Super-heróis a peso de ouro

Por Marcelo Naranjo
Data: 22 julho, 2009

Com a segmentação do público, os quadrinhos de luxo, incluindo os super-heróis, estão cada vez mais caros – e o cenário parece irreversível.

 

Terra X - Edição DefinitivaLeitor de quadrinhos “das antigas” (como este escriba) deve se lembrar: com algumas moedas, era possível comprar sua revista em quadrinhos favorita, quase sempre infanto-juvenil ou de super-heróis – gêneros que predominavam nas bancas por volta da década de 1970.

Antes disso, eram ainda mais baratas. Para ficar no óbvio, as tiragens eram muito, muito maiores, o que possibilitava preços reduzidos.

O tempo passou, outras formas de entretenimento surgiram, as HQs vendem cada vez menos – parte delas, pois os Estúdios Mauricio de Sousa continuam bem, obrigado.

Mas chega de reminiscências, mesmo porque Samir Naliato fez uma boa análise, anos atrás, sobre o assunto, no Universo HQ.

A Morte do SupermanPresente. Julho de 2009. O blog da loja Comix divulga alguns lançamentos da Panini. Confira três deles:

Terra X – Edição Definitiva (424 páginas, capa dura, R$ 110,00);

A Morte do Superman (392 páginas, capa dura, R$ 92,00);

Questão: Zen (176 páginas, capa dura, R$ 49,00).

Bacana, álbuns de capa dura são lindos. Mas será que é material digno de todo esse luxo? Afinal, não estamos falando de O Cavaleiro das Trevas (cuja edição em capa dura esgotou), muito menos do imprescindível Watchmen. Os títulos em questão são a morte do Superman (já lançada no Brasil em formatinho, pela Abril)! Uma HQ do Questão! E de similares.

Questão: Zen Outra pergunta: o preço é maior porque as tiragens são menores, ou vende pouco porque os preços são maiores? Quem é mais “velhinho”, certamente deve se lembrar da brincadeira de uma propaganda dos biscoitos Tostines, que hoje – que pena – se enquadra no mercado de quadrinhos.

Com certeza não é só culpa da editora. Mesmo porque a Panini é uma empresa sólida, e cabe a ela, e só a ela, decidir o preço dos seus produtos. Os parênteses ficam para quem acompanha os super-heróis, uma sensação estranha de olhar para determinados volumes de luxo e perguntar se era mesmo para tanto.

O que é fato é que quadrinhos, faz tempo, deixaram de ser uma diversão barata. É raro um leitor não reclamar dos preços praticados por esta ou aquela editora, algumas que nem estão mais no mercado, caso da Opera Graphica, que era uma das mais criticadas.

O Cavaleiro das Trevas  Enfim, este artigo não se propõe a apresentar soluções para a verdadeira “crise” dos quadrinhos (perdão, DC Comics), que os fará migrar cada vez mais das bancas para livrarias. A proposta aqui é pura e simplesmente retratar uma realidade que torna cada vez mais inviável comprar boa parte daquilo que se quer colecionar.

Lembrando ainda que o mercado não tem apenas os super-heróis, mas também ótimos materiais de diversas vertentes, inclusive trabalhos nacionais, sendo lançados mensalmente por diversas editoras.

Mas, pensando bem, essa é a parte bacana do negócio!

Concorda? Discorda? Comente!

Watchmen

Marcelo Naranjo só escreveu essa matéria porque não consegue mais comprar todos os quadrinhos lançados em bancas e livrarias. É um cara de pau.

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