Desenhista Norm Breyfogle morre aos 58 anos

Por Samir Naliato
Data: 27 setembro, 2018

O desenhista norte-americano Norm Breyfogle, mais conhecido no Brasil pelo seu trabalho nas histórias do Batman, morreu na última segunda-feira, dia 24 de setembro, aos 58 anos.

A notícia foi divulgada por amigos e parentes, dois dias depois.

Breyfogle nasceu em 27 de fevereiro de 1960, em Iowa City, no estado de Iowa. Aos 12 anos, começou a ter aula de arte e, aos 16, já era considerado um talento por pessoas que viam seu trabalho. Além de trabalhar produzindo artes para revistas locais, se formou na Northern Michigan University, onde estudou pintura e ilustração.

Seu primeiro trabalho para a DC Comics aconteceu em 1984, numa curta história de seis páginas para a revista New Talent Showcase, e logo o autor começou a ser notado no mercado. Em 1985, desenhou uma aventura de American Flagg, para a First Press, e outra para a antologia Tales of Terror, da Eclipse Comics. Também teve a oportunidade de ilustrar uma aventura do Capitão América em Marvel Fanfare # 90 e fez Whisper, para a First Comics.

Em 1987, viria a grande oportunidade da carreira: foi contratado para ser o artista responsável por Detective Comics, revista mensal estrelada pelo Batman.

Batman # 465Legends of the Dark Knight - Norm Breyfogle

Ao lado do escritor Alan Grant, cocriou personagens como Ventríloquo, Caça-Ratos, Jeremiah Arkham e Zsasz. Também foi com desenhos de Breyfogle que Tim Drake foi apresentado pela primeira vez como Robin. Ele ficou em Detective Comics entre 1987 e 1990, passando depois para a revista Batman, na qual permaneceria até 1992. Logo em seguida, ilustrou Batman – Shadow of the Bat até 1993.

Também é dele a arte Batman – Terror Sagrado (1991), história da linha Túnel do Tempo (Elseworlds) e Batman – O Nascimento do Demônio (1992). A primeira saiu no Brasil pela Editora Abril em 1992, enquanto a segunda foi apresentada pela Eaglemoss, em 2016,  na edição DC Comics Coleção de Graphic Novels – Volume 16.

Depois, produziu algumas histórias para a Malibu Comics e Valiant Comics.

Na segunda metade da década de 1990 e início dos anos 2000, desenhou alguns projetos para a Marvel, incluindo histórias do Pantera Negra, Vingadores Anual, Felina e Thunderbolts 2000.

O artista voltaria para a DC em 2000 com o Elseworld Flash – Ponto de Fuga e a revista mensal do Espectro. Em 2011, participou ainda do projeto DC Retroactive, homenageando aventuras do Batman da década de 1990, e Batman Beyond Unlimited.

Outros trabalhos posteriores incluem livros infantis, sketchbooks e comissions para fãs. Também escreveu poemas e um romance que não terminou.

Em dezembro de 2014, Norm Breyfogle sofreu um derrame (saiba mais aqui), o que causou paralisia do lado esquerdo de seu corpo. Ele era canhoto e, apesar de recuperar um pouco dos movimentos, precisou se aposentar.

Detective Comics # 590 Detective Comics # 610

• Outros artigos escritos por

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  • VAM!

    Foi cedo, infelizmente.
    R.I.P.
    VAM!

  • Stephan

    Ele também cocriou Anarquia, um dos mais interessantes adversários do Batman, e que inclusive teve duas minisséries próprias.
    Obrigado, Norm, por suas contribuições à Nona Arte!

  • Alessandro Abrahao

    Merece sua série de encadernados Lendas do Cavaleiro das Trevas pela Panini.

  • Enoch

    Pra mim o Batman de Jim Aparo é insuperável mas mesmo assim é preciso reconhecer o valor da contribuição artística de Breyfogle para a mitologia do Cavaleiro das Trevas. Que descanse em paz.

    • Dimas Mützenberg

      Eu curtia ele até mais do que o Aparo.

      • VAM!

        Nessa época, eu também Dimas

        Mas é bom deixar registrado que Aparo, viveu seu período áureo do final dos 60 até final dos 70. Nas histórias do Fantasma/Falk, Espectro, Vingador Fantasma, Aquaman e logicamente no Batman de The Brave and the Bold.

        Na época em que alternava edições com o Breyfogle, sua precisão e refinamento já não eram mais os mesmos.

        Abs,
        VAM!

      • Enoch

        Eu conheci o Batman dos quadrinhos através da história As Muitas Mortes de Batman, pela arte de Aparo. E não muito tempo depois, ele acabou desenhando Morte em Família tb, sobre o (até então) trágico destino de Robin. Com isso, além de eu ter sido arrebatado pelo traço de Jim, ainda criei aquela memória afetiva. Mas certamente Breyfogle era fera.

