Editora Noir lança O Criador de Deuses, biografia de Jack Kirby

Por Marcelo Naranjo
Data: 19 junho, 2017

Ninguém recebe impunemente o epíteto de “Rei” em um meio tão disputado como foi e é a indústria dos comics nos Estados Unidos – é o que revela a biografia de Jack Kirby, escrita por Roberto Guedes, o novo lançamento da editora Noir.

No seu berço, no meio editorial norte-americano das décadas 1920/1930, os quadrinhos ocupavam a posição mais baixa e desprezível na hierarquia das artes gráficas. Segundo Will Eisner, é esse o fato que fez com que tantos artistas e redatores judeus e filhos de imigrantes pobretões ocupassem o segmento.

Eisner comparou o meio a uma pocilga, na qual, independentemente de seus atributos, apenas os sem-esperança ou muito determinados topavam trabalhar. Ainda segundo o criador do Spirit, as pessoas usavam codinomes justamente para esconder sua origem miserável, na esperança de vir a atuar em publicações “mais decentes e dignas” que as páginas de quadrinhos de jornais e, depois, os comic books.

Conforme é retratado no livro O Criador de Deuses (220 páginas, R$ 49,90), Jack Kirby era um judeu brigão, um casca-grossa, uma figura “difícil” no tratamento, segundo seus próprios contemporâneos. E, se não fosse assim, talvez teria se perdido no ambiente violento dos guetos de Nova York da época, mas ele abriu caminho dando duro no meio editorial preconceituoso, como desenhista autodidata, munido da audácia necessária, e contando apenas com um talento nato, gigantesco, mas bruto, que foi lapidando até chegar ao auge na década de 1960 em diante. Porém, intuitivamente, nunca abdicou da rusticidade que o diferenciava dos demais grandes autores de quadrinhos.

Ele foi um esteta ao seu próprio modo – dando-se ao direito de deformar como quisesse as figuras que desenhava, desafiando o convencionalismo estético e a imposição de parâmetros de bom-gosto helênico, observado nos comics elogiados de Hal Foster e Alex Raymond. Kirby foi mestre em todos os gêneros que desenhou, mas especialmente revolucionário nos super-heróis, e intensamente criativo, também, embora esse potencial em particular tenha sido historicamente ofuscado.

O autor, Roberto Guedes (Stan Lee – O Reinventor de Super-Heróis, A Era de Bronze dos Super-Heróis), um veterano no estudo de quadrinhos, retrata Jack Kirby por inteiro, o homem e o mito, o artista e o soldado que serviu o exército na Segunda Guerra Mundial, o desenhista que brilhou na Era de Ouro e na Era de Prata dos quadrinhos, na criação dos seus deuses mitológicos.

 A Comix Book Shop terá à venda uma edição do livro com capa exclusiva e tiragem limitada.

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  • Super do BdE

    Será que rola na Amazon?

  • Presidente Exumador

    Embora o título seja bem equivocado quero muito ler esse livro.

    • VAM!

      Mas, se ele criou os Novos Deuses tá valendo, Exumador.
      Abs,
      VAM!

      • Presidente Exumador

        é…

    • Alessandro Souza

      Criador de deuses? F$@#-$e. Ditko criou o homem aranha.

      • Presidente Exumador

        Ixi… Com isso já perde o título de Criador de deuses… ¯_(ツ)_/¯

  • Alessandro Souza

    Ok. Beleza. E quando será que teremos uma biografia daquele que para mim, foi o maior de todos, Steve Ditko?

    • VAM!

      Quem sabe no centenário dele, Souza.

      Abs,
      VAM!

      • Alessandro Souza

        Outro.

        • VAM!

          Que outro oque, Souza.
          O homem tá com 90 anos ainda. : )
          Ele nasceu em 1927.
          Abs,
          VAM!

  • James Howllet

    Meio do ano do centenário do “Homem” e a Panini que apesar de vários serviços relevantes no segmento continua marcando bobeira.

  • Alvaro_G

    Salve o REI!