O Despertar de Cthulhu é a nova antologia de terror da Editora Draco

Por Samir Naliato
Data: 15 agosto, 2016

A Editora Draco está lançando uma nova antologia de quadrinhos de terror. Após O Rei Amarelo em Quadrinhos, obra que venceu o Troféu HQ Mix deste ano, chegou a vez de O Despertar de Cthulhu (formato 17 x 24cm, 168 páginas, R$ 49,90), com oito histórias inspiradas no mundo macabro de H. P. Lovecraft.

A coletânea tem o objetivo de perverter o leitor e convidá-lo para conhecer o lado mais obscuro do universo em preto, branco e verde. São mais de 164 páginas em que criaturas tão antigas quanto o universo são capazes de corromper a alma humana apenas com sua presença. Realidades nas quais a doença, a loucura e a perversão são pano de fundo para histórias que vão colocar sua sanidade em jogo.

A organização do álbum ficou por conta de Raphael Fernandes, que selecionou e reuniu um time de quadrinhistas formado por Antonio Tadeu, LuCas Chewie, Dudu Torres, Airton Marinho, Fabrício Bohrer, Caiuã Araújo, Marcio de Castro, Daniel Bretas, Jun Sugiyama, Hilton P. Rocha, Samuel Bono, Lucas Pereira, Bárbara Garcia e Elias Aquino. Tudo “aprisionado” dentro de uma enigmática capa feita por João Pirolla.

O lançamento acontecerá na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, entre os dias 24 de agosto e 4 de setembro de 2016.

A edição já está em pré-venda na Amazon Brasil.

O Despertar de Cthulhu

 

• Outros artigos escritos por

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  • Dimas Mützenberg

    Linda capa.

  • Moroni Machado

    Engraçado que as pessoas incluem elementos sexuais na H P Lovecraft que não existem e esquecem que o elemento que faz ele ser bom, são as idéias e o suspense que elas exercem

  • Enoch

    Vivo me prometendo conhecer o universo de H. P. Lovecraft mas acabo sempre adiando por motivos de força maior … Quem sabe agora ? De qq forma, é uma grande iniciativa a do pessoal envolvido no projeto. E que capa bacana !!

  • O Gato Socialista

    é minha opinião sobre Lovecraft. li ontem, pela primeira vez, algo dele, no caso, o chamado de Cthlhu.

    Acabei de ler, pela primeira vez, algo escrito por H.P. Lovecraft. O chamado de Cthulhu. O personagem, segundo informações colhidas a esmo em noites insônitas no emaranhado invisível da net, é a criação maior de seu autor. Trata-se de uma criatura pavorosa que dorme à espreita nos confins abismais dos oceanos e espera, em sua cidade fantasmagórica, o despertar. Esse despertar virá a partir de rituais arcanos e secretos realizados por humanos. Cthulhu é uma criatura imensa, com cabeça de polvo, asas nas costas e garras retorcidas nas mãos e nos pés, sua comunicação, sempre causadora de distúrbios, ocorre telepaticamente.

    Parece aterradora e poderia ser na época em que foi escrito mesmo. Mas e hoje? Eu li esse que é tido como mestre do terror, e não senti sequer uma cócega. E não senti sequer algo vagamente perturbador em meu juízo.
    Lovecraft insiste, em seu texto, em adjetivos do tipo “sinistro”, “caótico”, “insano”, “secreto”, e termos que aparentemente devem causar tais sentimentos. Mas não causa. A palavra “sinistro” presente em um texto não torna o mesmo sinistro. Seria o mesmo que dizer que S/I/N/IS/T/R/O, causa medo. Não causa. A palavra em si não é perturbadora. O ambiente criado deve instaurar medo. E Lovecraft não consegue criar esse ambiente, essa atmosfera de horror. E ele insiste, e muito, nesses adjetivos. Quase como que quisesse nos convencer que o que ele fala é medonho! Creio que nesse texto a palavra “sinistro” e similares deve aparecer umas cem vezes e com insistência.

    Observem Poe. No poema O Corvo não há muitas menções a tais termos, mas a atmosfera nos convence que há algo sinistro acontecendo. Quando o corvo surge, ele é mais assustador do que Cthulhu! Outro poema bastante perturbador é O Morcego, de Augusto dos Anjos, que só peca por querer explicar o morcego no fim. Mas a atmosfera das três primeiras estrofes nos enche de medo e pavor e de sombras. Nesses dois poemas notamos a existência de um mal, de um desequilíbrio, de uma insanidade e de uma realidade que parece estar além de nós, embora seja nós mesmos essa realidade.

