A moça namorou um bode… e surgiu um belo álbum de quadrinhos

Por Sidney Gusman
Data: 22 dezembro, 2003

A Moça que Namorou com o BodeEm 1998, quando lançou, pela Editora Hedra Lampião… Era o cavalo atrás da besta da vida, o quadrinhista e cordelista cearense Klévisson Viana “acertou a mão”. Além de ganhar o HQ Mix de melhor graphic novel nacional, a edição, alguns anos depois, foi adotada como recurso educacional pelo Ministério da Educação.

Agora, o autor acaba de lançar um novo álbum, que pode trilhar o mesmo caminho. Trata-se do ótimo A Moça que namorou com o Bode, uma adaptação de um cordel de Ari Evaldo Lima, publicada por meio de uma parceria de três editoras, a Tupynanquim (Ceará), a Coqueiro (Pernambuco) e o CLUQ (São Paulo).

A história é sobre a bela jovem Chiquinha, que era alvo do desejo de todos os rapazes de uma pequena cidade no sertão do Ceará. O problema é que seu pai era uma verdadeira fera e prometia capar quem dela se aproximasse. Mas, um dia, enquanto tomava banho nua num riacho, um bode espantou do local todos os curiosos que a observavam. Em seguida, por magia, se transformou num belo rapaz e os dois se amaram sob as águas.

No entanto, Chiquinha engravidou, e como convencer a família que o filho era de um bode? Nem mesmo a poderosa “cabacinha” um chá abortivo feito pela sua mãe, Dona Zefinha, surtiu efeito. E a conclusão da trama é interessantíssima.

O álbum, uma verdadeira aula de cultura popular, torna-se ainda mais atraente, porque todos os personagens falam num delicioso “nordestinês”, e com as rimas próprias do cordel.

Além disso, várias figuras ilustres das artes e da cultura popular fazem “pontas” na história. Confira alguns: Luiz Gonzaga, o poeta Patativa do Assaré, o cartunista Biratan Porto, o bonequeiro Pedro Boca Rica, o cordelista e menestrel João Lucas Evangelista, o “advogado dos pobres” Quintino Cunha e outros.

Pra usar um dito popular, A Moça que namorou com o Bode é bom de “cabo a rabo”. Começa com um divertido e criativo prefácio no qual o casal Joseph e Sonia Luyten (colunista do UHQ) travam uma peleja, cada um defendendo sua área de atuação; ele, os cordéis; e ela, os quadrinhos. No final, como fez no álbum de Lampião, Klévisson brinda os leitores com uma série de desenhos com referências visuais sobre pessoas, animais e objetos do Nordeste.

Este maravilhoso trabalho pode ser encontrado em grandes gibiterias do País ou solicitado por e-mail. Para os fãs do (bom) quadrinho nacional, é imperdível!

• Outros artigos escritos por

.

.

.