Faleceu o quadrinhista Jiro Taniguchi

Por Sérgio Codespoti
Data: 13 fevereiro, 2017

O desenhista e roteirista japonês Jiro Taniguchi faleceu no dia 11 de fevereiro de 2017, aos 69 anos. A notícia foi divulgada pela editora Casterman, que publica a obra dele na França, mas sem detalhes sobre a causa de sua morte.

Taniguchi nasceu em 14 de agosto de 1947, em Tottori, no Japão. Sua família tinha poucos recursos. Quando criança, ele passava seu tempo livre lendo e desenhando. No início da carreira, o autor foi assistente de Kyota Ishikawa, durante cinco anos. Seu primeiro mangá original, Kareta Heya, foi lançado em 1970, na revista Young Comic.

Depois disso, trabalhou como assistente de Kazuo Kimimura. Nessa época, descobriu as HQs franco-belgas, que eram raras no Japão, e ficou muito impressionado com o estilo da linha clara.

Entre 1978 e 1986, criou diversas HQs policiais e de aventura em parceria com os roteiristas Natsuo Sekigawa e Caribu Marley. Uma das curiosidades dessa fase é uma HQ histórica, Botchan no jidai, que se passa no período Meiji.

Jiro Taniguchi

Botchan no jidai tem enredo de Sekigawa, e teve cinco volumes publicados pela editora Futabasha, entre 1987 e 1996. Essa obra lhe valeu, em 1993, o prêmio da Associação dos Mangakás do Japão, na categoria Prêmio Excelência.

Garon Tsuchiya foi outro parceiro importante. Juntos, eles lançaram, entre 1980 e 1983, Ao no Senshi, Nakkuru Wozu e Live! Odyssey.

Na década de 1990 lançou Aruku Hito, Chichi no Koyomi e Hitobito Shirizu – Keyaki no Ki. Mas foi com Inu o kau (que pode ser traduzido como Terra dos Sonhos), que ganhou o prêmio Shogakukan. Mas foi com Botchan no jidai, mais uma vez, que faturou outro troféu, o Prêmio Cultural Osamu Tezuka, na categoria Grande Prêmio, em 1998.

No mesmo ano, ainda ganharia o Prêmio de Excelência da Agência de Assuntos Culturais do Japão, por Haruka-na machi (algo como Bairro Distante). Essa obra, inédita no Brasil, foi lançada na França com o título Quartier Lointain, e lhe rendeu o prêmio Alph-Art de Melhor Roteiro do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, em 2003. Além disso, também ganhou, em 2001, o Prêmio Micheluzzi, na Itália, como melhor HQ de 2001.

Quartier Lointain foi adaptado para o cinema em 2010, pelo roteirista Philippe Blasband e o diretor Sam Garbarski.

Em 1997, Taniguchi fez uma parceria com Moebius e os dois criaram Ikaru (Icarus).

Desde 2000, o autor publicou 18 HQs importantes, incluindo três que foram lançadas no Brasil: Seton (que a Panini não concluiu, pois só publicou o primeiro volume); Livro do Vento (Panini); e Gourmet (Conrad).

A série Gourmet foi adaptada para a televisão e o mangá foi indicado em 2016 para o Prêmio Cultural Osamu Tezuka.

Além de ser muito respeitada no Japão, a obra de Jiro Taniguchi tem um grande impacto na França, onde já foi alvo de duas grandes exposições. A primeira, Éloge du détour, em 2012, circulou por diversas cidades, incluindo a Cité internationale de la Bande Dessinée et de l’Image à Angoulême. E a segunda, também em Angoulême, em 2015, por ocasião do 42º Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, do qual Taniguchi foi um dos principais convidados. Essa mostra também pôde ser vista no Palácio de Versalhes, entre março e maio de 2016.

Quartier Lointain

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  • Canoa Furada

    Infelizmente Seton não vingou pela Panini. É um artista importante que merece ser mais publicado no Brasil.

    • Dyel Dimmestri

      Com toda a certeza.A Panini merece uns “puxões de orelha”,por não publicar o restante desta fantástica obra e outras deste artista.
      ALÔ, PANINI!!! Que tal dar um jeito nisto,hein???

      • Daniel Maverick Hunter

        não vai acontecer tão cedo. Seton Flopou tão Hard q as vendas não serviram nem pra pagar o custo da grafica, e travou a venda de quadrinhos de luxo em 7 anos. os editores classificaram como o maior fracasso da linha de mangás.

  • FabioRT

    O jeito é aprender ler em francês rs

  • Cool Jam 97

    Eu tenho as obras do Jiro Taniguchi lançadas por aqui (até onde sei foram 3 títulos), além de uma versão portuguesa de “O Homem que Caminha” (Série Ouro 19). Mas o pior foi a editora Conrad ter lançado por aqui a luva do “Gourmet” ao contrário. A capa ficou na parte de trás do mangá. O miolo ficou com leitura oriental, mas a luva (ou também conhecida com jacket) veio no formato ocidental. rs