Os melhores quadrinhos de 2008

Por Sidney Gusman
Data: 21 janeiro, 2009
Por Sidney Gusman, com a colaboração de Eduardo Nasi nos títulos regulares

.

Mesmo num ano que terminou repleto de incertezas para os leitores de quadrinhos, houve grandes lançamentos, excelentes republicações e uma ótima safra de HQs nacionais

.

Os melhores quadrinhos de 2008O mercado brasileiro de quadrinhos terminou 2008 cheio de incertezas. E as editoras optaram pelo silêncio, deixando os leitores sem informações, mesmo com a insistência da imprensa em obtê-las.

A Conrad teve, sem dúvida, o pior ano de sua história. Vários atrasos em lançamentos de livros, mangás “interrompidos”, sem sinal de que serão retomados, e o conturbado processo de venda da editora, que quase foi adquirida pela Ediouro, mas deve terminar 2009 como um selo da Ibep/Companhia Editora Nacional.

A Pixel Media, que ganhou o HQ Mix de melhor editora de 2007, parece ter perdido o fôlego. Com a demissão de seu editor-chefe, Cassius Medauar, as informações sobre o prosseguimento do trabalho rarearam. A Ediouro, que é dona da Pixel, se restringiu apenas a um vago comunicado oficial dizendo que nada mudaria, mas o fato é que os leitores não sabem, por exemplo, se as revistas mix Pixel Magazine e Fábulas Pixel sairão das bancas; ou se álbuns de séries como Preacher e Sandman continuarão sendo produzidos.

A Panini Comics deu menos sustos em seus leitores. Mesmo assim, diminuiu o número de lançamentos para livrarias, não retomou (como havia prometido) sua linha de HQs europeias, não deu qualquer satisfação sobre a não continuidade dos títulos da Top Cow e da Virgin e enfrentou diversos atrasos – quem acompanhou o mangá Seton – Um naturalista viajante, por exemplo, está há mais de oito meses esperando pelo segundo volume.

A promissora Desiderata teve o ritmo de lançamentos (sempre de quadrinhos nacionais) diminuído após ser adquirida pela Ediouro. E a Multi Editores, após estrear com a série O Terceiro Testamento, deu uma sumida e também não responde as questões sobre a continuidade do trabalho.

Mas, mesmo assim, não se pode dizer que o mercado foi drasticamente afetado. Afinal, a média mensal de lançamentos – contando os independentes – continuou acima dos 100 títulos. E saiu muito material bom, com destaque para o número cada vez maior de republicações, tanto de obras consagradas quanto de HQs de qualidade duvidosa.

Além disso, houve burburinhos interessantes nos lançamentos de Dimensão DC – Lanterna Verde, da minissérie Hulk contra o mundo e, principalmente, de Turma da Mônica Jovem, que chegou a ter tiragens acima de 400 mil exemplares e se tornou – ao menos em termos numéricos – o maior lançamento de quadrinhos das últimas três décadas. A revista ainda se tornou habitué das principais listas das obras mais vendidas em livrarias.

E, na contramão das editoras especializadas em quadrinhos, que se mostravam receosas ao fim de 2008, a Companhia das Letras anunciou a criação de um selo especializado em HQs, que publicará excelentes materiais estrangeiros e também álbuns brasileiros.

Por falar nisso, 2008 foi marcado também por ótimos quadrinhos nacionais. Mais uma vez, não fosse o UHQ contrário a esse tipo de segmentação, seria fácil montar um ranking só de materiais brasileiros, como será visto nas listas abaixo.

Um fato que merece elogios, especialmente porque em 2007 foi um ponto negativo apontado pelo Universo HQ, foi o cuidado com a língua portuguesa. As editoras Panini e Pixel passaram a ter revisão mais apurada e o número de erros caiu bastante, elevando a qualidade dos produtos.

Após esse rápido resumo, é hora de conhecer os melhores de 2008. Selecionamos 20 obras dentre edições especiais e minisséries, 20 relançamentos e dez títulos de periodicidade regular. Os critérios na escolha foram: ser, literalmente, uma história em quadrinhos (livro ilustrado não vale) e ter sua publicação iniciada ou concluída durante o ano passado.

Um critério que trazia bastante confusão em nossas listas anteriores era o de considerar como inéditas obras que tivessem parte de histórias republicada e parte de material que nunca havia sido publicado por aqui. Para tentar “arrumar a casa”, passam a ser consideradas inéditas apenas obras que tiverem mais da metade de suas páginas de HQs nunca lançadas no Brasil em formato de revista ou álbum.

Um caso à parte são algumas coletâneas de tiras. As que já haviam sido lançadas em álbum, caso de Calvin & Haroldo, entram no time das republicações. Mas as que haviam saído em jornais, mas cujo material ainda não tinha sido completamente compilado em livro ou revista, casos de As Tiras Clássicas da Turma da Mônica, Níquel Náusea – Em boca fechada não entra mosca e de algumas compilações da L±.

Por fim, títulos regulares, além das revistas mensais, são os que, mesmo com duração limitada, não foram concebidos como minissérie.

Então, confira abaixo, em ordem decrescente, os melhores lançamentos de 2008.

