Editora Criativo resgata primeiro mangá brasileiro, de 1966

Por Marcelo Naranjo
Data: 7 novembro, 2017

Precursor do mangá nacional, o artista, escritor e editor paulista Minami Keizi (1945-2009) tentou lançar seu personagem Tupãzinho nos moldes do consagrado Astro Boy, de Osamu Tezuka, pela Editora Pan Juvenil. Sem sucesso, o autor o reformulou, deixando-o com as características de Gasparzinho, da Harvey Comics, para poder editá-lo em tiras no jornal Diário Popular.

Isso ocorreu em 1965. No ano seguinte, trabalhando como supervisor da Pan Juvenil, Minami planejou um álbum com uma meta ambiciosa: substituir a vacância deixada pelo Almanaque de O Tico-Tico, que até o final da década anterior era o grande atrativo dos finais de ano, nas bancas de revistas.

Para tanto, Minami escreveu uma antologia de contos e fábulas infantis, e orientou os artistas da casa, Fabiano Dias, José Carlos Crispim, Luís Sátiro e Antonio Duarte, que adotassem o estilo mangá — essa antologia foi publicada em 1966 com o título Álbum Encantado. Foi assim que, muitos anos antes do boom dos mangás no Ocidente, começou a se produzir no Brasil HQs com as características do quadrinho japonês.

Minami Keizi teve uma longa carreira à frente de suas empresas Edrel e Minami & Cunha, e também como autor de centenas de livros e quadrinhos realizados para editoras diversas – sua trajetória é descrita no livro Maria Erótica e o Clamor do Sexo, do jornalista Gonçalo Junior.

Agora, a Editora Criativo lança uma edição com a maioria das HQs publicadas no Álbum Encantado, fazendo um resgate importante e homenageando Minami Keizi.

O título tem 48 páginas, custa R$ 39,90 e está em pré-venda com 20% de desconto na loja online da editora. O Álbum Encantado será lançado no evento SketchCon II, em São Paulo, neste mês de novembro.

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  • A original é colorida, é que a Criativo produz muitos desses livros de Como Desenhar Mangá, além de ser responsável Neo Tokyo da Escala (onde o Minami foi colunista no começo, eles divulgaram o álbum desde agosto, previsto pro evento SketchCon II).

  • Marco Muchão

    Esse é tipo de publicação para um público muito específico e com tiragem muito limitada. Praticamente é vendida só nesses eventos.

  • Rafhael Victor

    Não espero uma grande qualidade narrativa, mas queria pegar. Pena que 40 reais por 48 páginas é caro demais.

    Btw, Tupãzinho se relaciona ao nome da minha cidade no interior de SP haha.

    • O original tinha mais de 100 páginas, eram HQs, contos e passatempos, mas acho que se focaram só na que são mais puxadas pro mangá.