A importância dos quadrinhos na trajetória de sucesso da Editora Globo

Por Marcelo Naranjo
Data: 26 março, 2015

Celebrando o aniversário de 60 anos, um livro ricamente ilustrado, lançado em 2012, conta toda a história e os títulos publicados pela editora. Pena que não está à venda.

 

Desvenda-se o mistério da letra G! Com a letra G começa Gibi, que é o nome de uma formidável revista juvenil

Quando o Gibi aparecer, vocês sentirão um prazer maior de viver!

Gibi arrancará de vocês gritos de entusiasmo!

Não, as frases não eram brincadeira.

Década de 1930. Tudo teve início quando, já na direção do jornal O Globo, após o falecimento do pai, Roberto Marinho recebeu uma oferta de Adolfo Aizen para publicar uma série de suplementos diários temáticos, dentre eles o de quadrinhos, como encarte de jornal. Mas achou a ideia economicamente arriscada.

Aizen, então, lançou o projeto no jornal A Nação, do coronel João Alberto Lins de Barros. O Suplemento Juvenil fez tanto sucesso que acabou sendo publicado separado do jornal, circulando três vezes por semana.

Impressionado com o sucesso, Marinho acabou colocando nas bancas O Globo Juvenil, com um expediente comum na época: a distribuição de prêmios para estimular as vendas. Deu certo. Mas como a maioria do material mais interessante estava com Aizen, Marinho mobilizou desenhistas brasileiros para criar HQs.

O Globo Juvenil # 1 O Globo Juvenil # 2

Dois anos depois, sempre mantendo boas vendas, Roberto Marinho fez nova aposta, quando O Globo lançou com estardalhaço sua primeira publicação no formato revista em quadrinhos: Gibi. A revista trouxe todos os grandes personagens da época, como Flash Gordon, Príncipe Valente, Popeye, Pato Donald, O Fantasma Voador, Jim das Selvas e tantos outros. Sucesso garantido. Enquanto isso, dava seguimento ao O Globo Juvenil e jovens como Antônio Calado e Nelson Rodrigues assumiam a tarefa de editar os quadrinhos.

E não parou por aí. Na sequência, surgiram outros títulos, como O Gibi Mensal e a Coleção Gibi, esta última em formato de bolso. Brucutu, Ferdinando e outros eram presenças cada vez mais assíduas nas bancas. Marinho expandiu seus negócios enquanto os concorrentes se mexiam, como Assis Chateaubriand, que lançou O Guri – O Filhote do Diário da Noite, com páginas em cores.

Mas Marinho seguiu inovando e lançou o Almanaque de O Globo Juvenil, com nada menos que 170 páginas, para que os filhos pedissem aos pais, como presente de Natal. Ele apostou também numa revista de vanguarda, Rio, com nomes importantes das artes e das letras brasileiras, trazendo sempre capas de nomes que eram – e ainda são – referência da arte nacional.

Gibi Mensal O Globo Juvenil Mensal

Nessa época, teve início o ataque aos quadrinhos no Brasil, com acusações de que eles aumentavam a delinquência juvenil, criavam “preguiça mental”, desnacionalizavam nossos jovens e elevavam os estrangeirismos ao tornar a redação imperfeita ou descuidada. Marinho teve que combater os ataques, que seguiram durante toda a década de 1950.

Mas o editor seguiu apostando nas HQs e colocou nas bancas Shazam!, revista em quadrinhos com recorde absoluto de mais de 250 mil exemplares vendidos no primeiro número.  Surgiu, também, a revista Biriba, com personagens como Joe Sopapo, Dick Tracy, Morcego Negro (na verdade o Batman, cuja identidade secreta era… Bruno Miller!).

E tudo isso é apenas um pequeno resumo do que se encontra somente no primeiro capítulo do livro Um Mundo de Impressões – 60 Anos da Editora Globo (capa dura, 296 páginas, 2012), distribuído apenas para anunciantes e internamente na própria editora, celebrando seu aniversário de 60 anos – alguns números chegaram a ser sorteados no Facebook da empresa e eventualmente um ou outro exemplar pode ser encontrado à venda em sebos ou sites de leilão.