Edições especiais e minisséries

Clara da Noite20) Clara da Noite (Zarabatana) – Este álbum, só de histórias de duas páginas em preto e branco, sobre o dia-a-dia de uma prostituta é uma leitura despretensiosa, leve e, por isso mesmo, deliciosa. Com piadas envolvendo sexo, Carlos Trillo faz rir mesmo quando aborda temas que poderiam não ter graça, como estupro, gravidez e cegueira. A protagonista encanta pela leveza com que toca sua vida. E há os desenhos de Jordi Bernet – ele deixa Clara da Noite simplesmente irresistível. Fica a torcida para que a Zarabatana publique os demais álbuns da série – lá fora há, pelo menos, mais quatro.
Violent Cases
19) Violent Cases (HQM) – Esta é primeira história em quadrinhos escrita por Neil Gaiman e desenhada por Dave McKean. Está longe de ser um clássico, mas é uma boa HQ. A trama é sobre um homem que relembra um fato marcante de sua infância, quando, aos quatro anos, após ter deslocado o braço, foi levado pelo pai a um osteopata que alegava ter trabalhado para Al Capone. A maneira como passado e presente se mesclam mostram um quase embrião do que se tornaria uma das marcas registradas de Gaiman em Sandman. A edição vale também para mostrar o traço “puro” de McKean, sem pintura, que foi pouco visto por aqui, mas é tão competente quanto.
Supremo - A Era Moderna
18) Supremo – A Era Moderna (Devir) – Quando publicou Supremo no Brasil, anos atrás, a Brainstore não incluiu diversas histórias do personagem, que permaneceram inéditas por aqui. Sorte da Devir, que relançou esta grande homenagem de Alan Moore ao Superman de maneira integral, com uma tradução melhor; e do leitor, que enfim pôde ler todas as aventuras do super-herói. Os desenhos são de Jim Starlin, Rob Liefeld, Matt Smith, Ian Churchill e Jim Baikie. A edição traz ainda um extra bacana: uma matéria sobre a vida e a carreira de Jack Kirby, homenageado na última
HQ do Supremo.
Asterix e seus amigos
17) Asterix e seus amigos (Record) – Esta linda lembrança ao octogésimo aniversário de Albert Uderzo não poderia ser esquecida. A edição traz convidados do naipe de Milo Manara, David Lloyd, Stuart Immonen, Vicar (chileno famoso por suas HQs Disney), Jean Van Hamme, François Boucq, William Vance, Zep, Jacques de Loustal e grandes nomes do mercado franco-belga, todos contando histórias dos irredutíveis gauleses. Como bem escreveu Eduardo Nasi em sua resenha: “de repente, por gratidão a uma HQ canônica, vários criadores se unem e constroem uma homenagem feita de histórias simples, gostosas de ler, cheias de bom humor – e isso basta para fazer um álbum memorável”.
Local - Ponto de Partida
16) Local – Ponto de Partida (Devir) – Muito interessante a sacada do roteirista Brian Wood (de DMZ) de produzir uma série na qual a protagonista Megan McKeenan vive cada capítulo em uma cidade diferente dos Estados Unidos – e nem sempre ela é a personagem principal. Todas as tramas são autocontidas e cada uma delas representa um ano na vida da jovem. As histórias enfocam o dia-a-dia de pessoas comuns diante de situações e escolhas que não são tão simples quanto parecem. Os desenhos de Ryan Kelly estão longe de ser brilhantes, mas dão conta do recado.
Hellboy - O Clamor das Trevas
15) Hellboy – O Clamor das Trevas (Mythos) – Depois de quase uma década de publicações esparsas, em 2008 a Mythos deu a Hellboy o tratamento que a série merecia, com álbuns inéditos e republicações. Nesta aventura, após passar dois anos preso no fundo do oceano, o demônio vermelho retorna da morte numa ilha sinistra. O problema é que logo se mete em outra encrenca, desta vez com a poderosa feiticeira Baba Yaga. E tome mistério e pancadaria! Com roteiro de Mike Mignola e a bela arte de Duncan Fegredo, que segura muito bem a onda de substituir o criador do personagem.

Predadores 14) Predadores (Devir) – Quando perdeu os direitos de publicação dos materiais da Vertigo e da Wildstorm, a Devir tratou de buscar em outros nichos opções que satisfizessem seus leitores. E achou várias. Predadores, escrita por Jean Dufaux e desenhada pelo magnífico Enrico Marini, é uma delas. A saga dos vampiros Drago e Camilla, que cometem vários assassinatos e deixam uma inscrição nas paredes, corpos completamente esvaídos de sangue e uma agulha espetada atrás da orelha direita é envolvente. E cresce ainda mais quando entra em cena a policial Lenore. Que a Devir publique logo os dois tomos restantes.

Mortos-Vivos - Volume 3 - Segurança atrás das grades  13) Mortos-Vivos – Volume 3 – Segurança atrás das grades (HQM) – Neste terceiro volume da série, Robert Kirkman, agora acompanhado por Charlie Adlard nos desenhos, deixa o leitor ansioso da primeira à última página. Os sobreviventes comandados pelo policial Rick Grimes se refugiam no prédio de uma antiga prisão de segurança máxima, onde encontram ex-detentos. Mesmo com um bom estoque de alimentos, as desconfianças mútuas deixam a trama carregada de tensão. Pela primeira vez, os humanos descobrem que podem ser mais perigosos para si mesmos do que os zumbis comedores de carne que estão do lado de fora.

Macanudo # 1 12) Macanudo # 1 (Zarabatana) – Enfim o argentino Liniers, que virou cult mundo afora, estreou no mercado brasileiro. Os nossos jornais ainda não publicam sua tira Macanudo, que desde 2002 é sucesso no La Nación, de Buenos Aires, mas a Zarabatana tratou de lançar sua primeira coletânea. Com influência declarada de clássicos como Calvin, Mafalda e Peanuts, Macanudo prima por sacadas sutis, mesmo sem fazer piada sempre. Este primeiro álbum ainda mostra o autor inconstante, com vários altos e baixos, mas dá mostras de que sua criação deve ocupar postos mais altos em próximas listas.

