$ 717 mil. Foram apenas 550 gibis.

Pouco tempo depois, a venda total passou da marca de 2,5 milhões de dólares, valor antes projetado como lance inicial e até agora a maior quantia já paga por uma coleção de revistas em quadrinhos pertencentes a uma única pessoa.

O fato correu o mundo e ganhou destaque em jornais, sites e revistas informativas.

A família de Davis Crippen se tornou milionária, graças aos quadrinhos. Mas é preciso dar créditos à viúva do colecionador, que permitiu o acúmulo de gibis do marido, desde que ele não ocupasse os espaços proibidos por ela.

“As revistas estavam sempre lá, mas nunca à minha vista”, disse Cynthia Crippen, na época da venda do primeiro lote. Com a ajuda do filho Tom, ela catalogou todas as milhares de HQs. “As pessoas falavam que eu deveria vendê-las, mas eu sabia o quanto elas eram importantes para o meu marido. Eu o amava, apesar de suas excentricidades.”

Agora, é só pedir a “São Davis” que proteja todas as coleções de gibis do mundo contra as forças malignas das traças e do mofo. E, se não for querer demais, que elas consigam valer muito além do preço de capa, em alguns anos.

Marcus Ramone tem centenas de gibis raros, mas insuficientes para torná-lo milionário.

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  • johaness vix

    CGC é pura especulação. COmics que mal valem 10 dólares sendo vendidos a 600 apenas porque estão em seu belo involucro CGC com nota 8.5 ou superior… ridículo.

  • Georjao

    Possuo cerca de 7.000 mil Revistas Marvel e DC de 66 até 2017… Será que já sou um milhonario???

    • Adriane Lima

      Queee! EU ESTOU INTERESSADAAAAAA

  • veronica rodrigues

    é verdade helder . como se ler fosse coisa do outro mundo

  • Sérgio Avelleda

    Você não faz absolutamente a menor idéia do que falou.

    1) “Não valem absolutamente”. Errado. Completamente errado.

    2)”são edições republicadas ” Parcialmente erradas (Além de não ser o único fator relevante, impacto histórico e raridade contam muito)

    3)”qualidade inferior”. Errado em muitos casos.

  • Sérgio Avelleda

    Não existem menos de dez cópias do Detective Comics 35. Existem ao menos 84 catalogadas, mais possivelmente algumas não catalogadas. Isso foi tão aburdo quanto dizer que um Pato Donald 1 vale mais que um Gibi Mensal 1A.