Cavaleiro NegroFantasma Magazine

Na sequência da obra, os autores, o jornalista Gonçalo Junior (A Guerra dos GibisO Homem-Abril) e Thiago Blumental contam como Marinho construiu um galpão enorme para sede da sua nova empreitada, a RGE – Rio Gráfica e Editora, que se esmerou em lançar diversos gêneros de revistas, na grande maioria das vezes com êxito.

Como Cinderela, que trazia quadrinhos de amor e posteriormente fotonovelas. Cinelândia destacava as notícias do cinema norte-americano. Cine Aventuras trazia a versão em fotonovelas de filmes famosos. Radiolândia aproveitou o enorme sucesso e popularização do rádio como veículo de comunicação para falar sobre o meio, especialmente com cobertura do mundo da música.

E os quadrinhos? Na década de 1950, a editora foi a maior publicadora de quadrinhos do País!

Júnior, em formato horizontal, começou com aventuras de heróis obscuros, depois trouxe o ranger Tex Willer, surgido na Itália. Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Águia Negra, Mandrake, Nick Holmes, Rocky Lane, O Santo Magazine, Don Chicote, Marvel Magazine… a editora não parava. O Fantasma merece destaque especial – a publicação circulou sem interrupção até o número 371, de 1986.

Na editora, nomes importantes como Gutemberg Monteiro, Getúlio Delfim, Hof, Flavio Colin, Lutz, César Vilella, Varlô Ribeiro, Mario Salles e Benício Fonseca, dentre outros, faziam parte da história das histórias em quadrinhos brasileira.

Tex Marvel Magazine # 1

Mas nem tudo eram flores e os opositores dos quadrinhos atacavam, em especial os concorrentes de Marinho, acusando os gibis de levarem as crianças aos caminhos do crime e – pasme – perversão sexual! Reaproximado de Adolfo Aizen, que colocava nas bancas títulos como a série Bíblia Sagrada e Edição Maravilhosa, Marinho optou por mostrar as possibilidades educacionais do gênero e publicou a Enciclopédia em Quadrinhos, reunindo nos textos autoridades reconhecidas. Ele também lançou Romance em Quadrinhos, com a adaptação de clássicos conhecidos, divulgando uma série de opiniões favoráveis de personalidades de destaque.

Enquanto confere fotos da época, como o parque gráfico da editora, os funcionários trabalhando e diversas capas de revista, o leitor acompanha as mudanças no mercado publicitário, por volta do final da década de 1950, que impactariam o rádio e a publicação das revistas. O agitado e concorrido mercado das bancas era disputado por diversas editoras. Roberto Marinho deixou, então, a RGE sob o comando de Rubens de Oliveira e Djalma Sampaio para realizar um antigo sonho – montar um canal de TV.

Revistas policiais faziam enorme sucesso e a RGE entrou no mercado com um título que “estourou” nas bancas: a revista X-9. Nos quadrinhos, heróis nacionais marcaram presença com Jerônimo, O Herói do Sertão, de Edmundo Rodrigues, e As Aventuras do Anjo, de Flavio Colin. Os quadrinhos ganhavam especiais de fim de ano que faziam a alegria da garotada – os almanaques de Fantasma, Flash Gordon, Cavaleiro Negro, Jerônimo, Capitão Marvel, Cavaleiro Fantasma, O Anjo e Mandrake.

Na década de 1960, o mundo passaria por mudanças sem precedentes – a Guerra Fria, o assassinato de John Kennedy, a chegada do homem à Lua, a revolução sexual. Novos tempos pediam novas revistas, e a RGE lançou Garotas, para mulheres na faixa etária entre a adolescência e o inicio da maioridade. Fotonovelas seguiam sendo um grande sucesso. A editora passou a estampar um estranho selo em suas publicações, cujo significado era que a revista tinha sido submetida à censura.

Representantes de desenhistas e roteiristas de HQs eram recebidos por Jânio Quadros, então presidente do Brasil. Eles querem um decreto de reserva de mercado para que dois terços dos gibis publicados tivessem material nacional – a alegação era que o material dos Estados Unidos era distante da cultura nacional e pregava a violência. As editoras reagiram e criaram um código de censura, que passou a ser estampado na capa da maior parte das publicações. Posteriormente, o presidente João Goulart chegaria a baixar essa lei, mas a medida não chegou a ser regulamentada devido ao golpe militar de 1964.