Surfista Prateado - Réquiem 11) Surfista Prateado – Réquiem (Panini) – O Surfista Prateado está prestes a morrer e vem à Terra em busca de uma ajuda que não virá. Diante do fim inevitável, o ex-arauto de Galactus percorre nosso planeta antes de encontrar seu fim. Pelas palavras acima, tinha tudo para ser mais uma HQ fajuta de morte de super-heróis, mas J. Michael Straczynski construiu uma trama emocionante, bonita até – especialmente na participação do Homem-Aranha. E sua missão foi ajudada pelos competentes desenhos de Esad Ribic. Uma leitura bastante agradável, desde que se tenha em mente que morte de super-herói sempre é reversível ou acontece “fora da cronologia”.

O Fotógrafo # 2 - Uma história no Afeganistão 10) O Fotógrafo # 2 – Uma história no Afeganistão (Conrad) – Continuando sua missão no Afeganistão, o fotógrafo Didier Lefèvre chega a Zaragandara, cidadezinha em que vai registrar o trabalho da organização Médicos Sem Fronteira em um hospital que não é mais do que uma pequena cabana sem equipamentos. A mescla de fotos e quadrinhos (desenhados por Emmanuel Guibert, que também assina o roteiro) mostra uma realidade que os ocidentais pouco conhecem e as grandes mídias não exibem. Com imagens fortes, trata-se de uma obra literalmente verdadeira, em que finais felizes são a ficção. Os fãs esperam que a Conrad traga logo ao Brasil o terceiro e último volume da série.
Che - Os últimos dias de um herói
9) Che – Os últimos dias de um herói (Conrad) – Esta biografia em quadrinhos do médico e guerrilheiro Ernesto “Che” Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana, reúne três grandes nomes das HQs argentinas: o roteirista Hector Oesterheld e os desenhistas Alberto Breccia e Enrique Breccia. É uma obra para ser lida e vista com atenção, com um texto bem trabalhado, mas que claramente não é para o leitor de quadrinhos “comum”. Apesar de carecerem de uma narrativa mais fluida, os desenhos dos Breccia são belíssimos. Enfim, independentemente das preferências ideológicas e políticas dos autores, Che é uma boa história em quadrinhos.

Antes do Incal 03 - Vhisky, SPV e Homeo-Prostitutas & O Beco do Suicídio 8) Antes do Incal 03 – Vhisky, SPV e Homeo-Prostitutas & O Beco do Suicídio (Devir) – Apesar do nome, a série de seis álbuns (aqui publicados em três) Antes do Incal foi criada depois de Incal. E o roteirista Alejandro Jodorowsky conseguiu fazer uma obra digna de sua antecessora. Zoran Janjetov não é Moebius, mas dá conta da arte com sobras. Neste tomo especificamente, a grande sacada é que, apesar de ser ficcional, futurista, cheia de naves, robôs e alienígenas, a história lida com a essência do ser humano. A começar pela cutucada que dá na idolatria idiota aos programas de televisão. Uma boa pedida é emendar a leitura desta saga com Incal e ver a naturalidade com que a trama flui.

Mesmo Delivery 7) Mesmo Delivery (Desiderata) – Rafael Grampá (vencedor do Eisner Award na categoria Melhor Antologia, com a revista independente 5, ao lado dos gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon) estreou em grande estilo em seu primeiro álbum solo – lançado primeiro nos Estados Unidos, pela AdHouse Books. O ex-boxeador Rufo é contratado pela companhia Mesmo Delivery para levar uma carga misteriosa a um determinado lugar sem abrir o contêiner do caminhão e na companhia do velho Sangrecco. Pode não ser uma trama primorosa, mas é muito bem amarrada e traz desenhos primorosos e detalhistas, além de uma narrativa digna do cinema, com tomadas variadas e ângulos quase inimagináveis.

Prontuário 666 6) Prontuário 666 (Conrad) – Como enalteceu em sua resenha o jornalista Eduardo Nasi, Prontuário 666 foi um dos grandes lançamentos de 2008: não só pela HQ fantástica que é, mas pelo papel fundamental que tem em revigorar nos quadrinhos um dos mais importantes personagens da cultura brasileira. Na história, passada em 1988, dentro da Casa de Detenção de São Paulo, os autores Samuel Casal (roteiro e arte) e Adriana Brunstein (texto) retratam o encarcerado Zé do Caixão como um homem em busca da mulher perfeita para criar uma linhagem de seres humanos superiores, num lugar onde pode matar à vontade. Uma HQ que faz jus ao mito criado por José Mojica Marins.
Fell - A cidade brutal - Volume 1
5) Fell – A cidade brutal – Volume 1 (Landscape) – O detetive de polícia Rich é transferido para a tenebrosa Snowtown, um lugar onde andar fora da lei parece ser o correto. O plot não tem nada extraordinariamente inovador, mas o roteirista Warren Ellis se encarrega de deixar a trama instigante, sempre com histórias autocontidas. E os desenhos “nervosos” de Ben Templesmith dão à história o necessário tom de mistério. O álbum compila as oito primeiras edições originais norte-americanas. Agora, espera-se que Ellis e Templesmith dêem continuidade ao projeto – e a Landscape, que estreou no mercado de quadrinhos com Fell (e o horrendo Sam Noir – Detetive Samurai), possa continuar a série.

