Clássico do faroeste, Blueberry retorna ao Brasil pela Faria e Silva Editora

Por Samir Naliato
Data: 26 maio, 2020

Blueberry, o clássico quadrinho franco-belga, retorna ao Brasil, deste vez pela Faria e Silva Editora, que estreou há pouco no mercado. O título está em uma campanha de financiamento coletivo no Catarse.

Mas não se trata da série clássica do personagem. A edição que será publicada pela Faria e Silva Editora é Une aventure du Lieutenant Blueberry – Amertume Apache (ainda sem título em português, formato 24 x 32 cm, 64 páginas, capa dura e cartonada), com roteiro de Joann Sfar e arte de Christophe Blain.

Na França, um segundo volume da dupla foi anunciado, com o nome Les hommes de non-justice.

Os autores já foram publicados no Brasil: Sfar com dois volumes (O Bar-Mitzvah e O Malka dos leões) de O Gato do Rabino, pela Jorge Zahar, que infelizmente não concluiu a série; e Blain com Isaac, o pirata, que saiu incompleto pela Conrad, e Gus, que teve seus quatro álbuns (até o momento) lançados pela Sesi-SP.

Nesta história, enquanto patrulha os arredores de uma reserva indígena, o tenente Blueberry assiste ao homicídio de duas mulheres de uma tribo apache.  Os assassinadas são três jovens brancos. E as vítimas são a esposa e a filha de um guerreiro, Amertume. O crime põe em risco incendiar a região desencadeando uma nova guerra…

Trata-se de um material recente publicado pela Dargaud, no qual uma nova equipe criativa é responsável por trazer o personagem de volta.

O personagem foi criado em 1963 por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud (que mais tarde passaria a assinar suas obras como Moebius), e a série é considerada um dos melhores faroestes dos quadrinhos. Ela mostra as aventuras de Mike Blueberry no Velho Oeste norte-americano. Filho de um rico plantador escravocata do Sul, ele foge para o Norte no início da Guerra Civil nos Estados Unidos, após ser acusado pelo assassinato do pai de sua noiva.

Blueberry é salvo por Long Sam, um escravo fugitivo da propriedade de seu pai. Depois de se alistar no Exército da União, ele passa a lutar contra os Confederados e os preconceitos da época, sendo a favor dos direitos de afro-americanos e dos nativos americanos.

Em suas muitas viagens, Blueberry é frequentemente acompanhado por alguns companheiros de confiança, o velho Jimmy McClure, que bebe demais, e mais tarde também por “Red Neck” Wooley, um pioneiro e escoteiro do exército.

A série principal tem 30 volumes, sendo o mais recente de 2005, e cinco edições especiais. Além disso, a Dargaud também publica duas séries paralelas: La Jeunesse de Blueberry, com 21 álbuns, a maioria deles escritos por François Corteggiani; e Marshall Blueberry, com três títulos e uma edição especial.

Bluberry foi publicado poucas vezes no Brasil. A primeira aconteceu em 1976, pela Editora Abril, com O Homem da Estrela de Prata. Depois, passou pela Vecchi e novamente pela Editora Abril, até chegar na Panini Comics com três graphic novels entre 2006 e 2007.

Para saber mais do projeto, ver os planos disponíveis, recompensas programadas e apoiar, clique aqui.

Une aventure du Lieutenant Blueberry - Amertume Apache

• Outros artigos escritos por

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  • fehaa

    Já foi definido quem fará a tradução?

  • Heberton Arduini

    Fui do extase ao balde de água fria em segundos.

    • Alessandro Abrahao

      Eu também…

  • Marquito Maia

    A saudosa Meribérica distribuiu por aqui boa parte dos álbuns da série principal e uns três d’A Juventude de Blueberry!! Com a coleção do Jerry Spring, da também saudosa Edições 70, já está de bom tamanho!! Fica a torcida para que a empreitada dessa nova editora seja bem-sucedida!!

  • Banzé Baruel

    Parem de reclamar. Este material também é muito bom. E se vender bem, quem sabe tragam o material clássico ?

    • silas.

      Nossa, eu espero muito que também aconteça essa publicação da fase do Jean Giraud/Moebius! Aliás, na parte das novidades sobre a campanha Blueberry por Joann Sfar e Christophe Blain, a Faria e Silva colocou uma mensagem com o seguinte trecho: “Tenho certeza que não se arrependerão da qualidade do álbum que receberão em suas casas. E das possibilidades futuras que abriremos com este projeto.”

  • Marquito Maia

    Está mais pra faroeste no estilo Ken Parker, Comanche (do Hermann), Welcome to Springville (dos criadores de Ken Parker), enfim, quadrinhos com um conteúdo bem superior ao do mundinho maniqueísta e simplista do Tex e seus “parças”!!
    Por falar em Ken Parker, a melhor HQ de faroeste de todos os tempos, tomara que a pandemia não prejudique os planos do batalhador Wagner Augusto (CLUQ) de concluir a série Ken Parker Magazine!! Toc, toc, toc na madeira!! Abraço.