X-9 Brucutu Magazine # 1

A editora seguiu forte em sua linha de quadrinhos, agora com a febre das HQs de faroeste, e o lançamento de novos títulos infantis, como Ferdinando, Fix e Fox e O Reizinho, por exemplo. As meninas não foram esquecidas, com a publicação de Queridinha, Belinda e Brotoeja. Surgiu outro título que figuraria como um dos maiores sucessos da editora, Recruta Zero, que teria 292 números publicados, além de almanaques e edições extras – não só o público infantil, mas os adultos adoravam a série. Nas bancas, Brucutu, Agente Secreto, Cavaleiro Fantasma, Rei da Polícia Montada, Killing, Jim das Selvas, Pafúncio, Gato Felix, Riquinho… opções não faltavam.

Com novas máquinas, as revistas ganharam cores. Nessa época, dois importantes nomes mereceram destaque no quadro da editora – Primmagio Mantovi cuidou do setor de quadrinhos e fez HQs do Recruta Zero e do ratinho Topo Gigio, além de lançar a revista do palhaço Sacarrolha. Walmir Amaral desenhou HQs do Fantasma e fez as capas do título, que teria outros autores criando suas HQs – Wanderley Mayhé, Adauto Silva, Júlio Shimamoto e Antônio Homobono, com roteiros do próprio Amaral e de José Menezes.

A partir dos anos 1970

A concorrência com a TV não fez cair as vendas dos títulos. Peloo contrário. Aderindo ao popular formatinho, a editora lançou HQs que se tornaram inesquecíveis, como a versão em quadrinhos do Sítio do Pica Pau Amarelo e o fabuloso Gibi Semanal, que duraria somente 40 números e seria sempre lembrado como uma das melhores coleções de quadrinhos já lançadas, com uma seleção impecável de HQs mundiais – tudo com a supervisão de Sonia Hirsch, editora na época. O título daria origem ainda ao Almanaque do Gibi Nostalgia, Almanaque do Gibi Atualidade e ao Gibi Mensal.

Kripta, em 1976, foi uma aposta acertada no gênero terror, trazendo grandes nomes dos quadrinhos internacionais, durando 60 edições e também gerando “filhotes”, com almanaques, superalmanaques, edições especiais e títulos como Dr. Corvus, Fetiche, Pânico e Vampirella.

Gibi SemanalKripta # 1

E a editora não parava – na sequencia, em 1978, os heróis Marvel aportaram por lá, com Os Quatro Fantásticos, O Incrível Hulk, O Homem-Aranha, Super-Heróis Marvel, Almanaque Marvel, Almanaque Premiere Marvel. E tinha muito, muito mais, tudo em formatinho – Dico o Artilheiro, Riquinho, Mortadelo e Salaminho, Kid Colt, Pimentinha, Bolota, Brotoeja, Tininha, Mister Magoo, Popeye, Cacá e sua Turma, Ferdinando, Super-Mouse, Carga Pesada, Condorito, Scooby-Doo, Os Flinstones, Zé Colmeia e muitos outros, inclusive na linha dos gibis italianos da Bonelli, dando continuidade à publicação do ranger Tex, anteriormente publicado pela Vecchi, e relançando Zagor.

Uma curiosidade sobre Carga Pesada – a adaptação em quadrinhos da série de TV protagonizada por Antônio Fagundes e Stênio Garcia teve dois números publicados, com 100 páginas cada, em 1980. Existia uma “lenda urbana” de que um terceiro número nunca chegou a ser lançado, apesar de ter sido impresso. E a história é verdadeira. Uma das versões sobre o fato é que o caminhão na TV tinha mudado de patrocinadores e o da HQ estava com a antiga marca.

Outra coleção que chamou a atenção foi Quadrinhos de Bolso, em formato horizontal, com 12 títulos: Asterix, Lucky Luke, Mago de ID, Zezé, Iznogud, Touro Sentado, Recruta Zero, Hagar, Frank & Ernest, A.C.,Versus e Mãe.

