BATMAN – CRÔNICAS – VOLUME UM

Por Eduardo Nasi
Data: 14 agosto, 2008

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BATMAN – CRÔNICAS – VOLUME UM
Título: BATMAN – CRÔNICAS – VOLUME UM (Panini
Comics
) – Edição especial

Autores: O caso da sociedade química – Bill Finger (texto) e Bob Kane (arte);

Blake, o ladrão de jóias francês – Bill Finger (texto) e Bob Kane (arte);

Batman encontra o Dr. Morte – Gardner Fox (texto) e Bob Kane (arte);

O retorno do Dr. Morte – Gardner Fox (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Sheldon Moldoff (arte-final);

Batman contra o monge louco – Gardner Fox (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Sheldon Moldoff (arte-final);

Batman luta contra o dirigível da morte – Gardner Fox (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Sheldon Moldoff (arte-final);

Perigo em Paris – Gardner Fox (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Sheldon Moldoff (arte-final);

O caso do ídolo de rubi – Bill Finger (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Sheldon Moldoff (arte-final);

Professor Hugo Strange – Bill Finger (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Jerry Robinson (arte-final);

Os espiões – Bill Finger (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Jerry Robinson (arte-final);

Apresentando Robin, o menino-prodígio – Bill Finger (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Jerry Robinson (arte-final);

A lenda de Batman: quem é ele e como surgiu – Bill Finger (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Sheldon Moldoff (arte-final);

O Coringa – Bill Finger (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Jerry Robinson (arte-final);

Professor Hugo Strange e os homens-monstro – Bill Finger (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Jerry Robinson (arte-final);

A Gata – Bill Finger (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Jerry Robinson (arte-final);

O retorno do Coringa – Bill Finger (texto), Bob Kane (desenho e arte-final) e Jerry Robinson (arte-final);

Preço: R$ 48,00

Número de páginas: 192

Data de lançamento: Setembro de 2007

Sinopse: Coletânea em ordem cronológica das primeiras histórias de Batman, mostrando as estréias do próprio Homem-Morcego e também de coadjuvantes como Comissário Gordon, Alfred e Robin; e vilões, como Hugo Strange e Coringa.

Positivo/Negativo: À primeira vista, esta pode parecer uma mera edição com as primeiras histórias de Batman, um volume sem nenhum apelo.

Para os leitores mais antigos, essas histórias estariam ganhando uma republicação, com uma ou outra aventura inédita. E, pelo que se viu quando essas aventuras saíram separadamente pela Ebal ou pela Abril, a narrativa deixa muito a desejar e a arte mal ultrapassa os limites da tosquice. O maior chamativo é mesmo o fetiche do fã pelo gênero: afinal, nessas páginas está o começo de tudo. Ou, para os veteranos obcecados, é aqui que está a raríssima cena em que Batman aparece com uma arma de fogo em punho (se é o seu caso, vá direto à página 24).

Os novatos também teriam tudo para torcer o nariz. Comparando com os dias atuais, percebe-se um contraste gritante no excesso de recordatórios, nos diálogos empolados e nos quadros pequenos e estáticos.

São pontos de vista que, de certa forma, estão certos, de gente coberta de razão.

Mas o grande mérito da Panini nesta primeira edição de Batman – Crônicas é fazer uma edição que supera os defeitos inerentes à obra e torna-se capaz de salientar suas virtudes, transformando-a de um álbum pouco interessante em um dos grandes destaques de 2007, ano de lançamentos imponentes no mercado brasileiro de HQs.

Afinal, é verdade, e das incontestáveis, que a narrativa é lenta e desgastada e que o texto perdeu força com o tempo. Mas não dá, de forma alguma, para dizer o mesmo da arte, e essa era uma noção que estava perdida.

As reproduções antigas estão limitadas à má qualidade das impressões na época. As mais novas, no formatinho da Abril, foram prejudicadas pela redução de tamanho e pelas novas cores.

Quem faz jus à arte memorável de Bob Kane é a Panini, que dá um tratamento magistral ao seu álbum. O trabalho é irretocável: o papel couché e a capa dura não são usados sequer pela DC Comics na coleção Batman – Chronicles, que serve de modelo para a versão brasileira.

A arte foi reconstruída em detalhes por dois times, creditados no álbum. Os traços em nanquim foram refeitos por Greg Theakston. As cores, por Bob Le Rose e Daniel Vozzo.

O resultado é impressionante: na nova versão, Kane deixa de ser um artista com limitações para se tornar um estilista de mão-cheia, que faz um Batman sombrio desenhado em preto, azul e hachuras que perambula por um cenário detalhado com obsessão (são notáveis, entre outros, o segundo quadro da p. 33 e a p. 45). Não há dúvidas: quem está diante do leitor é um anti-herói violento, que sangra, mas bate e apanha.

As histórias foram escritas em um tempo em que os limites de certo e errado e, portanto, de crime e castigo eram bem mais estreitos; numa época em que o olho por olho e a vingança ainda tinham espaço no rol moral da sociedade. Ao fazer o bem nas sombras, terra até então dominada por bandidos, Batman se tornou um personagem ambíguo. Suas histórias crescem, ganham corpo e peso, nas próprias contradições do personagem.

Mesmo Robin, criado para atenuar o personagem, faz sua primeira aparição no escuro, com feições que puxam muito mais para um duende endemoniado, com olhos em formato de lâmina, que abre um riso escancarado no rosto ao atingir um gângster. É uma versão atualizada não só de Robin Hood, mas de Pan. Vestido com seu uniforme, Dick Grayson deixa de ser um almofadinha. Curiosamente, só ele e o insano Coringa parecem se divertir enquanto cumprem suas missões.

Esses detalhes, que a edição da Panini recupera do limbo, fazem dessas histórias um grande marco dos quadrinhos. Não só porque nelas foram forjadas grandes lendas, mas também porque são, apesar de seus pequenos defeitos, HQs memoráveis em suas grandes virtudes.

Classificação:
Eduardo Nasi

 


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