Saraba, Kenshin!

Por Sidney Gusman
Data: 20 novembro, 2003

Samurai X #56Samurai X #1Assim como fez quando a série Dragon Ball Z chegou ao fim, e os ex-editores Cassius Medauar e Sidney Gusman contaram a experiência de trabalhar no título, o Universo HQ mais uma vez abre espaço para uma matéria diferente, em tom de depoimento.

Desta vez, o “convidado” é Marcelo Del Greco, editor de Samurai X, um dos mangás de maior sucesso no Brasil e que, após 56 edições, chega ao final em novembro.

Confira abaixo como foi a sua experiência nesses pouco mais de dois anos à frente do principal mangá da JBC. Com a palavra, Marcelo Del Greco.

Samurai X #10Samurai X representa um marco na história dos mangás no nosso País. E não são poucos os motivos. Da sua fantástica história ao traço marcante de seu autor, Nobuhiro Watsuki, as aventuras de Kenshin Himura conquistaram os brasileiros e ajudaram na consolidação dos mangás por aqui.

Isso sem contar que, ao lado de Sakura Card Captors (outro grande sucesso trazido pela JBC), Samurai X foi um dos primeiros títulos lançados no Brasil exatamente como os mangás são publicados no Japão. Claro que isso vai muito além da leitura oriental, que hoje, como todos sabem, é uma característica básica das HQs nipônicas.

Lembro bem do desenvolvimento de Samurai X antes de seu lançamento. Todos os envolvidos deram o máximo de si. Afinal, era de conhecimento geral que não bastava ter um dos mais famosos títulos de mangás nas mãos. Era necessário lançá-lo dentro da qualidade que a obra exigia, para que ela vingasse.

Samurai X #17Assim, várias pesquisas foram feitas para se escolher o papel que mais se aproximava ao dos mangás originais. Gráficas foram consultadas para nos se certificarmos da qualidade da impressão. E teve ainda a difícil escolha de um tradutor que pudesse passar para o português toda a tensão contida no texto de Nobuhiro Watsuki.

Qualquer descuido poderia significar o fim prematuro da linha de mangás da JBC. E Samurai X cumpriu com sua missão. Da primeira à última edição, foi um sucesso absoluto. E o mais importante: tornou-se um campeão de vendas, mesmo sem contar com o apoio da exibição na televisão. Vale lembrar que, quando a revista chegou às bancas, o animê já não era exibido na TV aberta há mais de um ano e ainda era inédito nos canais a cabo.

Samurai X #22Hoje, olhando para trás, além das 56 edições que compõem as aventuras de Kenshin, tive a felicidade de ser o editor de outros doze títulos de mangás lançados pela JBC, fora os que virão. Essa satisfação fica maior quando lembro que ainda pequeno ia na Liberdade comprar com grande custo (o preço era astronômico) mangás e livros sobre animês e séries live-action.

Para mim, é motivo de grande orgulho saber que pude colaborar de alguma maneira para que hoje exista um grande diversidade de mangás ao alcance de todos no Brasil, tanto no idioma quanto financeiramente.

Agradeço à JBC por essa oportunidade e por ter acreditado no meu potencial. E, como não poderia deixar de ser, gostaria de agradecer aos leitores que acompanham a minha carreira há 10 anos me apoiando, me criticando, enfim, me dando a direção certa que devo seguir.

A todos, meu sincero obrigado.

Marcelo Del Greco, nesses 28 meses editando Samurai X, usa com freqüência a interjeição “Oro”. Mas o que o pessoal da JBC estranha mesmo, é o fato de o cara, quando está naqueles fechamentos bravos, levar ao trabalho uma certa espada de lâmina invertida…

Samurai X #35 Samurai X #38 Samurai X #42
 

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