Carga Pesada O Incrível Hulk # 1

Os outros segmentos também iam bem. A editora arriscava e quase sempre acertava, com vários cursos profissionalizantes e revistas como Arte Moderna, Criativa e Globo Rural – esta última, baseada no programa de TV homônimo, esgotara seu primeiro número com tiragem de 80 mil exemplares, além de esgotar as duas tiragens seguintes, num trabalho editorial meticuloso que envolvia a equipe de TV e uma turma exclusiva de jornalistas.

Ocorreu, assim, mais um dos grandes momentos da editora. Mauricio de Sousa, insatisfeito com a Editora Abril, que não aceitava aumentar a tiragem de seus títulos – juntos, eram impressos  cerca de um milhão de exemplares por mês, mas um problema com o contrato da Abril com a Disney freava o crescimento do artista/empresário.

Mauricio viajou para o Rio de Janeiro e, após uma reunião com Roberto Marinho que resultou num longo e agradável bate-papo, retornou para São Paulo e fez nova tentativa, sem sucesso, de acerto com a Abril. Ele decidiu, então, fazer sua mudança para a Globo. No primeiro mês, foi necessária uma grande operação que envolveu imprimir as revista na Espanha, pois era final de ano e em janeiro as gráficas estariam de férias. Assim, em 1987 os títulos chegaram às bancas e a tiragem aumentava para nada menos que 4,5 milhões de exemplares (!) mensais.

Na editora, o Fantasma continuava muito bem de vendas, com direito a um núcleo de produção de suas histórias no Brasil. Celebrando 30 anos da revista, foi lançado um fac-símile do número 1, o que possibilitaria a publicação da coleção Gibi de Ouro, com a reimpressão dos primeiros números de Mandrake, Fantasma, Ferdinando, Nick Holmes, Cavaleiro Negro e Búfalo Bill, além do segundo número de Fantasma.

Cebolinha # 1 Almanaque da Xuxa

A lista de títulos de HQ da editora seguiu com novidades. Xuxa, Leandro e Leonardo, Sérgio Mallandro, Chaves & Chapolim e Revistão do Faustão marcaram presença nas bancas. E outros títulos juntaram-se aos grandes sucessos da editora, como as revistas Faça Fácil, Criativa e Speak Up (esta, de idiomas).

Nessa época, final da década de 1990, surgiu o nicho dos leitores de quadrinhos adultos, após a publicação do Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, pela Abril, e a Globo decidiu entrar no segmento. Para tanto, contratou o editor Leandro Luigi Del Manto e lançou diversos títulos.

O destaque fica para Sandman, de Neil Gaiman, cuja edição nacional trazia, além da HQ, quatro páginas centrais com matérias ligadas ao tema. Dreadstar, Orquídea Negra, AkiraV de Vingança foram outros títulos de peso lançados pela editora.

Outros quadrinhos publicados nessa época foram Time 2, Marada – A Mulher Lobo, Demônio da Mão de Vidro, Samsara, O Último Americano, Viagem a Tulum, Príncipe de Aliors, Liberdade – Um Sonho Americano, Mundo sem Fim, a minissérie Moebius, Moonshadow e Lobo (aquele mesmo, o alienígena barra-pesada da DC Comics).

Coleções de livros em bancas, Marie Clare, Pequenas Empresas Grandes Negócios, Moda Brasil, Crescer, Globo Ciência, cursos, guias, séries em fascículos, enciclopédias, manuais… a editora seguia com novidades.

Em 1997, um título fundamental chegava às bancas – a revista Época, com a proposta de ser uma leitura leve e ao mesmo tempo profunda.

Um ano antes, a Wizard ganhava sua versão nacional Wizard – Guia dos Quadrinhos, que durou 15 números e deixou até hoje os fãs com saudades. Nos quadrinhos, Mauricio de Sousa diversificou sua linha de gibis com diversos títulos em formatos variados.

De 2003 em diante, a Globo seguiu apostando em novos títulos e lançou revistas como Única – Quem Sou, Quem Acontece, Vogue, Casa Vogue e GQ, além de retomar a produção de revistas com O Sítio do Picapau Amarelo e publicar títulos infantis baseados nos personagens do cartunista Ziraldo. E muito mais ocorreria nos anos seguintes.

