Adaptação das obras de Machado de Assis encontra dificuldades

Por Samir Naliato
Data: 3 março, 2001

No final do ano passado, foi divulgado o projeto do jornalista Marcelo de Andrade, para adaptar quatro contos de Machado de Assis para os quadrinhos. Os contos escolhidos foram O Enfermeiro, Pai contra mãe, A causa secreta e A Cartomante, que seriam ilustrados, respectivamente, por Spacca, Maringoni, Lourenço Mutarelli e Newton Foot. O ilustrador Orlando ficou encarregado do projeto gráfico da revista; e Osvaldo Pavanelli deve assinar a capa, além de desenhar uma biografia de Machado de Assis, roteirizada pelo idealizador do projeto.

As revistas serão distribuídas, gratuitamente, em escolas públicas localizadas em áreas de alto risco social da Grande São Paulo, segundo estudo da Secretaria Estadual da Educação.

Recentemente, Lourenço Mutarelli saiu do projeto, sendo substituído pelo desenhista Jô de Oliveira.

No início de 2001, o projeto – batizado de Literatura² (Literatura ao quadrado) – foi aprovado pela Lei Rouanet, que autoriza a captação de recursos junto a empresas. Quem financia-lo, recebe um desconto no imposto de renda de até 30% do valor investido. Mas, até agora, apesar da intensa divulgação, não apareceram patrocinadores. O Universo HQ conversou com Marcelo de Andrade, para saber como andam as negociações.

“Nenhuma das mais de cem pessoas jurídicas consultadas – entre empresas e ONG´s, dos mais variados segmentos – manifestaram intenção concreta de patrocinar o projeto, que está orçado em R$ 81.700,00, para uma tiragem de 30 mil revistas”, informou. A revista será em preto e branco, no formato 23 x 31 cm; 40 páginas; papel alta alvura, 120g; com capas coloridas, em papel couché fosco 180 g. A Fundação para o Desenvolvimento da Educação, órgão subordinado à Secretaria Estadual da Educação, já se comprometeu em distribuir as revistas. O início da produção só acontecerá quando entrar essa verba.

O Enfermeiro

Segundo Marcelo, o orçamento não assusta as empresas. “O custo não envolve só a impressão de 30 mil exemplares. Cobre meu pró-labore de idealizador, elaborador, organizador, coordenador e assessor de imprensa (estou trabalhando nisso desde junho do ano passado, com gastos de correspondência, celular, transporte etc); o pagamento dos desenhistas e dodesigner gráfico; assessoria de marketing, noite de lançamento (afinal, todo patrocinador quer aparecer), clipping, fotógrafo, banners, convites, buffet etc. Enfim, o orçamento para tudo isso está enxuto. É um pacote de marketing cultural completo”, explicou.

O prazo para conseguir patrocínio é até dezembro deste ano, e, caso não consiga, Marcelo oferecerá o projeto para editoras, que produziriam uma versão comercial. “Uma grande editora nos procurou. A princípio, ela se proporia a lançar uma versão comercial e bancar uma tiragem gratuita de 30 mil. Mas nunca mais nos deu retorno. Estou correndo atrás de editoras e de empresas, simultaneamente. Uma outra topou lançar, mas não tem como fazer a distribuição gratuita”, lamenta.

No entanto, desistir parece não estar em seu vocabulário. “Pode ter certeza: até o final do ano sai, ou de um jeito – com tiragem gratuita – ou de outro – sem Lei Rouanet e sem exemplares grátis, isto é, com venda ao consumidor por alguma editora”, garantiu.

Universo HQ continua acompanhando as notícias sobre o projeto. Fique de olho, pois, se surgirem novidades, divulgaremos.

A Cartomante

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