Editora Noir lança biografia de Steve Ditko

Por Marcelo Naranjo
Data: 11 abril, 2019

Steve Ditko, o artista norte-americano morto em junho de 2018, poucos meses antes de completar 91 anos, criou o Homem-Aranha em parceria com o editor e roteirista Stan Lee, em 1962.

Mas seu papel não ficou restrito ao desenho, tampouco ao herói que virou símbolo da Marvel Comics. Sua imaginação privilegiada deu vazão a uma série de características dos personagens da série, inclusive os vilões, nos 39 números que desenhou, até 1965. O mesmo talento que o levou a dar vida, sozinho, a criaturas intrigantes como Doutor Estranho; bizarros, como o Rastejante; radicais, como Questão; e polêmicos, como Rapina e Columba.

Mesmo autor de Stan Lee – O reinventor de super-heróis e Jack Kirby – O criador de deuses, Roberto Guedes imprime ao livro O Incrível Steve Ditko (formato 14 x 21 cm, 264 páginas, R$ 54,90) uma narrativa detalhada que resgata desde a infância de Ditko na acanhada Johnstown, estado da Pensilvânia, até sua consagração como coautor Aranha.

Ele mostra a família pobre, as brincadeiras na rua, o serviço no exército americano, o tímido começo na área editorial, em Nova York, e até mesmo o primeiro encontro com Stan Lee em uma escola de desenho. Traz revelações da vida particular e da carreira dessa misteriosa e, ao mesmo tempo, fascinante personalidade da arte sequencial.

Guedes esmiúça a personalidade e uma estranha filosofia que conduziu a vida do desenhista arredio e ermitão até seu ultimo suspiro. A partir de determinado momento de sua carreira, Ditko passou a escancarar suas ideias revolucionárias, muitas vezes classificadas como libertárias, nas páginas impressas. Principalmente nas publicações independentes, em que tinha completa autonomia.

Para detectar com precisão suas intenções mais obscuras nos títulos das grandes editoras como Marvel, DC e Charlton Comics, Guedes teve de mergulhar em várias obras da filosofa russa Ayn Rand, propagadora da filosofia do Objetivismo, especialmente em livros como A Nascente (1943) e A Revolta de Atlas (1957), para descobrir “mensagens subliminares” nos trabalhos mais famosos de Ditko.

Adepto do Objetivismo de Rand desde os anos 1960, Ditko acabou por se transmutar, dali em diante, em bem mais que apenas um artista da indústria dos comics. Se tornou também um criador compulsivo, um filósofo espontâneo e um crítico implacável da sociedade moderna.

Ele desagradou muita gente da indústria dos quadrinhos, rompeu com Stan Lee, oportunidades de trabalho foram perdidas e portas se fecharam para sempre. Amizades de longa data, como a que mantinha com o editor Dick Giordano, foram desmanteladas. Apesar de recluso, inacessível a entrevistas e pouco afeito a premiações e convenções de quadrinhos, Ditko jamais se furtou a defender seus rígidos, mas inteligentes, pontos de vista.

A obra traz várias reproduções de originais do artista e fotos raras do biografado, em momentos distintos de sua vida. A arte de capa foi realizada pelo cartunista Wander Antunes. O livro já está à venda no site da Editora Noir.

O Incrível Steve Ditko

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