Tudo isso é um pequeno resumo desta obra de fôlego, que abrange acontecimentos de 1911 até 2012, belamente ilustrada, com cada capítulo contextualizado em sua devida época, graças à farta pesquisa histórica, apresentando toda a trajetória de um dos maiores grupos de comunicação do Brasil, com ênfase no meio editorial e particularmente na figura de Roberto Marinho.

Ainda que o foco desta matéria esteja principalmente no que o livro traz sobre as histórias em quadrinhos, a obra é muito mais ampla do que isso e conta em detalhes sobre todas as principais publicações que fizeram parte da incrível história de sucesso da editora.

Um Mundo de Impressões – 60 Anos da Editora Globo, como já dito, infelizmente não chegou a ser colocado à venda. Mas sempre é tempo e, quem sabe, a editora não possa analisar essa possibilidade? Os leitores, colecionadores e todos os apaixonados pela história do mercado editorial seriam eternamente gratos – e isso, com certeza, não é só uma impressão do autor do texto.

O Menino Maluquinho # 1Um Mundo de Impressões - 60 Anos da Editora Globo

O Universo HQ conversou com Gonçalo Junior sobre o livro. Confira a entrevista.

Universo HQ: Como surgiu a ideia ou o convite para escrever essa obra?

Gonçalo Junior: Foi engraçado. Alguém da diretoria da Globo soube que pensavam em publicar um livro sobre os 60 anos da RGE/Globo e, na reunião para bater o martelo, sugeriu: podiam chamar o autor de A Guerra dos Gibis. Em seguida, explicou que falava muito de Roberto Marinho e da RGE. Por coincidência, a dona do escritório que cuidaria do projeto não só me conhecia como é muito minha amiga.

UHQ: O livro é repleto de informações e imagens. De que maneira foi feita a pesquisa?

Gonçalo: O escritório que produziu o livro contratou um jovem jornalista para me ajudar na pesquisa, Thiago Blumenthal, rapaz muito competente. Ficamos um mês trancados nos arquivos da Globo e levantamos todas as publicações desses 60 anos. Ao menos a maioria, cerca de 90%, por que eu tinha várias que não estavam lá. Depois, Thiago me ajudou nas entrevistas e eu fiz a pesquisa, entrevistei várias pessoas e fiz o texto final. Além disso, consegui muitas fotos de arquivo dos entrevistados, que as cedeu gentilmente.

UHQ: Como você resumiria a importância da Editora Globo para o mercado editorial?

Gonçalo: A RGE/Globo foi fundamental para que Roberto Marinho montasse seu império de comunicação. Sem as vendas altíssimas de revistas, acredito que não teria montado a Rede Globo. Para a história dos quadrinhos, foi tão importante ou mais que a Ebal, de Adolfo Aizen. Este chegou a abandonar o mercado por um tempo, na década de 1940. E Marinho segurou a peteca, apesar de alguns poucos títulos de O Guri, de Assis Chateaubriand. Eu arrisco a perguntar: se a RGE não tivesse existido, teria havido mercado de quadrinhos em escala de massa no Brasil? Talvez não.  Marinho tomou os heróis de Aizen, expandiu o mercado com vários lançamentos e jamais deixou de supri-lo. Mesmo com o crescimento da Abril. São muitos aspectos de uma história incrível que ainda precisa ser bem pesquisada e contada.

UHQ: O livro não será mesmo publicado para o grande público?

Gonçalo: No início, havia essa possibilidade. Mas já se passou um ano e nunca mais se falou nada. É de partir o coração saber que os fãs de quadrinhos nunca terão esse livro em sua coleção, para conhecer a história e se deleitar com as imagens. Penso que uma campanha pelas redes sociais e no SAC da Globo poderia reacender a produção de uma edição comercial.

Marcelo Naranjo decidiu que, assim que conseguir todos os títulos em quadrinhos citados nesse livro, vai dar um tempo de colecionar gibis. Pena que o pessoal do Universo HQ não acredita nele.

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