Chibata! - João Cândido e a revolta que abalou o Brasil  4) Chibata!
– João Cândido e a revolta que abalou o Brasil
(Conrad) – Eis (mais) um exemplo de quanto o quadrinho nacional pode ter qualidade, mesmo abordando assuntos da nossa História que permaneciam esquecidos ou até desconhecidos. Ao resgatarem a epopeia de João Cândido, o Almirante Negro, que em 1910 comandou uma rebelião de marujos brasileiros (quase todos negros) cansados de serem tratados como escravos, o roteirista Olinto Gadelha e o desenhista Hemeterio construíram uma grande HQ e prestaram um serviço ao País. Afinal, trata-se de uma passagem vergonhosamente escondida pela Marinha brasileira durante décadas.
O Cabeleira
3) O Cabeleira (Desiderata) – Este foi um dos grandes álbuns de quadrinhos nacionais de 2008. Com um roteiro envolvente e cheio de flashbacks, Leandro Assis e Hiroshi Maeda mostram ao leitor como foi forjado o bandoleiro José Gomes, mais conhecido como Cabeleira. E com desenhos inspirados do veterano Allan Alex, que dá um show na diagramação das páginas e nos enquadramentos. Enfim, uma obra que faz jus ao livro de Franklin Távora, que a inspirou, publicado em 1876 e considerado o primeiro romance regionalista ambientado no Nordeste do Brasil.
O Pequeno Príncipe
2) O Pequeno Príncipe (Agir) – Esta belíssima HQ chegou às livrarias quase no final do ano, o que a deixou fora de algumas listas elaboradas antes de 2008 chegar ao fim. Uma pena. Mais que adaptar o clássico livro de Antoine de Saint-Exupéry, o premiado quadrinhista Joann Sfar (autor da série O Gato do Rabino) imprimiu à obra seu toque pessoal, deixando-a tão marcante quanto a original, mas com um quê diferente e encantador. Não à toa, a conceituada revista literária francesa Lire o elegeu como o melhor álbum de quadrinhos da França em 2008. Ponto para a Agir, selo da Ediouro, pela rapidez em trazer a obra para o Brasil.

Os Leões de Bagdá 1) Os Leões de Bagdá (Panini) – Apesar do grande número de lançamentos, 2008 não teve, nas listas de melhores que pipocaram pelo mercado, um título considerado unanimidade. No Universo HQ não foi diferente. Aqui, o primeiro lugar ficou com a bela graphic novel Os Leões de Bagdá, que narra as desventuras de um bando de leões que perambulam por Bagdá após os bombardeios norte-americanos ao Iraque destruírem o zoológico onde viviam. Esta foi a única obra que esteve na lista de melhores do mês de todos os integrantes do site, no Blog do UHQ. E há razões para isso. A metáfora que o roteirista Brian K. Vaughan faz dos leões Zill, Noor, Safa e Ali – todos com características humanas – representando o povo iraquiano é tocante. E os desenhos de Niko Henrichon dão à obra um tom de uma fábula moderna. A Panini valorizou isso com um tratamento gráfico diferenciado e até um hotsite.

E ainda merecem “menções honrosas”: RevelaçõesNíquel Náusea – Em boca fechada não entra mosca, A Força da Vida, O Circo de Lucca e Usagi Yojimbo – Daisho, da Devir; O garoto verme, Dr. Bubbles & Tilt – Volume 1 – Sideral, Underworld e Cicca Dum-Dum, da Zarabatana; Vida Louca, Jornada ao Oeste – O Nascimento do Rei dos Macacos, Desista! E Outras Histórias de Franz Kafka e Os Pequenos Guardiões, da Conrad; Tom Strong – A Invasão das Formigas Gigantes, da Pixel; Menina Infinito e Malvados, da Desiderata; Aú, o capoeirista, da Papel A2; Estúpidas, estúpidas caudas-de-ratazana, Como Coelhos, Pés de Pato – Love & Rockets Volume 2 e Bone # 11 – A Caverna do Ancião, da Via Lettera; O Terceiro Testamento, da Multi Editores; Hellboy – A Feiticeira Troll & outras histórias, Tex Especial 60 anos e Groo – 25 anos de desastres, da Mythos; Radicci – Tem outro por dentro, da L±; Turma da Mônica em O Mágico de Oz, Seton – Um Naturalista Viajante # 1 – Lobo, o rei de Currumpaw e As Tiras Clássicas da Turma da Mônica – Volume 3, da PaniniDiário de um Banana (apesar de ser mais um livro ilustrado do que uma HQ) e Gaturro, da V&R;; A casa ao lado e Quadrinhofilia, da HQM; No divã com Adão, da Planeta; a independente Mariazinha em verso & prosa; os álbuns “mudos” de Ken Parker, A lua de Magnólia em flor, Soleado e Pálidas Sombras, do CLUQ; Frango com Ameixas e As aventuras de Tintim – Repórter do “Petit Vingtième” no país dos sovietes, da Companhia das Letras; O Alienista, da Ática; e O catador de batatas e o filho da costureira, da JBC.

Republicações

Justiceiro - Bem-vindo de volta, Frank20) Justiceiro – Bem-vindo de volta, Frank (Panini) – Frank Castle vinha sofrendo nas mãos de roteiristas pífios até que Garth Ennis assumiu suas histórias e deu um novo ânimo à sua carreira de combate, ou melhor, de extermínio ao crime. E como os desenhos ficaram sob a batuta de Steve Dillon, velho parceiro de Ennis em Preacher, o resultado não poderia ser outro: sangue jorrando pelas páginas e o Justiceiro de volta ao que faz melhor. Ninguém quer histórias “cabeça” dele; o leitor quer é vê-lo fazendo justiça com as próprias mãos. Azar da família de O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barksmafiosos chefiada pela matriarca Mama Gnucci.

19) O Melhor da Disney – As Obras Completas de Carl Barks (Abril) – Quando cancelou quase todos os seus títulos Disney, houve quem duvidasse que a Abril terminasse essa magnífica coleção. Felizmente, os incautos estavam errados e em outubro, com o número # 41, a editora concluiu a publicação da série, compilando todas as histórias em quadrinhos produzidas pelo genial Carl Barks. E com o mesmo padrão gráfico e editorial que esteve presente desde a estreia. Na última edição, o destaque fica para os Escoteiros Mirins, com os últimos scripts preparados pelo “homem dos patos”.
Biblioteca Histórica Marvel - Surfista Prateado # 1
18) Biblioteca Histórica Marvel – O Surfista Prateado # 1 (Panini) – As primeiras histórias do ex-arauto de Galactus não são novidade nem mesmo em compilação, já que a Mythos já as havia publicado em Surfista Prateado – Edição Histórica. Mas desta vez elas ganharam um acabamento luxuoso, digno do tom clássico que as HQs Stan Lee e John Buscema inspiram. Mas cabe um puxão de orelhas na Panini, pois comparando o álbum com o volume da Mythos é fácil notar que foi utilizado o mesmo texto – até as notas editoriais são iguais.