      • Alexandre Floquet da Rocha

        Breyfogle era bom, mas Jim Aparo era melhor na minha opinião. Mas respeito seu gosto.

  • Marcelo Franco

    Desenhista sensacional. Deixou sua marca.

  • Marquito Maia

    Mais um talento que se vai… Ainda bem que tivemos a sorte de apreciar sua arte maravilhosa na série do Batman em formato americano da falecida Abril! Tomara que a Panini publique mais uma leva de Lendas do Cavaleiro das Trevas com os seus trabalhos!

    • VAM!

      Olá Marquito, o Breyfogle realmente subverteu as composições tradicionais apresentadas nas revistas do morcego com sua arte estilizada e layout de página arrojado; Lamentei muito quando deixou de trabalhar com o personagem.

      Assim como você espero suas Lendas dpela Panini, penso que ele por ser desenhista terá mais sorte do que o Len Wein, que sendo roteirista não está sendo considerado, segundo a atual programação dos editores.

      Abs,
      VAM!

      • Dyel Dimmestri

        Concordo plenamente. O Batman do Breyfogle tinha um visual estilizado, sem ser caricato, antecipado em alguns anos, o estilo que Bruce Timm viria a apresentar na já clássica série animada. A Panini precisa republicar o trabalho deste notável artista na coleção Lendas Dó Universo DC!!

  • Charada

    Grande artista! Colecionei Batman formato americano da Abril nos anos 90, tive até uma carta publicada na revista respondida pelo próprio cavaleiro das trevas rsrsrs Norm e Aparo eram referências naquela época, além de Grant e Starlin, todos sobre a batuta de O’Neil. Com 11 anos eu me deleitava quando ler quadrinhos era visto como algo fora da linha para a maioria. Fica aqui a minha admiração eterna, mister Breyfogle!

  • VAM!

    Olá UHQ!

    Como forma de homenagem, quero compartilhar com os colegas uma edição imaginária de “Batman no Brasil”, com uma exclusiva capa assinada pelo Breyfogle.

    http://vamilustrador.wixsite.com/batdeira/single-post/2015/10/02/O-CAVALEIRO-DAS-TREVAS-CARIOCAS

    Abs,
    VAM!

  • Jotape Ferreira

    Achava a arte do Breyfogle sensacional nas HQs do Batman dos anos 1990.

    Que Descanse em Paz.

  • Dimas Mützenberg

    Haha. É bem por aí.

  • Charada

    Eu perguntei sobre a relação dele com o Dick, se ele sentia raiva. E o “Batman” respondeu NÃO rsrsrs

    • Alexandre Floquet da Rocha

      Esse negócio que a Abril fazia de responder as cartas como sendo o Batman que é um personagem fictício, achava ridículo. Me sentia menosprezado como leitor.

      • Dyel Dimmestri

        Curiosamente, a Marvel sofria deste mesmo mal aqui no Brasil, quando seus heróis foram publicados pela RGE (atual Editora Globo)… As cartas eram respondidas pelos personagens!

    • Gustavo Borgonovi

      Eu lembro dessa carta, inclusive. Haha

  • Fernando Amaral

    É o caso dessa ilustração fantástica com o relógio no fundo que aqui no Brasil foi capa da sensacional As Dez Noites da Besta, mas a história foi produzida pelos dois maiores Jims dos quadrinhos, Aparo e Starlin. Ao contrário de você, eu concordo com o Enoch: Jim Aparo é o melhor desenhista do Batman de todos os tempos. Mas Breyfogle está na minha lista de prediletos também, só temos a agradecer. Bons tempos aqueles.

    • Nunca gostei mto do Aparo, mas entendo quem curta o traço dele. Eu achava muito durão, hahaha!

  • Fernando Amaral

    Terror Sagrado, que revista maravilhosa. Lançada aqui no Brasil em 1992, tenho ótimas lembranças de ler os gibis que foram lançados nesse ano, eu tinha 10 e na minha vida só tinha espaço para os super-heróis. Adorava particularmente os Superalmanaques e edições anuais para ler nas férias.

  • Alexandre Floquet da Rocha

    Um grande talento da nona arte. Vai fazer falta. Descanse em paz.

  • muñeco

    Como assim “ele criou o Ventríloquo”? Ele criou o Scarface, que é o personagem principal, oras! Brincadeiras à parte, excelentes trabalhos, e nas publicações do Batman a boa colorização contribuía para o sucesso. A única coisa que salvava o Tim Drake era mesmo o desenho.

  • RenatoRodrigues

    Poxa, vida…
    Tenho alguns formatões dele da época da Abril, tinha uma arte ágil e com muito movimento. RIP