AVANTE, VINGADORES! # 16

Por Zé Oliboni
Data: 14 agosto, 2008

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AVANTE, VINGADORES! # 16
Título: AVANTE, VINGADORES! # 16 (Panini
Comics
) – Revista mensal

Autores: Vingadores – A Iniciativa – Dan Slott (Roteiro) e Stefano Caselli (arte);

Os Poderosos Vingadores – Brian Michael Bendis (roteiro) e Frank Cho (arte);

Mulher-Hulk – Dan Slott (roteiro) e Rick Burchett (desenhos);

Homem de Ferro – Charlie e Daniel Knauf (roteiro) e Roberto de La Torre (desenhos).

Preço: R$ 6,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Abril de 2008

Sinopse: Vingadores – A Iniciativa – Um dos reflexos da Lei de Registro de Super-Humanos é a obrigatoriedade de um rígido treinamento militar para que os novos heróis sejam habilitados a atuar. Contudo, isso talvez não funcione tão bem em jovens poderosos ao extremo.

Os Poderosos Vingadores – Em uma das primeiras ações dos Poderosos Vingadores, o Homem de Ferro se transformou numa mulher, aparentemente uma versão feminina do Ultron, que rapidamente derrotou o Toupeira. Agora, os heróis terão de descobrir como deter essa mulher misteriosa.

Mulher-Hulk – Com a ajuda dos seus amigos do Escritório de Direito Super-Humano, Jen descobre o que Tony Stark fez com seu primo, Bruce Banner. Enfurecida, ela volta até a S.H.I.E.L.D. para confrontá-lo.

Homem de Ferro – Comandar a S.H.I.E.L.D. não é tão fácil quanto Stark imaginava. Preso por burocracias e convenções militares, ele precisará de muito jogo de cintura e apoio para lidar com um perigo que está surgindo na China: a terrível volta do Mandarim.

Positivo/Negativo: A estréia de Vingadores – A Iniciativa é uma grata surpresa. Num primeiro momento, a série parece ser um imenso clichê. Apoiada na estrutura narrativa que mostra um treinamento militar rigoroso, abusivo e violento, chega a dar a impressão de que se está diante de uma versão superpoderosa de Tropa de Elite (hit do cinema nacional em 2007).

Aos poucos, apesar da estrutura básica batida, Dan Slott revela que a série pode ser mais interessante do que aparenta. Ele começa levantando uma questão interessante sobre o panorama de superseres do Universo Marvel. Sem os mutantes na equação (nenhum nasceu desde a Dizimação ocorrida em Dinastia M) só restaram os heróis com origem mais tradicional, os “felizes acidentes”. São pessoas que, devido a fatores bem improváveis, ganharam poderes e estavam à solta sem o menor treinamento.

Para resolver isso, o programa militar de treinamento dirigido pela S.H.I.E.L.D. pretende capacitar esses superseres para agirem como heróis.

O outro diferencial vem de algo que parece ser uma nuvem negra se formando sobre o horizonte do heroísmo na Marvel. De uns tempos para cá, todas as boas intenções têm se mostrado falhas e a meta dos fins justificarem os meios começa a predominar. Seguindo o exemplo na nova fase dos Thunderbolts, Vingadores – A Iniciativa exibe uma fachada positiva para a população, enquanto esconde algo mais sombrio.

Muito além de um treinamento rígido, aqui a falha pode significar a morte ou a supressão dos poderes para jovens que ainda estão longe de serem maduros o suficiente para atuarem como recrutas. Assim, a nova política de Stark se revela cada vez mais radical. Ou você está dentro ou será neutralizado.

Aliás, essa política também é levantada em Mulher-Hulk. Quando Jen descobre os planos dos Illuminati para o Hulk, que acabaram exilando seu primo do planeta, também terá que encarar outra verdade sobre Tony Stark: ele está pronto para tudo, inclusive deter seus amigos.

Nos últimos meses, a Mulher-Hulk tem ajudado o esquadrão Caça-Hulk a prender tradicionais inimigos do seu primo. O que ela não sabia era que Stark estava usando os vilões como cobaias para criar algo que parasse definitivamente o Gigante Esmeralda.

Nesta edição, também escrita por Slott, há outra virada interessante. Quando descobre que Stark tirou os poderes dela, Jen promete destruí-lo em outro campo. Uma tecla constantemente batida na série desde o começo é que Jen é muito mais que uma versão feminina do Hulk; é uma astuta advogada. E esta é a grande ameaça que faz: o alter ego do Homem de Ferro cruzou a linha e ela vai provar isso, condenando-o de alguma forma.

Se as duas séries se equiparam nos roteiros inteligentes, na arte há uma certa disparidade entre elas. Enquanto em Vingadores – A Iniciativa Stefano Caselli faz um bom trabalho, se adequando ao clima adolescente com nuances sombrios, Rick Burchett se perde na mudança de tom em Mulher-Hulk.

Burchett não tem um traço excepcional, mas se encaixava bem com as tramas caricatas e cheias de humor que Slott vinha desenvolvendo. Nesta edição, na qual esse clima muda e Jen parte com toda sua fúria contra Stark, o traço dele deixa bastante a desejar na representação da intensidade das cenas.

Outra série que começa a surpreender é Homem de Ferro. Claro que todo o contexto da Marvel tem contribuído para o crescimento do título. Afinal, enquanto Stark é retratado com um estrategista frio e calculista no restante dos títulos, aqui é revelada a fragilidade do personagem no seu novo cargo.

Ele está hesitante, perdido, dando passos em falso. Seus planos não levam aonde ele queria e Stark acaba pedindo ajuda para Dugan, que representa tudo desejava mudar ao assumir a S.H.I.E.L.D.

A narrativa ainda está embolada, mas as boas idéias começam a se sobressair. Uma delas é a nova versão do Mandarim, que parece ter seus anéis implantados diretamente em sua coluna.

A arte também tem ajuda. Roberto de La Torre segue um rumo bem diferente neste título. Um desenho requintado, cheio de detalhes, mas simplificado na medida. Longe do trabalho básico e estilizado que vinha fazendo em Miss Marvel, aqui ele revela outra faceta, na medida certa para o clima de realismo e tensão exigido pela trama.

Por fim, Os Poderosos Vingadores está caminhando na contramão do mix. Enquanto outros artistas menos badalados crescem, a dupla Bendis e Cho parece ter desaprendido.

Os desenhos de Cho, como sempre, são marcados pelas mulheres exuberantes. Mas como ele já provou diversas vezes que é capaz de fazer muito mais do que isso, fica difícil se contentar com o resultado mostrado. Os Poderosos Vingadores é apenas mais uma HQ com uma arte razoável ofuscada por beldades voluptuosas.

Mas quem realmente decepciona é Bendis, que parece ter esquecido como construir os diálogos inteligentes, naturais e afiados que o tornaram famoso. Ele tem carregado no uso do balão de pensamentos, entrecortando demais as falas.

É impressionante como os heróis conseguem se articular a ponto de falar uma coisa, pensar totalmente o oposto e ainda lutar. Se nem o leitor acompanha o raciocínio tortuoso, é difícil imaginar como os personagens o fazem.

Fora isso, a história de Stark, sem a menor explicação, se transformar numa mulher é gratuita. Parece aquela coisa que é feita só porque o desenhista é especialista em retratar mulheres seminuas…

Pena ver um título com tanto potencial e na mão de artistas tão capazes ser reduzido a cenas gratuitas amarradas com diálogos confusos.

Classificação:
Zé Oliboni, responsável pelo Pop Balões

 



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