Os Maiores Super-Heróis do Mundo  17) Os Maiores Super-Heróis do Mundo (Panini) – Este álbum gigante – talvez a mais bela edição de super-heróis publicada no Brasil em todos os tempos – compila as parcerias de Paul Dini e Alex Ross: os ótimos Superman – Paz na Terra, Batman – Guerra ao crime e LJA – Liberdade e Justiça; e os apenas razoáveis Shazam – O poder da esperançaMulher-Maravilha – O espírito da verdade e LJA – Origens secretas. Os autores procuram levar os super-heróis de volta às suas raízes, em histórias com um tempero com o qual não estão acostumados: o fracasso. E com a arte belíssima de Ross, a leitura fica ainda mais prazerosa.

Corto Maltese - As Etiópicas 16) Corto Maltese – As Etiópicas (Pixel) – Este é o álbum da série com menos ação até o momento. As etiópicas (que já havia saído, com arte reduzida, como Corto Maltese na Etiópia, no já fora de catálogo 211º volume da Coleção L± Pocket) traça um retrato fascinante de uma região da África com características muito particulares, marcada por uma multiplicidade de povos e etnias, desde tribos ancestrais até muçulmanos – incluindo os enviados de nações europeias com desejos coloniais. Ainda assim, a passagem de Corto Maltese por lá em plena I Guerra Mundial rende uma grande história. Duro é saber se a Pixel continuará publicando os álbuns da criação máxima de Hugo Pratt.
Biblioteca Histórica - Capitão América # 1
15) Biblioteca Histórica – Capitão América # 1 (Panini) – Para os fãs veteranos, é quase impossível ler este belo álbum sem cantarolar mentalmente “Quando o Capitão América lança o seu escudo…”, o tema de seu desenho (des)animado dos anos 1960. E, apesar de as histórias serem datadas, é um grande barato acompanhar o Sentinela da Liberdade (tão castigado na minissérie recente Guerra Civil) sendo resgatado pelos Vingadores após passar duas décadas em animação suspensa dentro do gelo. A adaptação de Steve Rogers aos dias atuais é inesquecível, bem como o combate contra os Hibernantes. Cortesia de Stan Lee (texto) e Jack Kirby (arte).

Os Invisíveis - Revolução 14) Os Invisíveis – Revolução (Pixel) – Talvez Os Invisíveis seja o mais autoral dos trabalhos de Grant Morrison – alguns até consideram a série “semiautobiográfica”. Este primeiro tomo, que reúne as oito primeiras edições da revista, mostra o recrutamento de um jovem para a célula integrante de uma organização anarquista e terrorista cujo objetivo é lutar contra a opressão física e psíquica causada pelos alienígenas Arcontes, que influenciam o destino da humanidade por intermédio de agentes plantados em nossa realidade que aguardam o momento certo de rasgarem as paredes da realidade e dominarem nosso universo. Tudo permeado com dezenas de referências culturais e científicas, como a Teoria do Caos, Mitologia Asteca, sociedades secretas, metafísica, literatura medieval, viagem no tempo e muito mais.
Piratas do Tietê - A Saga Completa - Volume 3
13) Piratas do Tietê – A Saga Completa – Volume 3 – Fazia tempo que os fãs de Laerte sonhavam com compilação bacana de Os Piratas do Tietê, os personagens mais famosos do autor. E a Devir e a Jacaranda mandaram muito bem com esta coleção em três volumes graficamente caprichados (com direito a capa dura) e com extras bem interessantes, que reúne o material anteriormente publicado na revista dos personagens (as tira de jornais não estão presentes). Este álbum traz aventuras clássicas, como Balada do lobisomem, Destino da sereia, Motim e outras; além de um pôster incrível dos personagens.
Coleção DC 70 Anos
12) Coleção DC 70 Anos (Panini) – No ano em que a DC comemorou seu septuagésimo aniversário, esta bela sacada da Panini não poderia ficar de fora. Baseada na norte-americana The greatest stories ever told, esta coleção apresenta aventuras clássicas, de todas as épocas, de (pela ordem de publicação) Superman, Lanterna Verde, Mulher-Maravilha, Flash, Liga da Justiça e Batman. Além disso, a editora criou um site para a obra, com extras como papéis de parede com arte de Alex Ross, ícones variados de MSN Messenger e banners. A iniciativa deu tão certo, que foi repetida em Superman – 70 Anos.
Fábulas - Lendas no Exílio
11) Fábulas – Lendas no Exílio (Pixel) – A ideia de Bill Willingham de mudar a personalidade de personagens que povoaram a infância de várias gerações é divertidíssima. E os bonitos desenhos de Lan Medina contribuem para o sucesso de Fábulas. Como a primeira edição deste álbum (com o arco ganhador do Eisner Award de melhor história em capítulos de 2002), da Devir, estava esgotada, esta é uma oportunidade para que novos leitores conheçam a série. Agora é torcer para que a Pixel continue a publicá-la, como vinha fazendo na revista Fábulas Pixel.

