Faleceu William Vance, desenhista da série XIII

Por Sérgio Codespoti
Data: 16 maio, 2018

O desenhista belga William Vance faleceu no último dia 14 de maio, em Santander, na Espanha, aos 82 anos de idade. Ele sofria da doença de Parkinson. Ele ilustrou séries como XIII, Bruno Brazil, Marshall Blueberry e Bob Morane.

Foi o editor Yves Schlirf, da editora Dargaud, que divulgou o óbito do desenhista, via Twitter.

Nascido em 8 de setembro de 1935, em Anderlecht, na Bélgica, William Vance – pseudônimo de William Van Cutsem – estudou na Academia de Belas Artes de Bruxelas e trabalhou vários anos com publicidade antes de se voltar para as HQs.

Começou sua carreira como desenhista do estúdio de Dino Attanasio, artista belga de origem italiana. No estúdio, ele colaborou com a produção de dois álbuns da série Bob Morane: La Terreur verte e Le Collier de Civa.

Na década de 1960, Vance estava desenhando para a revista belga Journal de Tintin. Eram HQs curtas, baseadas em episódios históricos, com roteiros de Yves Duval. Entre 1962 e 1967, ele ilustrou 56 dessas histórias.

Em 1964, desenhou sua primeira HQ de uma série, Howard Flynn. O personagem era um oficial da marinha britânica, em 1785. O texto era de Duval e a série teve três álbuns publicados – reunindo cinco aventuras -, além de um conto e um romance.

William Vance

Entre 1965 e 1968, além dos outros trabalhos mencionados, Vance passou a desenhar histórias de faroeste, do personagem Ray Ringo. Os roteiros eram de Duval, Jacques Acar e André-Paul Duchâteau. Com a saída de Gérald Forton da série Bob Morane, em 1967, ele assumiu os desenhos e começou a colaborar com o roteirista H. Vernes, produzindo 18 álbuns.

Na década de 1970, ele desenhou alguns volumes do agente secreto Bruno Brazil, com enredos escritos por Michel Greg. Em 1973, ilustrou os roteiros de Lucien Mey para as aventuras de Rodric, um cavaleiro medieval envolvido com as cruzadas.

Em 1974, desenhou as aventuras de Ramiro, um jovem guerreiro espanhol encarregado de executar missões para o rei Afonso VIII, no século 18. O texto era de Jacques Stoquart.

Nesse período, também trabalhou nas HQs S.O.S. Nature e Mongwy.

Dois anos mais tarde, Vance criou o corsário Bruce J. Hawker, fazendo roteiro e desenho. O lançamento ocorreu na revista Femmes d’aujourd’hui. As aventuras posteriores foram lançadas em Tintin.

Mas seu maior legado nos quadrinhos é a série XIII, iniciada em 1984 e realizada ao lado do escritor Jean Van Hamme. O conceito do título é fortemente inspirado no livro A Identidade Bourne, de Robert Ludlum. Vance ilustrou 18 dos 19 volumes do título original – o álbum de número dezoito tem arte de Moebius – antes de se afastar. Em 2010, anunciou sua aposentadoria em função da doença de Parkinson.

Enquanto fazia XIII, ele também desenhou dois volumes da série Marshall Blueberry, na década de 1990, com roteiros de Moebius.

Em 2005, foi premiado com o Adhémar de Bronze, uma homenagem cultural concedida apenas a artistas da região de Flandres, na Bélgica.

Vance era casado com a colorista Petra Van Cutsem (seu nome de solteira era Petra Coria), irmã do desenhista espanhol Felicísimo Coria.

William Vance é um nome muito importante na história da HQ franco-belga e seu falecimento apaga mais uma estrela no firmamento dos quadrinhos.

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  • Samuel Bono

    Caraca, esse desenhava muito. Baita narrativa maravilhosa ele tinha.

  • Samuka

    Uma grande perda! R.I.P.

  • Gustavo Nascimento

    Desenhava muito. Dos traalhos dele só conheci mesmo XIII que espero que ainda lancem completo aqui no Brasil e quem sabe alum outro trabalho.
    RIP

  • Alex Pereira

    Extremamente competente. Ainda espero a conclusão de XIII no Brasil. Que descanse em paz.

    • Daniel Pereira de Souza

      Bem lembrado. Ficamos órfãos da conclusão da saga XIII. Quanto ao desenhista – na minha opinião – vance era um exímio, suas paisagens são lindas, e com qualidades nota 10. Descanse em paz, velho espião!