GIBI SEMANAL

Por Marcelo Naranjo
Data: 1 dezembro, 2001

Vamos voltar ao ano de 1974. Mais precisamente ao mês de Outubro. Nessa data, a RGE – Rio Gráfica e Editora (atualmente conhecida como Editora Globo) teve a ótima iniciativa de relançar nas bancas brasileiras um verdadeiro clássico: a revista Gibi.

Popeye, publicado no Gibi SemanalPublicada pela primeira vez em 1939, teve originalmente em suas páginas Charlie Chan (aquele mesmo que, anos depois, ganharia um desenho animado pela Hanna-Barbera), Brucutu, Ferdinando e vários outros personagens das histórias em quadrinhos. Na época, Gibi significava moleque, negrinho, porém, com o tempo a palavra passou a ser associada a revistas em quadrinhos e, desde então, virou uma espécie de “sinônimo”.

Ao relançarem a revista, com periodicidade semanal, fizeram uma excelente seleção de material, inclusive com histórias que saíram nas edições originais. Confira algumas das preciosidades que foram publicadas:

Formato de tiras:

    Recruta Zero

  • Popeye, por Bud Sagendorf
  • Recruta Zero, por Mort Walker
  • Peanuts, por Charles Schulz
  • Brucutu, por Dave Graue
  • Touro Sentado, por Gordon Bess
  • Versus, por Jack Wohl
  • Frank e Ernest, por Bob Thaves
  • Chico Peste, por Paulo Cesar Munhoz
  • Bronco Bill, por Rog Bollen e Gary Peterman
  • Hagar, por Dik Browne
  • Mãe!, por Mel Lazarus

Histórias em Quadrinhos:

    O Mestre, HQ italiana no Gibi

  • Tarzan, por Burne Hogarth
  • Nick Holmes, por Alex Raymond
  • Homem-Elástico, por Jack Cole
  • Ferdinando, por Al Capp
  • Brick Bradford, por Paul Norris
  • Steve Canyon, por Milton Caniff
  • Agente Secreto X-9, por Al Williamson
  • O Mestre, por Mino Milani e Aldo Di Gennaro
  • Cisco Kid, por José Luis Salinas
  • Os Panteras, por J.M.Burns e L.A.J.Lilley
  • The Spirit, por Will Eisner
  • Dick Tracy, por Chester Gold
  • Sir Teréré, por R.B.Fuller
  • Flash Gordon, por Dan Barry
  • Lucky Luke, por Morris e Goscinny
  • Príncipe Valente, por Harold R. Foster

A edição de número um de Gibi traz uma introdução do Professor Álvaro de Moya, contando justamente a trajetória da publicação. O professor foi colaborador da revista e é seu o lay-out da capa da edição nº 30.

Falando nas capas, as mesmas são de uma qualidade e criatividade surpreendentes. Os capistas eram Walmir Amaral de Oliveira e Murilo Marques Moutinho, sendo que o primeiro teve participação na idéia do relançamento.

A revista tinha formato gigante, de aproximadamente 40 (altura) x 30 cm (largura), com uma parte em cores, nas tiras; e outra em preto e branco, no caso das histórias completas. Tudo em papel jornal. Mesmo com todo esse cuidado e apuro, o Gibi Semanal durou somente quarenta números, que foram republicados posteriormente em quatro edições encadernadas que compilavam dez edições cada.

Capa de Gibi semanal #40Por volta do número 36, para evitar o fim abrupto da publicação, a editora Sonia Hirsch teve a idéia de propor um “morte digna” para a revista, que acabou ocorrendo no número 40, no qual constava uma nota explicativa sobre o motivo do cancelamento, que não é difícil de imaginar… baixas vendas.

A revista começou com uma tiragem de 160 mil exemplares, e sua última edição teve “apenas” 35 mil (esse número era considerado baixo, por se tratar de uma editora de grande porte).

A capa da última edição é um achado: o personagem símbolo da revista, um negrinho, indo embora carregando uma trouxa, por onde caem tiras de quadrinhos. Naquele triste momento, o Gibi foi um “precursor” de uma situação que viria a se repetir tantas e tantas vezes em nosso combalido mercado nacional de HQ’s…

Marcelo Naranjo, o “arqueólogo” do Universo HQ,não sossegou enquanto não completou sua coleção do Gibi Semanal. Depois de inúmeras peregrinações aos sebos de São Paulo, conseguir seu objetivo e agora fica fazendo inveja aos amigos, mostrando as edições! Não sabe o risco que está correndo! Sabe como é, né? Assaltos acontecem…

 

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