Strunfs, Schtroumpfs ou Smurfs?

Por Marcelo Naranjo
Data: 14 agosto, 2006

É hora de relembrar a história dos simpáticos duendezinhos azuis, sucesso nos quadrinhos e na televisão

Por Marcelo Naranjo

Os Duendes Strunfs  - O Strunfíssimo
No distante ano de 1958, na Bélgica, surgiam os pequenos personagens que,
décadas depois, se tornariam mundialmente famosos.

Les Schtroumpfs (nome original, em francês) tiveram sua primeira aparição
no papel de coadjuvantes, numa trama da série em quadrinhos Johan et
Pirlouit
, que se passava na Idade Média, com as aventuras de um cavaleiro
e seu escudeiro, na história La Flûte à six trous, publicada no
famoso Le Journal de Spirou (Dupuis).

Posteriormente, as histórias seriam coletadas em álbuns, que fizeram bastante
sucesso na Europa. O criador, o belga Pierre Culliford, conhecido como
Peyo, faleceu em 1992.

Foi no ano de 1975 que os duendes azuis chegaram às bancas brasileiras,
sob a supervisão editorial de Otacílio D’Assunção Barros (Ota), pela Editora
Vecchi
, com um nome próximo ao seu original: Os Strunfs, e
com alguns personagens que teriam seus nomes modificados posteriormente
com o advento do desenho animado, como você verá a seguir.

Os Duendes Strunfs  - A Strunfete
Os Strunfs são duendes azuis que vivem numa aldeia na floresta, escondidos
do resto do mundo. Cada habitante tem sua peculiaridade, e é chamado de
acordo com ela. Assim, há o Strunf preguiçoso, o cozinheiro, poeta, brincalhão,
zangado e por aí segue.

Gargamela (não, a grafia não está errada) é o grande inimigo deles, um
feiticeiro que quer transformar metal em ouro criando a pedra filosofal.
E um dos elementos da “receita” para a fórmula é um Strunf, que ele descobre
ser extremamente difícil conseguir.

Depois de penar nas mãos dos duendes, o bruxo decide semear a discórdia
entre os pequeninos e, para tanto, usa a Strunfete, numa das mais divertidas
tramas da série. A moçoila espalha o caos na aldeia, falando sem parar
e provocando situações que colocam todos em grandes enrascadas.

Uma curiosidade das histórias é a maneira de falar dos personagens, que
utilizam como verbo de ação “strunfar” (posteriormente “smurfar”). Portanto,
eles strunfam diversas coisas ao longo das aventuras, e quem não
gostar que se strunfe

O Ovo Strunfado
Com o final da série pela Vecchi, que publicou sete edições em
formatinho e os álbuns O Ovo Strunfado, Os Strunfs e o Crau-Crau
(este um dos mais divertidos) e O Cosmostrunf, os personagens voltariam
com tudo no início da década de 1980, graças ao desenho animado da Hanna-Barbera,
que fez sucesso mundial, e chegou ao Brasil pela Rede Globo.

Reza a lenda que o nome “Smurfs” foi utilizado porque era mais fácil de
ser pronunciado que o título original, principalmente pelo público dos
Estados Unidos.

Com isso, em 1982 a Editora Abril lançou a revista Os Smurfs,
aproveitando o enorme sucesso do desenho da televisão, e chegou a republicar
algumas das histórias que saíram pela Vecchi, mas com nova tradução,
com os nomes iguais aos usados na TV.

Assim, o leitor conferiu o Papai Smurf, o feiticeiro Gargamel e seu gato
Cruel, em vez do utilizado nas revistas da Vecchi: o Grande Strunf,
o feiticeiro Gargamela e seu gato Azrael, respectivamente.

Os Smurfs
O gancho utilizado pela Editora Abril na capa da primeira edição
dos Smurfs, na época, foi um bocado infeliz: Da TV para os quadrinhos.
Afinal, subestimou demais a verdadeira mídia que deu origem aos famosos
homenzinhos azuis!

Curiosidade: existe uma teoria conspiratória afirmando que os Smurfs seriam
uma tentativa de introduzir na consciência de crianças os fundamentos
do comunismo, por elementos como a divisão de trabalho entre os personagens,
com cada um desempenhando seu papel numa sociedade igualitária e justa.
Enquanto isso, Gargamel simbolizaria o capitalismo, o homem malvado que
queria utilizar os duendes para transformar metal em ouro. Ninguém merece!

O importante é que fica a saudosa lembrança para quem conheceu essa simpática
série, seja pelos quadrinhos ou pelo desenho animado – além da enorme
quantidade de produtos, brinquedos e similares que a franquia propiciou.

Com tiradas divertidas e ótimas gags, histórias originais e criativas,
narrativa simpática e uma temática com mensagens positivas, agradando
adultos e crianças, pode-se esperar pelo futuro retorno dos personagens,
já que foi divulgada a produção de um filme de animação em computação
gráfica.

Enquanto isso, quem lembrar da música tema pode cantarolar em voz alta!

Marcelo Naranjo adorou strunfar essa matéria cheia
de nostalgia. E aconselha os leitores que não tiverem nada pra strunfar
neste momento, que dêem uma passada no Museu
dos Quadrinhos
e strunfem as saudades de outras séries antigas
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