Faleceu Murphy Anderson, desenhista da Era de Prata

Por Sérgio Codespoti
Data: 26 outubro, 2015

O desenhista da Era de Prata Murphy Anderson faleceu no último dia 23 de outubro, aos 89 anos de idade. O anúncio foi feito pela DC Comics.

A causa de sua morte não foi divulgada, mas segundo Mark Evanier, o artista estava com problemas de saúde havia vários anos e fazia algum tempo que estava evitando participar de convenções de quadrinhos em função disso.

Nascido em 9 de julho de 1926, em Ashville, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, Anderson ficou conhecido pelo seu trabalho durante várias décadas na DC.

Sua carreira nos quadrinhos começou durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, quando ele arranjou um emprego na editora Fiction House. A qualidade de seu desenho era tão grande, que em 1947 ele foi convidado a trabalhar nas tiras de jornais de Buck Rogers – vale lembrar que, naquela época, os artistas da tiras de jornais eram considerados grandes estrelas e recebiam muito mais do que os que trabalhavam nas revistas.

Ele desenhou Buck Rogers entre 1947 e 1949. As tiras do personagem estão sendo reeditadas pela editora Hermes, nos Estados Unidos.

Depois disso trabalhou na revista do exército PS, The Preventive Maintenance Monthly, ao lado de Will Eisner. Por volta de 1950, Anderson começou sua longa carreira na editora do Superman, personagem que também está fortemente associado ao desenhista, ao lado de Curt Swan.

Murphy Anderson

Anderson era polivalente. Trabalhava dentro da editora e era chamado não apenas para fazer lápis ou arte-final, mas para cobrir atrasos de outros, fazer capas, finalizar desenhos, dar retoques ou até arte comercial com os personagens da DC para serem utilizadas em produtos diversos.

O desenho de Anderson sempre estava dentro do visual padrão dos personagens. Ele ilustrou títulos como Superboy; Superman, Superman Family, Action Comics, Superman’s Pal Jimmy Olsen, The Atom, The Atom and Hawkman, Detective Comics, DC Comics Presents, The Flash, Green Lantern, Hawkman, Korak Son of Tarzan, The Spectre, Mystery in Space, Strange Adventures, World’s Finest e muitos outros.

Ele criou os Cavaleiros Atômicos, junto com o roteirista John Broome; Adam Strange, com Julius Schwartz; a feiticeira Zatanna, com Gardner Fox; e foi um dos mais importantes desenhistas do Gavião-Negro (Katar Hol), na década de 1960.

Na área técnica da produção de quadrinhos, foi Murphy Anderson quem propôs a mudança do formato padrão dos originais das páginas dos comic books, cujo tamanho original era 12 x 18 polegadas (30,48 x 45,72 cm) para o tamanho atual de 10 x 15 polegadas (25,4 cm x 38,1 cm), permitindo que duas páginas originais fossem fotografadas simultaneamente (passo importante na produção de fotolitos e outros aspectos de impressão).

Quando começou a diminuir sua produção, serviu por algum tempo como editor da PS, The Preventive Maintenance Monthly e se dedicou mais à sua empresa, Murphy Anderson Visual Concepts, além de fazer trabalhos técnicos, como separação de cores e outras tarefas da produção de HQs.

Ele foi vencedor do Alley Award nos anos de 1962, 1963, 1964 e 1965, em diversas categorias; entrou para o Jack Kirby Hall of Fame, em 1998; no Will Eisner Hall of Fame, em 1999; e finalmente, em 2013, passou a fazer parte do Inkwell Awards Joe Sinnott Hall of Fame.

Na nota divulgada pela DC, Anderson “era um gigante da indústria dos quadrinhos e uma das forças evolucionárias não apenas da DC, mas dos quadrinhos da Era de Prata, de maneira geral.”

Dan Didio, um dos publishers da DC, disse: “Estou muito feliz por ter tido a oportunidade de encontrar Murphy em diversas ocasiões. Ele era um cavalheiro e incrivelmente humilde em relação ao enorme impacto que causou em toda uma geração de fãs.”

Em 2003, a editora TwoMorrows publicou um volume – escrito por R. C. Harvey – sobre a carreira desse artista, The life and art of Murphy Anderson.

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