Panini salta histórias para lançar nova série do Capitão América em setembro

Por Samir Naliato
Data: 21 agosto, 2002

Por Samir Naliato

Captain America #1Um soldado que luta pela liberdade. Um ataque que abalou o mundo. Um país vivendo sob o medo. A Marvel resolveu juntar tudo isso e reformular um de seus principais títulos, que agora chega ao Brasil.

Em setembro, a Panini Comics passará a publicar a nova fase do Capitão América, com argumentos de John Ney Rieber e arte de John Cassaday, lançada pelo selo Marvel Knights.

As histórias dessa fase são focadas na luta contra o terrorismo, e fazem referências diretas ao ataque que os Estados Unidos sofreram em 11 de setembro de 2001. O fato curioso é que a série já estava começando a ser reestruturada quando o atentado aconteceu, e a “Casa das Idéias” resolveu parar tudo e abordar o novo tema.

Captain America #2A Panini aproveitará que em setembro faz um ano dos ataques, para começar a publicação, apenas seis meses depois ter sido lançada lá fora. As fracas tramas do antigo título, que iam até a edição 50, serão interrompidos no número 34 (publicado em Paladinos Marvel #7), deixando, assim, 16 edições inéditas, inclusive não publicando o final da trama do Protocida, que vinha sendo mostrada desde a estréia da editora.

Isso contraria uma posição anteriormente adotada e divulgada pela Panini em diversos veículos de informação (inclusive no Universo HQ, na entrevista de Marco Lupoi, no final de 2001), de que não cortaria histórias (mesmo as de qualidade duvidosa), como sua antecessora, a Editora Abril.

Captain America #4Segundo o press release divulgado pela editora, em seu site oficial, “essa medida, por mais paradoxal que pareça, foi tomada em respeito ao leitor, pois as histórias deixavam muito a desejar”. De acordo com as palavras do editor Fernando Lopes, nesse comunicado: “De que adianta ser rigorosamente fiel à continuidade se você afugenta o seu público com material que ele não quer ler? É um grande contra-senso! Não podemos colocar esse tipo de decisão acima de nosso compromisso de oferecer revistas de qualidade ao leitor.”

Devido às inevitáveis comparações com o discurso da
antecessora da Panini, a Abril, o Universo
HQ
entrou em contato com Fernando Lopes, que explicou os
cortes e a decisão de lançar a nova saga agora. Ele manda um
recado aos leitores, para começarem a ler o título. “Este é
um excelente momento para começar, pois esta fase é uma
espécie de ‘marco zero’ na carreira do personagem”,
disse. “Nada do que veio antes realmente importa. Este é um
novo Capitão, disposto a enfrentar, com as armas que
dispuser, as ameaças de um mundo cada vez mais sombrio”.

Protocida, em Paladinos Marvel #6, da Panini ComicsE o editor continua. “A Panini está injetando energia nova em seus títulos, com material de ponta, o que nos dá a oportunidade de fazer alguns ajustes importantes”, analisa. “Optamos por oferecer esta série ao leitor agora, porque ela apresenta uma visão totalmente nova do Capitão América, repensando seu papel como a ‘personificação do sonho americano’, após a tragédia do World Trade Center, que completará um ano no mês do lançamento. É um momento muito favorável”.

Com tudo que aconteceu, é normal que exista uma ênfase no patriotismo americano, mas Lopes não acha que isso chegará a incomodar os leitores. “Tenho certeza de que eles vão gostar muito. A arte de John Cassaday é absolutamente deslumbrante, e o argumento de John Ney Rieber mostra o Capitão como ele sempre deveria ter sido retratado: um soldado em todas as acepções da palavra”, explica. “O patriotismo está profundamente enraizado na alma de Steve Rogers, mas isso não o impede de questionar seu papel. Principalmente, quando se dá conta de que há uma grande diferença entre o sonho que ele representa e a realidade”.

Ainda em setembro, a editora lançará uma edição especial na qual o Homem-Aranha ajuda as equipes de resgate nos escombros do World Trade Center, que saiu originalmente em Amazing Spider-Man #36.

As aventuras do Capitão América sairão a partir da revista Marvel 2002 #9, e não em Paladinos Marvel, como vinha sendo feito até então. Essa troca acontece justamente quando o Sentinela da Liberdade passa a ser publicado pelo selo Marvel Knights, que corresponderia à série Paladinos Marvel, da Panini.

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