Batman - O longo dia das bruxas10) Batman – O longo dia das bruxas (Panini) – Este é um trabalho que, ao lado de Demolidor: Amarelo e Superman – As quatro estações, mostra que nem sempre as HQs escritas por Jeph Loeb são dignas do esquecimento. A trama com Batman em início de carreira perseguindo o assassino serial que ataca apenas em feriados é envolvente e bem desenvolvida. E conta com o desenho competente de Tim Sale e num álbum caprichado, que traz ainda entrevistas com os autores da minissérie original, e conversas com Christopher Nolan e David Goyer, respectivamente diretor e roteirista de Batman – O Cavaleiro das Trevas, que tem cenas inspiradas nesta trama.
As Aventuras de Tintim - Tintim no Tibete
9) As Aventuras de Tintim – Tintim no Tibete (Companhia das Letras) – No ano em que a Companhia das Letras concluiu a publicação de Tintim, o álbum presente nesta lista poderia ser também Vôo 714 para Sydney ou Perdidos no mar. Afinal, todos trazem tramas que prendem a atenção do leitor, numa gostosa mistura de ação e humor. Mas esta aventura no Tibete, na qual o jovem repórter, na companhia de Milu e do capitão Haddock, tenta resgatar seu amigo Tchang, que estava num avião que cai no Himalaia, tem um tempero especial pelo fato de Tchang ter sido inspirado no amigo de Hergé, o chinês Chang Chong-jen.
Preacher - Guerra ao Sol
8) Preacher – Guerra ao Sol (Pixel) – Neste arco de Preacher, só falta jorrar sangue das páginas. E é justamente por isso que os leitores curtem tanto essa fase. A perseguição de Herr Starr (com direito a participação do exército) a Jesse Custer, que acaba de chegar ao Texas devidamente acompanhado do vampiro Cassidy e Tulipa, termina numa verdadeira batalha campal que acontece em Monument Valley, com o Santo dos Assassinos matando todos que aparecem em seu caminho. E o destino de Herr Starr, com direito até a cenas de canibalismo, deixam a trama ainda mais instigante.
John Constantine - Hellblazer - Hábitos Perigosos
7) John Constantine – Hellblazer – Hábitos Perigosos (Pixel) – Um resgate bem oportuno. Afinal, trata-se da saga que muitos consideram a melhor de Hellblazer em todos os tempos. John Constantine está enrascado, pois um câncer terminal está, literalmente, o dizimando aos poucos. Mas seguindo o ditado “perdido por um, perdido por dez”, o mago inglês encara o problema do seu jeito: botando pra arregaçar. O pacto que faz com o diabo e as consequências disso deixam sua vida, que já era uma zona, mais conturbada ainda. Para sempre. Cortesia de Garth Ennis. Pena que a arte de Will Simpson não seja das mais brilhantes.
Surpreendentes X-Men # 1
6) Surpreendentes X-Men # 1 (Panini) – Joss Whedon, criador das séries de TV Buffy, a Caça-Vampiros e Angel, fez os entusiastas de X-Men lembrarem que os personagens ainda podem histórias marcantes. O roteiro fisga tanto fãs veteranos quanto leitores novos de maneira simples, com muita pancadaria, humor, clichês bem trabalhados e momentos emocionantes, como o reencontro de Colossus e Kitty Pride. E com a arte fantástica de John Cassaday. Não é um clássico, mas para quem acompanha os títulos “X” mensalmente, Surpreendentes X-Men, é um alívio e tanto – nosso resenhista Zé Oliboni que o diga.

Promethea - Livro 1 5) Promethea – Livro 1 (Pixel) – Em termos de séries regulares, esta talvez seja a principal criação de Alan Moore em toda a sua carreira. O processo que mostra a estudante Sophie Bangs, numa Nova York futurista, se transformando em Promethea, que até então a jovem achava que era uma lenda urbana, já é encantador por si só. Mas o roteirista inglês não se contenta com pouco, e permeia as aventuras com dezenas de referências, que tornam a leitura ainda mais saborosa. Além disso, J.H. Williams III faz um trabalho primoroso na diagramação das páginas. Este álbum, em que a trama está apenas “esquentando”, reúne as seis primeiras histórias da personagem. Resta saber se a Pixel continuará a publicação, seja em formato livro ou na revista Fábulas Pixel, na qual a série estreou na edição # 4.
Starman - Volume 1
4) Starman – Volume 1 (Panini) – Este arco de Starman, com o começo do que se tornaria uma das melhores HQs de super-heróis dos ano 1990, é um grande barato. A “briga” de Jack Knight com si mesmo para saber se assume o posto de super-herói de Opal City (até então ocupado por seu irmão David, que é assassinado) é o principal atrativo da trama elaborada por James Robinson. Afinal, Jack é um comerciante de coisas antigas, não é forte e detesta uniformes colantes e coloridos. Ainda assim, na essência, é um herói. E a maneira como são inseridos na trama o Sombra e os antigos Starmen só deixa o leitor mais ansioso pelas próximas edições. Tomara que a Panini as publique, levando a série até o fim.
Calvin & Haroldo - Yukon Ho!
3) Calvin & Haroldo – Yukon Ho! (Conrad) – É muito, muito difícil encontrar em quadrinhos algum material que praticamente todos os leitores gostam. Calvin & Haroldo talvez seja o que mais se aproxima da unanimidade. E não é pra menos. Bill Watterson deu vida a uma das melhores tiras de todos os tempos, um clássico, mesmo tendo sido publicada por apenas dez anos – o autor cessou a produção em 1996. Quando lidas assim, em forma de coletânea, as tiras ganham ainda mais graça e não é raro o leitor dar sonoras gargalhadas enquanto “devora” o álbum. Em 2008, a Conrad publicou ainda Tem alguma coisa babando debaixo da cama e Criaturas bizarras de outro planeta!, que também poderiam estar nesta terceira posição. Vai do gosto do freguês.