    A loucura e insanidade, tão reivindicadas pelos personagens de Lovecraft, não tem sequer a centelha das mesmas conforme presenciamos em Poe. A queda da casa de Usher. O gato preto. O retrato oval. Por que esses contos ainda causam medo? Por que esses contos nos fazem sentir a realidade do mal?

    Porque são calcados no homem e em sua vida. Lovecraft credita suas insanidades a criaturas exteriores. É primitivo. Transferir a existência do mal e da loucura para entidades fantasmagóricas que vivem em cidades imaginárias, é coisa de humanos pré-escrita. O mal existe, porque o homem existe e não porque Cthulhu está adormecido e será invocado.

    O que é um corvo? Apenas uma ave. Causa medo? C/O/R/V/O. Não. Mas quando lemos The Raven nunca mais veremos aquela simples ave da mesma maneira. Eu lembro quando li esse poema pela primeira vez. Não dormi pensando na fineza do mal e da loucura.

    O que é Cthulhu? Uma criatura sinistra que surge do mar pavoroso e caótico e provoca insanidade através da telepatia. Causa medo. Não. Nem vampiro hoje causa medo. Descrições como Cthulhu causariam medo em fins do século XVIII, no auge do romantismo fantástico de Hoffmann e similares. Porém o zeitgeist contemporâneo perdeu o medo até de vampiros e de lobisomens.
    Apenas crianças teriam de medo de Cthulhu. E podem ter. Estão na idade de se apavorarem com descrições que são sinistras, porque a palavra “sinistra” está lá, porque a palavra “insana” está lá.

    Vejam O Pesadelo, de Fuseli. Isso é perturbador. E sabem o que é mais perturbador nesse quadro? O cavalo. Algo tão corriqueiro. Um cavalo! E é mais aterrador do que todas as vezes que Lovecraft insiste que Cthulhu é sinistro, é pavoroso e é insano!

    Essa forma de terror de Lovecraft, cheia de adjetivos e sem impacto, estranhamente influenciou muitos bons escritores e hoje até em games há referências às criaturas sinistras, pavorosas, perturbadoras, sinistras e insanas dele. Nesse caso, embora com resultados grotescos, os alunos superaram seu mestre.

    Enfim. Conheci Lovecraft. E estou rindo até agora do incrivel Godzilla tentacular dele. Imaginem Godzilla emergindo do mar e destruindo uma cidade. É apenas isso. Cthulhu não personifica nossos medos e angústias, como Poe faz em tudo o que escreve. Como dos Anjos faz no Morcego, como Fuseli faz no Pesadelo. Cthulhu é uma criatura gigantesca que existe. Que é sinistra e é melhor nem mesmo falar sobre ela.

    Daria mais certo em Pacific Rim… vejam a gravura! É um monstro assustador! Não adianta insistir em colocar mais do que isso nele, nem seu criador conseguiu.

    • Insomnia333

      Gostos são gostos, quando dizem que ele é um mestre do horror quer dizer que maioria das pessoas que conhecem suas histórias sentem medo “cósmico”.
      Isso vale pra quase qualquer conteúdo artistico/literário

    • Alessander Botti Benevides

      Eu concordo plenamente com você. Li “Nas montanhas da loucura” e “A casa maldita” esperando encontrar terror e horror, mas só encontrei referências à uma mitologia sobre criaturas alienígenas inteligentes e pré-humanas (os chamados “Anciões”). O texto é recheado de adjetivos como “sinistro”, “febril”, “bizarro”, “hediondo”, “grotesco”, “demoníaco” e “amaldiçoado”, mas sem qualquer ambientação que pudesse me proporcionar o mínimo de terror ou horror. Diferentemente, os contos de Poe que li exemplificam plenamente esses mesmos adjetivos, por meio de ambientações brilhantes capazes de mostrar a loucura febril dos personagens e a natureza sinistra dos eventos narrados. De qualquer forma, não me surpreende que chamem Lovecraft de “mestre do horror,” pois também chamam Stephen King de “mestre do terror” e eu não senti nem horror nem terror lendo a série “A Torre Negra.”

  • ITALOpkg ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Está aí uma das melhores histórias de terror já criadas de todos os tempos…