Faleceu o quadrinhista Ely Barbosa

Por Marcus Ramone
Data: 22 janeiro, 2007

Ely BarbosaOs
quadrinhos brasileiros perderam um de seus nomes mais importantes. No
último dia 19 de janeiro, faleceu Ely Barbosa, criador de personagens
que dos anos 1970 a 1990 fizeram grande sucesso e marcaram toda uma geração
de leitores mirins.

A história de Ely Barbosa nos quadrinhos infantis teve início nos primeiros
anos da década de 1970, quando seu estúdio começou a produzir o gibi dos
Trapalhões para a editora Bloch. Mas foi em 1976, com a
estréia da Turma da Fofura e da Turma do Cacá na coleção
de livros infantis Silvio Santos para as Crianças (relançada com
sucesso em 2002), que seus próprios personagens se tornaram famosos e
migraram para as HQs nos anos seguintes, publicados pela RGE e
Editora Abril.

Amendoins
Outras criações do quadrinhista se destacaram, como os impagáveis Amendoins
(talvez os únicos personagens de Ely Barbosa que atingiam o público juvenil/adulto
com seu conceito e humor mais escrachados), e os garotos Gordo e Patrícia,
que ganharam títulos próprios no final da década de 1980 pela Editora
Abril
e permaneceram nas bancas até 1992.

Como reconhecimento por tudo que fez até então para os quadrinhos brasileiros,
ele recebeu o Prêmio Angelo Agostini na categoria Mestre,
em 1993.

Fã incondicional das obras de Monteiro Lobato, em 1997 o quadrinhista
criou um novo visual para os personagens do Sítio do Picapau Amarelo,
utilizado até 2001, quando a Globo resolveu mudar para o estilo de desenho
que hoje é usado nas
revistas em quadrinhos
.

Amendoins

“O Ely foi realmente uma figura importante para o desenho
brasileiro. Ele empregou e formou muitos desenhistas. O Brasil precisava
de mais artistas empreendedores como ele”, disse o ilustrador Newton Verlangieri,
que estagiou no estúdio do quadrinhista em 1982.

Ely Barbosa e suas criações
Paulo Borges, outro ilustrador que trabalhou com Ely Barbosa, pensa da
mesma forma. “Para quem conhece a história dos quadrinhos no Brasil, essa
é uma grande perda”.

O premiado Bira
Dantas
, ex-desenhista do gibi Os Trapalhões, também exprime
o sentimento que paira entre os que conviveram com aquele que consideram
seu mestre. “Por todas as dicas, a paciência e a liderança, eu agradeço
e dedico a ele o Prêmio Angelo Agostini que recebi há alguns anos”,
disse o cartunista, que trabalhou no estúdio de Ely Barbosa entre 1979
e 1982. “Profissional extremamente competente, ele fez parte da história
da HQ brasileira, com louvor”, concluiu.

Apesar do nome ligado aos quadrinhos, Ely Barbosa também produziu animações
e comerciais de TV, peças de teatro e séries televisivas infantis com
seus personagens, como Tutti-Frutti (vencedor em 1983 do Prêmio APCA,
da Associação Paulista dos Críticos de Arte, como melhor programa
infantil) e Boa Noite, Amiguinhos na década de 1980 e Fofura
na TV
, nos anos 1990.

Seus personagens também foram alguns dos campeões de licenciamento no
Brasil, até meados da década de 1990, estampando os mais diversos produtos,
como roupas, calçados, artigos escolares e até alimentos. Por muitos anos,
suas criações ainda ajudaram a divulgar o Baú da Felicidade, um
dos grandes sucessos do empresário e apresentador de TV Sílvio Santos.

Turma da Fofura
Consta, ainda, de seu extenso currículo artístico, a autoria de dezenas
de livros infantis (o último deles lançado em 2000) e o romance literário
Yanomami, um grito nas selvas (Editora Maltese, 1991). Este
livro leva consigo uma curiosidade: foi escrito originalmente para ser
uma novela da TV Globo. Quem o incentivou a apresentar a sinopse
àquela emissora foi seu famoso irmão, o escritor de novelas Benedito Ruy
Barbosa. Embora aprovada, a telenovela não foi produzida porque exigiria
um orçamento nada animador no Brasil que vivia sob os efeitos do famigerado
pacote econômico Plano Collor.

Em 2004, o artista informou
ao Universo HQ
que estava preparando um retorno triunfal à
mídia, na forma de tiras em quadrinhos, livros e programas de TV. Acometido
do Mal de Parkinson, porém, ele não pôde realizar o sonho de apresentar
seus personagens às novas gerações.

Ely Rubens Barbosa morreu aos 69 anos.

Cacá e sua TurmaO Gordo & Cia.Patrícia em Quadrinhos

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