Planetary - Deixando o Século 20 2) Planetary – Deixando o Século 20 (Pixel) – Em termos de séries regulares, Planetary é uma das melhores HQs de super-heróis de todos os tempos e deu novo gás ao gênero. Este álbum, que compila as edições # 13 a # 18, publicadas anteriormente na Pixel Magazine, é uma aula de narrativa. Tanto de Warren Ellis no roteiro, quanto de John Cassaday nos desenhos. Na trama, Elijah Snow, o líder da organização internacional que desvenda a História secreta do mundo, contracena com Sherlock Holmes, Drácula e Anna Hark, além de visitar a cidade perdida de Opak-re. Tudo com muita ação e diversas referências e a participação de Jakita e do Baterista, preparando o terreno para o aguardado “posfácio” da série, no ainda inédito Planetary # 27. Segundo Ellis, o roteiro foi concluído no final de 2007 e estaria com Cassaday. Portanto, 2009 tem tudo para ser o ano do desfecho das aventuras dos Arqueólogos do Impossível.
Sandman - Despertar
1) Sandman – Despertar (Conrad) – A Conrad concluiu a publicação de Sandman com o mesmo apuro gráfico e capricho de toda a coleção, que teve também Entes Queridos em 2008. Esta, com certeza, não é a melhor saga do título, mas a maneira como Neil Gaiman amarra todas as pontas soltas que foi deixando durante o decorrer das edições é de uma competência extrema. Desde os depoimentos de sonhadores de toda a existência, prestando suas derradeiras homenagens a Lorde Morpheus, até a “posse” de Daniel como novo regente do Sonhar, passando pelos últimos vislumbres de Hob Gadling e William Shakespeare, tudo é muito bem orquestrado. E, mesmo parecendo paradoxal, o nome Despertar cai como uma luva para encerrar a série, que se tornou a mais cultuada HQ regular das últimas décadas. Tanto é que a Pixel já a recomeçou novamente, agora num novo formato.

Outras republicações que merecem ser citadas: Biblioteca Histórica Marvel – Homem-Aranha # 2, Os Maiores Clássicos do Homem de Ferro # 1, Superman Crônicas – Volume 2, Turma da Mônica – Coleção Histórica, O Evangelho segundo Lobo, Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor # 3 e Legião dos Super-Heróis – A Saga das Trevas Eternas, da PaniniEx Machina – Símbolo – Completo, Fábulas 1001 Noites – CompletoEmmanuelle – Volume 1, os volumes Dia, Hora, Minute… Man e Pequenos Vigaristas, Grandes Negócios, da série 100 Balas, Authority – Transferência de Poder Completo, Preacher Memórias e Astro City – Samaritano Especial e outras histórias, da Pixel; a coleção Hellboy – Edição Histórica, da Mythos; Leão Negro – Série Origens – Volume 1 – Gardo, da HQM; Hard Boiled – À Queima-Roupa, Luluzinha – Uma dupla do barulho e Chiclete com Banana – Antologia, da Devir; e Delírios Cotidianos, as séries Snoopy, Garfield e as coletâneas de Laerte e Angeli, pela L±; e as independentes Muertos e F.D.P. – Se não morrer ninguém não é notícia.

Títulos regulares

Gantz10) Gantz (Panini) – Gantz é bem interessante: pessoas que morreram vão parar num quarto misterioso, onde ganham, de uma enigmática bola negra, armas potentes e trajes para eliminar alienígenas monstruosos e ganhar pontos por isso – quem completar 100, escolhe um prêmio especial. Hiroya Oku fez do jovem Kei Kurono um bom protagonista e encheu as páginas de ação, violência e pitadas de erotismo (as aberturas de capítulos trazem beldades seminuas, mesmo não tendo nada a ver com a história). Mas, neste ano, ficou nítido que o autor passou a “enrolar”, criando novos elementos para ampliar o escopo da trama original. A razão, possivelmente, é o sucesso do mangá. É comum os editores japoneses esticarem a história o máximo que puderem.
Os Novos Vingadores
9) Os Novos Vingadores (Panini) – Eis uma revista que manteve um mix equilibrado durante o ano. A volta de Thor, pelas mãos do escritor J. Michael Straczynski, foi o grande destaque em 2008. Além disso, o título que nomeia a publicação passou por bons momentos, sempre criados pelo competente, porém verborrágico, Brian Bendis. E houve o Capitão América de Ed Brubaker, que, gostem ou não os fãs mais radicais, é bem escrito. E foi na edição # 49 de Os Novos Vingadores que os leitores brasileiros puderam conferir a morte do Sentinela da Liberdade, que foi notícia em todo o mundo, inclusive em veículos de imprensa que raramente divulgar quadrinhos.
Dimensão DC - Lanterna Verde
8) Dimensão DC – Lanterna Verde (Panini) – Esta foi uma revista efetivamente bem planejada. Mérito da Panini, que agrupou na mesma publicação toda a elogiada saga A guerra dos anéis, que se passa dentro do Universo DC e envolve especialmente os Lanternas Verdes. A história não passa nem perto de um futuro clássico, porém é competente. Tem clichês à vontade, mas compensa pela ação das batalhas, principalmente as desenhadas por Ivan Reis e Ethan Van Sciver. A série principal, é verdade, leva as demais do mix nas costas, no entanto, a estratégia deu certo especialmente por conseguir cativar os leitores.

Turma da Mônica Jovem 7) Turma da Mônica Jovem (Panini) – É impossível ficar alheio ao que Turma da Jovem Jovem gerou de “barulho” em 2008. Desde o lançamento na Bienal do Livro de São Paulo, a revista não parou de crescer em tiragem, ganhou destaque na imprensa de todo o Brasil e vendeu muito. O primeiro arco de histórias não é, e nem pretendia ser, algo inovador. A ideia era continuar fazendo uma HQ iminentemente de humor (são muitas as paródias na trama, algo que já acontecia nos gibis da Turminha), com pitadas de aventura e romance. Pela chacoalhada que deu no mercado e por coroar as renovações recentes da Mauricio de Sousa Produções, não poderia ficar fora desta lista.

