Sérgio Cariello fala sobre seu novo trabalho na CrossGen

Por Samir Naliato
Data: 22 março, 2003

Por Samir Naliato

Sérgio CarielloO artista brasileiro Sérgio Cariello está prestes a mudar sua vida, literalmente. Depois de trabalhar nos últimos anos na revista mensal Azrael e dar aula na Joe Kubert School, ele foi assinou um contrato de exclusividade com a CrossGen Comics, sediada em Tampa, Flórida, e deixará de ser desenhista freelancer.

Esse contrato o obriga a se mudar para Tampa, onde trabalhará no estúdio da CrossGen. “Mudarei em meados de março pra Flórida. Por isso, infelizmente, terei que deixar de dar aulas na Joe Kubert School, onde estava prestes a completar sete anos de trabalho”, revelou Cariello em conversa com o Universo HQ.

Crux, de Sergio CarielloO contato partiu da própria CrossGen. “O Andy Smith (assistente de direção de arte da CrossGen) me escreveu perguntando o que faria após Azrael“, disse. “Respondi com uma pergunta: ‘O que vocês têm pra mim?’ Andy me pediu pra enviar, via e-mail, amostras do meu trabalho, e eles gostaram! Depois, me pediu pra fazer um pôster do Crux, pra verem como eu os desenharia. Mark Alessi, Bart Sears e Andy Smith gostaram muito e me ofereceram o título”.

“Até agora, só fiz dois pôsteres e uma capa pra eles, como freelancer. Só começarei a fazer a revista em abril”, explicou o artista.

Cariello falou ainda sobre as diferenças entre trabalhar sob um contrato de exclusividade e como freelancer. “Já havia sido exclusivo da DC no passado. A diferença será trabalhar num estúdio com vários artistas, mas também tive uma experiência semelhante, na Marvel (BullpenNota do UHQ: departamento de
produção, onde correções e acréscimos são feitos antes de
enviarem as páginas para a publicação)”.

“O freelancer, embora seja seu próprio chefe, termina trabalhando sem parar, sem descansar, sem férias, mas com possibilidades de ganhar mais. Mas, às vezes, não produz nadinha, e não ganha nadinha também”, continua.

“Já no caso da CrossGen, temos que produzir cinco páginas por semana, de segunda à sexta, trabalhando das 9 às 17h, com salário fixo, férias e benefícios médicos, além da vantagem da possibilidade de fazer freelance pra própria editora, em outros projetos”, analisou.

Azrael, arte de Sergio CarielloSérgio Cariello desenhará o título Crux, criado por Mark Waid quando este trabalhou na editora. “É a história dos Atlantians que, frisados no tempo em meio às ruínas de Atlantis, aguardam o tempo certo de serem erguidos novamente. Enquanto esperam, sua segurança está nas mãos de seis Atlantians, acordados por um deus enigmático”, descreveu.

A CrossGen surgiu procurando novas alternativas no mercado americano de quadrinhos, ao se manter afastada do gênero super-heróis. A maioria dos títulos aborda o tema fantasia, mas também há revistas de terror e até de piratas. O desenhista brasileiro também comentou a atuação da editora.

“Mark Alessi (criador da editora) é muitíssimo esperto, peitudo e cheio da grana. A proposta dele é de trazer de volta o entusiasmo perdido com outros tipos de historias em quadrinhos, como a fantasia. Gênero muito atraente hoje em dia, como prova o filme Senhor dos Anéis e outros. Desenhar é o meu prazer, seja fantasia, super-heróis, Gotham City, Nova York ou Atlantis”, afirma.

Azrael, arte de Sergio CarielloCariello aproveitou ainda para falar um pouco sobre Azrael, título que chega ao seu final no número 100, à venda este mês nos Estados Unidos. Ele analisou esse trabalho, que fez ao lado da lenda viva Denny O´Neil, e o seu crescimento como artista. “Foi muito bom. Amadureci muito com o título. Foi uma honra trabalhar com o Denny nestes últimos anos, e tive o prazer de desenhar diversas coisas e personagens, inclusive o Batman”.

“Gosto do que faço. Fiz meu melhor com o tempo que me deram pra fazer. Alguns livros foram mais divertidos do que outros. Meu prazer maior foi poder fazer minha própria arte-final”, comemora.

Mas chegar ao final desta jornada não foi fácil. Devido a problemas de saúde do escritor Denny O´Neil, o roteiro de Azrael # 100 precisou ser escrito três vezes. Logo após ser internado, o autor sofreu um bloqueio mental e esqueceu como seria a última história. Teve que fazer uma completamente nova, mas acabou perdendo-a, ao apagar o arquivo por engano. Tudo isso acabou apertando o prazo para Cariello desenhar a edição.

“Apertou e muito”, admite. “Tive que correr bastante para não deixar a peteca cair. Mas valeu a pena”.

A princípio, Azrael seria morto na conclusão da série, mas parece que isso não acontecerá mais. “Bom, o fato de não terem achado seu corpo nos deixa com a esperança de revê-lo no futuro”, espera o artista.

A CrossGen Comics surgiu em maio de 2000, tendo vendas positivas para uma editora estreante no mercado, ao colocar suas seis primeiras revistas na lista das 100 mais vendidas. Agora, chegou a vez de Sérgio Cariello entrar para esse time. Ele é o primeiro brasileiro a ser contratado pela editora.


• Outros artigos escritos por

.

.

.