Os Especiais de Tarzan

Por Marcelo Naranjo
Data: 14 agosto, 2006

Grandes artistas em lançamentos que marcaram época em nossas bancas

Por Marcelo
Naranjo

A Origem de TarzanTarzan,
o Rei dos Macacos, personagem de sucesso perene no imaginário popular,
teve na Editora Ebal um de seus principais lares, participando
com destaque de lançamentos em quadrinhos nas bancas brasileiras.

O Homem-Macaco foi protagonista de várias séries mensais publicadas em
formatos grande, americano e formatinho, além de almanaques, edições anuais
e especiais.

Tarzan surgiu na literatura, criado por Edgar Rice Burroughs, e teve sua
primeira aparição em 1912, em episódios seriados na revista All-Story
Magazine
, que posteriormente dariam origem ao livro Tarzan of the
Apes
, publicado em 1914 e que se tornou o best seller daquele
ano nos Estados Unidos.

Relembrando: Lorde Greystoke e sua esposa, Lady Alice, partem num veleiro
rumo à África, porém devido a um motim são obrigados a ficar numa praia,
em meio à selva. Sobrevivem com muito esforço e tem um filho. Alice falece
vítima de uma doença e, posteriormente, o gorila A Primeira Aventura de Tarzan em QuadrinhosKerchak
acaba com a vida de Greystoke. Seu pequeno herdeiro sobrevive, adotado
pela gorila fêmea Kala, cujo filhote havia morrido. Surge Tarzan, o Rei
dos Macacos.

Com a avalanche de livros que o personagem viria a protagonizar, além
de sucesso no cinema, era apenas uma questão de tempo até Tarzan chegar
às HQs.

No ano de 1929, com esperado sucesso, Tarzan surge em tiras diárias e
depois em páginas dominicais, pelas mãos do fantástico desenhista Harold
Foster (Príncipe Valente). E parte desse material está na edição
A Primeira Aventura de Tarzan em Quadrinhos (Ebal, 1975),
em preto-e-branco, com 300 ilustrações do autor, acompanhadas por textos
logo abaixo dos desenhos.

Foster não colocava o texto em balões, pois não queria sua arte “escondida”
nos espaços negativos criados por eles, expediente também (muito bem)
utilizado no Príncipe Valente.

Tarzan, O Filho das Selvas
Burne Hogarth é o mais lembrado dos artistas responsáveis pela arte de
Tarzan. Ele assumiu o Homem-Macaco em 1936 e, a principio, teve que manter
o estilo de Foster, por imposição dos editores. Pouco a pouco, porém,
“soltou a mão”, e com um desenho incrivelmente belo e realista, além de
uma grande preocupação com anatomia, acabou por ser a grande referência
nas ilustrações do personagem. Este grande autor é chamado de “Michelangelo
das histórias em quadrinhos”.

Um álbum impecável e de tiragem limitada foi lançado pela Ebal
em 1973: Tarzan, O Filho das Selvas. Em capa dura, com sobrecapa
e papel especial, esta soberba edição apresenta um trabalho criado por
Hogarth mais de 20 anos após ter deixado o personagem.

Uma longa biografia, ilustrações, o criador no Brasil e uma entrevista
completam o álbum, que tem sua belíssima história principal colorida,
com os textos também à parte das ilustrações, que parecem criar vida pelo
talento deste artista.

Coleção Tarzan/Russ Manning #1 - O Berço dos Deuses
Seguindo a trajetória do Rei das Selvas, é a vez de Russ Manning ter sua
cota de edições especiais. Ele assumiu as tiras diárias e pranchas semanais
do personagem em 1968, e já vinha desenhando-o havia alguns anos.

Manning tinha um estilo claro e limpo, que os colecionadores encontram
nos álbuns Tarzan – O mundo que o tempo esqueceu e Tarzan –
O poço do tempo
, ambos publicados pela Ebal em 1976. Nestas
edições, o mote principal é a fantasia, com o personagem visitando uma
ilha desconhecida e encontrando civilizações perdidas, com direito a homens
pré-históricos, dinossauros e outros seres estranhos.

Mas, sem dúvida, o grande destaque deste criador fica para a Coleção
Tarzan/Russ Manning
, cinco álbuns em formato horizontal, preto-e-branco,
lançados pela mesma Ebal em 1975 com pranchas dominicais que O Livro da Selva  #1englobam
as histórias O Berço dos Deuses (Volume 1); O Templo de Opar
(Volume 2); O Rio do Tempo (Volume 3); Paul-ul-don, o Reino
do Passado
(Volume 4) e A Sacerdotisa dos Ho-Dons (Volume 5),
histórias que contam com a participam de Korak, o filho de Tarzan.

E o privilegiado Lorde Greystoke também teve sua cota nas mãos do mais
que talentoso Joe Kubert, com destaque para os álbuns A
Origem de Tarzan
(Ebal, 1974) e A Volta de Tarzan
(Ebal, 1974). Com seu traço peculiar, o criador reconta a origem
do personagem, e atualiza suas aventuras trazendo de volta o aspecto mais
selvagem e violento de Tarzan, anteriormente amenizado por Russ Manning.

John Buscema marca presença com sua bela arte em O Livro da Selva
(Ebal, 1979), minissérie colorida em três edições, formato americano
e lombada quadrada, com roteiros de Roy Thomas, apresentando histórias
baseadas no livro Tarzan e as Jóias de Opar.

O Massacre dos Inocentes
Completando este pequeno apanhado das edições especiais (pois os criadores
citados e muitos outros artistas de renome estiveram presentes nas revistas
mensais), há ainda os coloridos O Massacre dos Inocentes (1980),
com arte do espanhol Jaime Brocal Remohi (Taar o Rebelde) e O
Lago da Vida
(1980), com o desenho inspirado e algo assustador de
José Ortiz.

Em O Massacre dos Inocentes, três bandidos explodem uma ponte pela
qual passava um trem, provocando a morte de toda uma tribo africana que
estava sendo transportada devido à construção de uma hidrelétrica. Tarzan
busca incansavelmente os vilões para levá-los a justiça da selva.

O Lago da Vida é uma história com mais ênfase no elemento fantasia,
com um bando de piratas que sobreviveram aos rigores do tempo. Eles raptam
Jane e levam Tarzan a uma busca que termina num lago onde o tempo não
passa.

Tarzan ainda aparece eventualmente em nossas bancas, mas no papel de coadjuvante,
como em Batman/Tarzan (Mythos Editora) e Superman/Tarzan
(Pandora Books), mas nada que restaure a glória que teve em tempos
idos.

Infelizmente, a selva não é mais um lugar tão mágico e divertido.

Marcelo Naranjo rende aqui sua homenagem a esses
quatro maravilhosos ilustradores: Hal Foster, Burne Hogarth, Russ Manning
e Joe Kubert, pilares fundamentais da história mundial dos quadrinhos
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