A falta que faz Flavio Colin

Por Sidney Gusman
Data: 22 junho, 2020

Hoje, Flavio Colin completaria 90 anos. Um dos mais brilhantes autores de quadrinhos brasileiros em todos os tempos, ele segue merecendo numa republicação de seus trabalhos – a última empreitada nesse sentido foi da Pixel, com Caraíba, publicado em 2007, e da Opera Graphica, com Mapinguari e outras histórias, de 2003.

O autor faleceu no dia 13 de agosto de 2002, aos 72 anos, em virtude de um enfisema pulmonar.

Em 2001, o Universo HQ fez uma entrevista exclusiva com Colin, na qual ele falou sobre toda a sua carreira. Uma leitura que não pode faltar no dia de hoje.

Para relembrar um pouco da obra de Colin, o UHQ resgatou o especial que fez na época de sua morte, além de outras notícias e matérias sobre sua importância para os quadrinhos nacionais.

Em 2009, por exemplo, o jornalista Gonçalo Junior lançou, pela Marca de Fantasia, o livro Vida Traçada, um perfil do autor. Três anos depois, Sergio Chaves, editor da revista Café Espacial, criou uma fonte baseada na letra de Colin.

Além disso, o site Raio Laser, capitaneado por Ciro Inácio Marcondes, preparou um especial sobre os 90 anos de nascimento do autor, com depoimentos de muitos profissionais do mercado, de quadrinhistas a editores, passando por tradutores, pesquisadores etc. Há textos de Dandara Palankof,  Selma Oliveira, Gabriel Góes, Ivan Freitas da Costa, Marcelo Campos, Pedro Cobiaco, Fábio Cobiaco, Fabio Zimbres, Franco de Rosa, Watson Portela, Daniel Lopes, Pedro Mauro, Nobu Chinen, João Pinheiro, Alexandre Linck, Sandro Lobo, Carlito Machado, Marcelo Martinez, Ricardo Leite, Julio Shimamoto, Wellington Srbek e deste jornalista.

Flavio Colin

Completa a homenagem um podcast em que Flavio Colin Filho é entrevistado por Márcio Jr., Raimundo Lima Neto, Bruno Porto e Pedro Brandt.

Flavio Barbosa Mavignier Colin começou como funcionário da Rio Gráfica Editora, no final dos anos 1950, com a série Ciência em Quadrinhos. E logo estava adaptando para os quadrinhos as aventuras de O Anjo, importante seriado radiofônico da época.

No início da década seguinte, participou do movimento de nacionalização dos quadrinhos, com o personagem Sepé Tiarajú. E dezenas de aventuras de terror que ficaram antológicas, como sua obra-prima O Morro dos Enforcados.

Neste mesmo período, adaptou para os gibis o filme Shane, os brutos também amam, que é um marco na história do faroeste made in Brasil. E criou para as tiras de jornais as aventuras de Vizunga (republicada durante algum tempo pelo Universo HQ), uma obra ímpar.

Seguindo para as agências de publicidade, em meados dos anos 1960, Colin elaborou centenas de storyboards e viu circular em milhares de exemplares algumas de suas criações em quadrinhos, como o anúncio do Robin Hood para o refrigerante Fanta, dentre outros.

Na década de 1970, Colin voltou ao mercado editorial, com fábulas de horror para o álbum O Grande livro do Terror, no qual adotava um novo estilo de desenho, que encantou a todos.

Utilizando esta mesma técnica, passou a produzir durante toda a década de 1980 aventuras curtas para as revistas SpektroNeurosSertão e PampasCalafrioMestres do TerrorMundo do TerrorInter Quadrinhos e muitas outras.

Nos anos 1990, ilustrou dois álbuns premiados: A Mulher Diaba, da Editora Sampa, e O Boi das Aspas de Ouro, para a Editora Escala.

Nos anos que antecederam sua morte, emprestou seu traço para trabalhos independentes, como Fawcett, da Nona Arte, com roteiro de André Diniz, e os álbuns Estórias Gerais e Fastasmagoriana, escritos e editados por Wellington Srbek.

Flavio Colin

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  • Marquito Maia

    Um dos mais brilhantes E autênticos autores de quadrinhos brasileiros, que nunca precisou recorrer a esses pastiches ridículos de super-heróis que a turma tanto gosta!! Como dizem por aí, “Nada substitui o talento”!! Bela homenagem, Sidney.

  • Fabio Negro

    poxa, me emocionei com essa lembrança tão elaborada, que a gente faz pra quem se gosta e que simplesmente falta aos nossos mestres brasileiros.

    Obrigado, Sidão! Obrigado, Flávio!

  • Kris Zullo

    o trabalho do Colin é de maravilhoso. sempre atual é de uma força única. ver os originais então é algo pulsante, tive o privilégio de ficar imerso em originais na casa do seu filho e vou dizer, a cada página q via a vontade de desenhar ia ficando absurda. prestei homenagem ao mestre no meu “Ao Léu Vol. 1” e hoje, por conta do aniversário postei no facebook a história completa q presto homenagem ao mestre. a qm interessar:

  • Stephan

    Hotel do Nicanor e Vizunga são duas obras-primas da HQ Nacional…

  • Dyel Dimmestri

    Não me lembro agora quem foi o autor(acredito que foi o Franco De Rosa), mas uma frase a respeito de Flávio Colin me marcou: “(…)Colin não fazia Terror, Comédia, Faroeste, ou Erótico; Colin fazia…Colin! Ou seja, um universo à parte.” eu tenho a edição da Conrad de “Estórias Gerais”,e acho fascinante a Arte(com “A” maiúsculo!) de Colin! Um daqueles artistas sem similar em todo o mundo!

  • Renan Ishin

    É impressionante como o design dos personagens dele é extremamente atual e dinâmico. Fez escola