Marvel Action 6) Marvel Action (Panini) – Se Marvel Action fosse um time de futebol, o Demolidor, escrito por Ed Brubaker e desenhado por Michael Lark e Stefano Gaudiano, com certeza seria o craque. Continua dando gosto ler a série. Assim como já foi na “temporada” passada. Entretanto, em 2008 teve outro bom jogador para “compor o meio de campo”: o Justiceiro, de Matt Fraction (texto) e Ariel Olivetti (arte), apesar daquela patacoada de Frank Castle com uniforme em homenagem ao Capitão América. Juntos, esses dois materiais levaram a equipe nas costas e até abriram espaço para Pantera Negra e Cavaleiro da Lua marcarem alguns “golzinhos” durante o ano.

Mágico Vento 5) Mágico Vento (Mythos) – Este continua sendo um dos títulos mais bem escritos publicados no Brasil. Os roteiros de Gianfranco Manfredi são de tirar o chapéu. Tramas permeadas de pesquisa histórica, ação e mistério na dose certa, personagens bem delineados e marcantes. Assim é Mágico Vento, fumetto para o qual muitos leitores de outros gêneros torcem o nariz por um tolo preconceito. A não ser que alguém tenha algo contra grandes HQs, vale a pena acompanhar a saga do xamã Ned Ellis e seu amigo Poe. E em 2008 ainda houve uma edição, a # 70, desenhada pelo magnífico Ivo Milazzo, de Ken Parker.

Homunculus 4) Homunculus (Panini) – Como escreveu Eduardo Nasi para este jornalista, durante nosso brainstorm eletrônico, “em 2008, esta foi a única série que trouxe cheiro de novo para um mercado que vive de reciclagem”. É verdade, mesmo com um desenho no máximo correto. O roteiro de Hideo Yamamoto vai numa crescente impressionante desde o primeiro número; e as ideias do autor, em determinados momentos, chegam a assustar de tão inusitadas. Susumu Nakoshi passa por uma trepanação (cirurgia antiga em que é feito um furo na caixa craniana do paciente, para liberar o seu “sexto sentido”), feita pelo bizarro médico Manabu Ito. A partir de então, começa a ter visões que podem ser classificadas, no mínimo, como perturbadoras.

Pixel Magazine 3) Pixel Magazine (Pixel) – Pra simplificar, esta é a melhor revista mix do mercado brasileiro de quadrinhos. De longe. Com materiais de qualidade à mão, a editora conseguiu sempre compor a publicação de maneira equilibrada, mesmo com as saídas das excelentes Planetary e Promethea. Isso porque contava com séries como Frequencia Global, HellblazerEx Machina, DMZ (que enfim engrenou) e Y – O último homem. Sem ter contra si as amarras da cronologia, pôde trabalhar de modo a oferecer ao público uma baita leitura. O único – e grande – senão é saber se, com os problemas da Pixel, a Pixel Magazine continuará nas bancas.
Grandes Astros - Superman
2) Grandes Astros – Superman (Panini) – Mesmo tendo tido apenas quatro edições publicadas, 2008 foi o grande ano de Grandes Astros – Superman. O roteirista Grant Morrison continuou sua quase ode à Era de Prata, é verdade, mas encheu as histórias de menções que vão muito além dos quadrinhos. E a trama principal – que lida com a morte do Superman – se desenvolve de maneira harmoniosa tanto no texto quanto na arte excepcional de Frank Quitely. Especialmente o número 10, em que o Homem de Aço recria a nossa Terra num laboratório é “apenas” fabuloso. E a Panini merece elogios pela agilidade em lançar as edições no Brasil logo após a edição norte-americana sair nos Estados Unidos.

J. Kendall - Aventuras de uma criminóloga 1) J.
Kendall – Aventuras de uma criminóloga
(Mythos) – Desde que começou a ser publicada no Brasil, pela Mythos, J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga (que nasceu Júlia, mas mudou de nome) esteve dentre os melhores títulos regulares do mercado. Mas em 2008, enfim, chegou ao topo do ranking, graças aos roteiros extremamente bem escritos do italiano Giancarlo Berardi, que conseguem algo raro – agradar tanto aos homens quanto às mulheres. Como bem lembrou Marcelo Naranjo em sua matéria sobre as 50 edições da revista, o autor, na entrevista concedida ao Universo HQ, explicou a razão: “Não escrevo sobre uma heroína, mas sobre uma mulher de hoje, inteligente, sensível, bem-sucedida profissionalmente, intuitiva, independente. Uma mulher normal. E como o que me interessa é contar a vida…”. Isso tudo aliado a desenhos sempre ótimos, de nomes como Laura Zuccheri, Mario Jannì, Enio, Roberto Zaghi, Thomas Campi, Federico Antinori e outros. Portanto, se você é um daqueles que não leu este sensacional fumetto, ainda é tempo.

Merecem “menções honrosas”: Naruto (manteve uma média razoável, com algumas edições de destaque), Superman (irregular, mas com alguns bons momentos), Batman (nos números em que contou com a presença de Paul Dini, Grant Morrison e J.H. Williams), o surpreendente mangá MPD Psycho e Marvel Max (Justiceiro, Nova Onda e Barracuda foram uma diversão legal), da PaniniFábulas Pixel (prejudicada pela falta de periodicidade), da Pixel; e as independentes Tempestade Cerebral, Depois da meia-noite, Grafitti 76% Quadrinhos, Quadrinhópole e Avenida.

Sidney Gusman continua lendo muitos, muitos quadrinhos. De todos os gêneros, sem distinção. Mas no ano que passou, felizmente, teve a colaboração de Eduardo Nasi na parte dos títulos periódicos, pois admite: não tem mais saco para alguns materiais, especialmente de super-heróis. E você, o que achou desta lista? Poste seus comentários.

 

• Outros artigos escritos por

.

.

.